Família: sinal do céu

Padre Paulo Ricardo
Foto: Robson Siqueira/CN

Tantas pessoas estão empenhadas em destruir as famílias. Qual é o projeto de Deus para as famílias?

O saudoso Papa João Paulo II, no início do seu pontificado, apresentou as primeiras catequeses, intituladas “Teologia do Corpo”.

A partir do livro de Gênesis descobrimos que Jesus é um, mas não é sozinho, é Pai, Filho e Espírito Santo. Para Deus ser amor, Ele não é sozinho, pois a pessoa que ama sozinha é egoísta. O amor entre o Pai e o Filho é o Espírito Santo.

Deus fez o homem à Sua imagem e semelhança, assim existe algo em nosso corpo que tem Deus, que é a nossa sexualidade.
O corpo humano não faz sentido nele mesmo, assim como os ouvidos têm a função de escutar, os olhos de enxergar, mas a sexualidade humana, os órgãos genitais, é incompleta. O homem é incompleto, o corpo do ser humano pede algo que o complete, a metade do quebra-cabeça, pois o próprio corpo nos diz que nós não nos bastamos. Existe no ser humano, em sua carne, no seu corpo e na sua sexualidade humana algo que diz que somos incompletos. Isso significa que ninguém foi criado para viver isolado, por isso eu preciso amar, fui criado para me completar no outro.

Deus criou o homem e viu que era muito bom. “Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma auxiliar que lhe corresponda” (Gênesis 2,18). Fomos feitos antes do pecado original, a solidão de Adão não é fruto do pecado, ele se sentiu sozinho, pois Deus nos criou com esta solidão no coração. Fomos feitos para o amor, e não para sermos sozinhos, está escrito isso em nosso corpo, em nossa alma. Nem todas as pessoas foram feitas para o casamento, mas todos fomos feitos para ser família.

No primeiro livro da Bíblia há uma poesia do amor. Deus não tirou Eva da cabeça nem dos pés de Adão, mas a tirou do lado, pois é a companheira com igualdade e dignidade. Adão, ao ver a beleza de Eva, engrandece a Deus.

Na primeira página da Bíblia há um casamento, o de Adão e Eva. Na última, há um casamento também: a união de Cristo e da Igreja. As núpcias do Cordeiro, o casamento com Sua esposa, que é a Igreja.

"As pessoas que não têm fé, tentam encontrar nesta vida a felicidade perfeita e encontram a "azia da alma": desilusão"
Foto: Robson Siqueira/CN

No casamento de Adão e Eva há o sacramento que é o sinal do casamento final. O casamento da terra é um sinal do casamento no céu, a união eterna em Deus e com Deus. A união aqui na terra é uma preparação para o céu, é a preparação para o melhor. O casamento de Adão e Eva só tem sentido pleno se olharmos no livro do Apocalipse. No almoço do final de semana, uma das coisas especiais que existe é o tira-gosto, que prepara o estômago para o almoço. Mas se permanecermos só no tira-gosto, ele se transforma numa terrível experiência de não nos sentirmos satisfeitos. O aperitivo, o “tira-gosto” é a nossa vida; o seu casamento é somente um tira-gosto, pois a ceia maravilhosa é no céu, esta é a Boa Notícia que recebemos de Deus.

As pessoas que não têm fé tentam encontrar nesta vida a felicidade perfeita e encontram a “azia da alma”: a desilusão. A experiência do tédio é importantíssima, pois nos revela que esta vida não sacia o nosso coração.

Cada vez mais somos uma sociedade que experimenta tantas coisas que acabamos nos tornando entediados. "A vida é como uma semana: seis dias de trabalho e um dia de tédio". Essa é a vida se não tivermos fé.

Ao entrar no casamento pensando que ele será a única felicidade e a única realização de se encontrar como pessoa humana, ele se deteriorará em cobrança e a família, que é o sinal do céu, se transformará em sala de espera do inferno.

"O celibato é uma celebração viva da felicidade", explica Padre Paulo Ricardo
Foto: Robson Siqueira/CN

Você quer que sua família seja sinal do céu? Lembre-se de que ele [céu] não é aqui. O século XX foi marcado por muitas ideologias, marcado pelo Nazismo da sociedade perfeita, pela ideologia do Marxismo, pelo sonho de possuir o paraíso aqui na terra. O resultado da ideia marxista foi 100 milhões de mortes. Se você quer fazer um paraíso aqui na terra, você vai transformá-lo no inferno.

Muitas pessoas têm transformado a família em um campo de batalha com a cobrança da felicidade e da família perfeita. Quem quer transformar o “tira-gosto” em “refeição” acaba com azia! Esta vida é um “tira-gosto”, sinal do sacramento que virá.

O matrimônio é um sacramento visível de uma realidade invisível, é um sinal de amor que será perfeito em Deus. É o Senhor quem vai nos fazer felizes. Você cobrou a felicidade que o seu cônjuge não pôde dar? Peça-lhe perdão. Quem quiser preencher a sua alma com o casamento terá tédio, “azia”.

Todas as vezes em que você se une à sua esposa – na união sexual do matrimônio – vocês presenciam um pequeno sinal do céu. Se a relação sexual é um pequeno “tira-gosto” do céu, este é maravilhoso! Mas se não for esse tipo de “tira-gosto”, então, será sinal do inferno com o sexo desregrado, pois ele não é a felicidade nem preenche o coração. Estamos transformando o sexo em preparação para o inferno!

O padre é celibatário para nos lembrar que fomos feitos para o casamento no céu. Enquanto estivermos na terra o nosso coração estará inquieto. O celibato é uma celebração viva da felicidade, que é o céu.

Transcrição e adaptação: Thaís Capucho


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