Jesus envia o dom do Espírito Santo ao mundo

Caro monsenhor Jonas, prezados concelebrantes, queridos seminaristas e irmãos e irmãs, a missão terrestre de Jesus só terminou em Pentecostes com o envio do Espírito Santo. Durante o Seu ministério público Jesus procurou preparar os discípulos para que, um dia, recebessem o dom do Espírito Santo e anunciou aos discípulos este dom como um dom provisório para os tempos de perseguição.

Foto: Wesley Almeida/Cancaonova.com

Quando vocês comparecerem diante dos tribunais não precisarão pensar naquilo que vão dizer, pois o Espírito Santo de Deus falará em vocês. Na Última Ceia, véspera da Sua morte, Jesus, por quatro vezes, promete o Espírito Santo, mas não mais como um dom provisório, mas sim um dom permanente para a comunidade de Seus discípulos e para a Igreja.

Recordemos o contexto em que o Senhor Jesus fez esta promessa; este trecho do Evangelho de João 16,5-11, que acabamos de ouvir, registra a quarta promessa feita pelo Senhor, na Última Ceia, de enviar o Espírito Santo. Jesus havia anunciado os sofrimentos futuros dos Seus discípulos e a perseguição, e nesse momento [Última Ceia] Ele anuncia a Sua partida deste mundo: “Eu parto para aquele que me enviou”.

Esse duplo anúncio feito por Cristo, sobre a perseguição e a partida deste mundo, despertou muita tristeza nos discípulos e Ele os consolou prometendo enviar o Seu Espírito Santo.

Jesus deu um título ao Espírito Santo: Paráclito, vocábulo da língua grega que significa três coisas: Intercessor, Consolador e Defensor. Ele havia anunciado o sofrimento aos Seus discípulos, e aqueles que sofrem precisam de consolação, pois esta graça sempre alivia a dor.

Como é importante esse título que Jesus deu ao Espírito Santo, porque nas horas de sofrimento e perseguição nós não estamos sozinhos por termos o grande Consolador!

A promessa de Jesus é um pouco enigmática, pois Ele diz que, se não for embora, o Paráclito não virá até nós, mas se Ele for O enviará a nós. O Senhor Jesus ensina que é muito melhor para nós a presença invisível do Espírito Santo do que a visível da Sua humanidade, por meio da qual Ele agia de fora para o Espírito Santo habitar em nossos corações.

O Espírito Santo de Deus age na nossa inteligência e nos oferece o dom da sabedoria e aperfeiçoa o nosso conhecimento para que possamos entender a natureza íntima de Deus. Nós precisamos deixar-nos guiar por Ele [Espírito Santo], e a dimensão espiritual é a porta de entrada para que o Paráclito possa agir em nossa vida.

Nós podemos dizer que a missão do Espírito Santo é cristocêntrica por estar centralizada em Cristo, pois o Paráclito não diz as palavras, Ele faz novas as palavras de Jesus Cristo e não deixa que os ensinamentos ditos por Ele fiquem velhos. Pela ação do Espírito Santo a Palavra de Cristo é sempre uma palavra nova, por isso o Paráclito é o nosso Mestre interior e nos dá a capacidade de entender o sentido espiritual e interiorizar a Palavra de Cristo.

Fiéis participam de Santa Missa no Santuário Pai das Misericórdias
Foto: Wesley Almeida/Cancaonova.com

Jesus atribui ao Espírito Santo três tarefas: convencer o mundo do pecado; convencer o mundo da justiça; convencer o mundo do julgamento, ou seja, fazer com que o mundo acredite que o Senhor venceu a morte.

O pecado tem causas humanas e quando pecamos é porque somos fracos e imprudentes, pois procuramos a ocasião para isso e, algumas vezes, pecamos porque outros nos empurram ao pecado.

Em Pentecostes o Espírito Santo colocou a Igreja nas ruas e a apresentou, como nos mostra São Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos, a todos os povos grandes e pequenos da Terra. Povos conhecidos e desconhecidos, a partir do Pentecostes, que moveu os apóstolos e os primeiros discípulos a todas às nações.

A missão da Igreja enfrenta obstáculos, mas, na força do Espírito Santo, ela vence todos estes. Muitos obstáculos enfrentaram os primeiros missionários, como a magia, a idolatria, as longas distâncias e, de modo especial, a perseguição. Também hoje a Igreja enfrenta dificuldades, como o secularismo, uma visão da realidade que precisa de Deus da fé, e o indiferentismo religioso.

O querido João Paulo II, em sua Encíclica Redemptor hominis, afirma que os obstáculos mais graves para a missão da Igreja não se encontram no mundo, mas se encontram, com frequência, nas comunidades cristãs, devido ao cansaço, ao desânimo, à falta de alegria e esperança ao anunciar o Evangelho.

Nestas últimas semanas do Evangelho do tempo pascal a liturgia da Igreja, de um modo pedagógico, começa a nos preparar para a Solenidade de Pentecostes. Durante estes dias vamos abrir o nosso coração à ação do Paráclito Divino para que tenhamos forças para vencer os obstáculos que a missão da Igreja encontra lá fora, mas, sobretudo, para vencer obstáculos que se encontram no interior da Igreja e no coração de cada um de nós.

 

Transcrição e adaptação: Alessandra Borges


Dom Benedito Beni


Bispo emérito da diocese de Lorena (SP)

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