Levantai-vos do vosso abatimento

Monsenhor Jonas Abib
Foto: Robson Siqueira

Parece que me foi confiada a pregação ‘Levantai-vos do vosso abatimento’. É uma ordem. É o Senhor nos dizendo: “Levante-se, meu filho, do seu abatimento”. Logo percebi que esse tipo de pregação estava ligado com aquela Palavra que a RCC recebeu no ano de preparação dos 40 anos do derramamento do Espírito Santo.

‘Judas e seus irmãos viram que a situação era grave e que as forças inimigas acampavam dentro de suas fronteiras. Sabendo também como o rei havia ordenado de tratar o povo para destruí-lo e exterminá-lo, disseram uns aos outros: Levantemos nossa pátria de seu abatimento e lutemos por nosso povo e nossa religião’ (I Macabeus 3, 42-43).

E é por isso que você precisa realizar essa ordem do Senhor, porque, em primeiro lugar, precisamos ser levantados. O que acontece conosco é o que aconteceu com aquele jovem, citado no Evangelho (cf. Lucas 7, 11-17), que estava sendo levado para ser enterrado. Sua mãe era viúva. Jesus chega, toca no esquife – o que era proibido – e ordena ao jovem: ‘Eu te ordeno, levanta-te!’

Hoje, o Senhor está dizendo para cada um de nós: ‘Meu jovem, meu eleito, meu amado, meu escolhido, levante-se dos seus abatimentos porque tenho um número grande de pessoas neste país e neste mundo que precisam de você’.

O que é possível, não precisa de fé. A fé é justamente a certeza de coisas que ainda não existem.

O Brasil está neste caos político, econômico, na área de saúde, e caos também religioso. É só olhar a “parafernália de religiões”, de seitas e de grupos religiosos. Eles estão aí como um grande supermercado, ou como vendedores ambulantes: “vendendo” religião. Estão fazendo isso com o Evangelho na nossa “cara”.

É preciso que nós digamos uns aos outros o que está no versículo 43, de I Macabeus 3: “Levantemos nossa pátria de seu abatimento e lutemos por nosso povo e nossa religião”. Meus irmãos, o Senhor nos dá uma ordem: Lutem pela sua pátria e pelo povo, pela sua religião, pelo cristianismo, pelo catolicismo. E por isso é preciso cada um levantar-se.

“Para o Deus do céu não há diferença entre a salvação de uma multidão e de um punhado de homens, porque a vitória no combate não depende do número, mas da força que desce do céu” (I Macabeus 3,18-19).

Seminaristas fazem anotações da pregação do monsenhor Jonas
Foto: Robson Siqueira

Tenhamos a certeza: a força do Céu está descendo. E muitos acontecimentos estão comprovando isso. A vinda do Papa Bento XVI ao Brasil e o que ele tem dito do que viu aqui. É a Igreja com toda autoridade, olhando com olhos de esperança para aquilo que o Espírito Santo está suscitando de “novo”.

“Não vos lembreis mais dos acontecimentos de outrora, não recordeis mais as coisas antigas, porque eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes?” (Isaías 43,18).

Não fique olhando para o passado, mesmo que tenha sido ontem. Temos de deixar o passado para o passado, o Senhor está fazendo e suscitando coisas novas. É aí que devemos colocar os nossos olhos. O próprio Espírito Santo está suscitando o “novo” na sua Igreja. É para isso que devemos olhar, porque, senão, nós vamos viver num eterno pessimismo. E não existe coisa pior para os vocacionados, seminaristas, padres, bispos, religiosos, consagrados, do que essa vida de pessimismo. Porque olham para o ontem. E onde está o ontem? Onde está o ano passado? Já não estão. Os nossos olhos precisam mirar para frente, para o alto.

Música ‘Assim como a corça suspira pelas águas, assim suspira minha alma pelo Espírito de Deus’. A corça não bebe água suja, ela vai sempre para frente buscando água limpa, a mais limpa que conseguir. Que busquemos as águas de suas fontes, Senhor! Do Alto, do céu. Eu não posso me deixar contaminar pelas “águas sujas” que já passaram. Pelas “águas de esgoto” que passaram por mim e nas quais, infelizmente, eu me fixei. Que não se admita mais, proíba-se beber das águas sujas, das águas passadas. Seja como a corça. É duro subir, chegar aos picos, pois na subida sente-se muita sede, mas ela não se permite beber água podre. Ela vai buscar a água pura. E onde está a água pura? Nas chagas abertas de Jesus. Água do Espírito, do Sangue da redenção! A redenção está acontecendo. A grande heresia de hoje é olhar o Brasil, a sua diocese, o seu seminário, como se a redenção não estivesse acontecendo ali.

Nós nos acostumamos e nos viciamos no pessimismo, por isso, vivemos bebendo essas “águas putrefatas”. É preciso mudar, daí o seu seminário, diocese e lar mudam. Pela ação do Espírito Santo e pela mudança. Se você muda, as coisas mudam. Deixe-se mudar.

“Seu nome foi pronunciado até as extremidades da terra, e ele conseguiu a adesão daqueles que estavam a ponto de perecer” (I Macabeus 3,9)

O Senhor está precisando de pessoas que creiam e que confiem no impossível. Não dá para malhar o ferro frio. Só é possível malhar, ou seja, mudar o ferro, quando este está quente, em brasa. Deus o colocou nesse lugar, nessa situação para fazer de você “ferro em brasas”.

Sonhos sim, mas sonhos de Deus. Não estou convidando você para o martírio, mas quantas bagunças fazem em um quarto de “tal seminarista”? E por que no quarto de outro você não pode fazer um grupo de oração? Onde está sua ousadia? Feliz de você se puder fazer um grupo de oração dentro de seu seminário. Se você pode fazê-lo, faça-o para valer. Mesmo que o grupo de oração seja “clandestino”. Não estou levando vocês ao martírio, mas estou levando vocês à ousadia.

O Senhor está precisando de pessoas que creiam e que confiem no impossível,  declara  monsenhor
Foto: Robson Siqueira

Um padre na Igreja clandestina, com ministério limitado, começou com pequenos grupos clandestinos na China – e seu seminário, sua diocese, sua paróquia não são piores que a China – e claro, ele foi formando gente radical, gente que dava a vida pelo Senhor, pelo Evangelho, gente comprometida. Hoje há 30 mil pessoas nesse grupo. E ele não pode dormir duas noites no mesmo lugar de tão perseguido que é pelo governo comunista de seu país. Como Jesus, ele não tem como e onde “reclinar a cabeça”. A Palavra pede-nos: “Vá e faze tu o mesmo”. Estou falando-o para um escolhido, um eleito. A medida você sabe; o jeito, o Espírito Santo vai lhe mostrar; mas seja corajoso, destemido!

O dom de que mais precisamos nos tempos de hoje é o dom da ousadia, da intrepidez, do atrevimento no Espírito: Parrésia! Quando Pedro e João foram ameaçados e não podiam mais realizar curas e milagres em nome de Jesus, eles pediram que o Senhor derramasse o Espírito d’Ele sobre eles para que pudessem levar o nome de Jesus com intrepidez. Aí está a renovação da Igreja no mundo, no Brasil, na sua diocese, no seu seminário! Que seja você a brasa!

Aqui na região temos muitas queimadas. Queimadas terríveis. E se apaga o fogo da queimada com varadas, com um grande galho. Tem de ir até o fogo. Já recebemos muitas “varadas” e muito “fogaréu” já se apagou, mas a queimada nunca fica sem algumas brasas embaixo. Qualquer brisa as reacende, e reacende tudo. Continue você também “reacendendo”. Não olhe para as “varadas”. Se você quer ver uma pessoa que levou muitas “varadas”, ela está aqui: sou eu. Digo isso com muita humildade. Mas eu nunca deixei que a brasa do Espírito Santo em mim não voltasse a reacender.

O que temos, hoje, aqui, na Canção Nova, é graça, mas eu nunca neguei em nada o batismo no Espírito Santo. Hoje somos um “vendaval”. Antigamente conheci seminaristas que se revitalizavam ouvindo a nossa rádio. Talvez eu tenha, diante de mim, alguns assim. Que foram atingidos por nós [Sistema Canção Nova de Comunicação].

Dia 2 de janeiro começamos a funcionar por satélite, saindo de Israel e atingindo toda a Ásia. E teremos nossos programas traduzidos para o inglês. E estamos lutando para conseguir alguém que saiba mandarim e venha trabalhar conosco, e também árabe. “Vai e faze tu o mesmo”.

Deixe-me contar uma coisa. Lá nos inícios, anos 70, quando recebi a graça do batismo no Espírito Santo, eu estava em Lorena (SP) por causa da tuberculose. Depois de ter tido meu encontro com Jesus na “Mariápolis”, e este foi sozinho, ao abrir uma Bíblia em São Mateus 16: “E vós quem dizeis que eu sou?” Que foi como um raio sobre mim. Jesus me perguntando: “Jonas, quem sou Eu para você?” No final desse momento, eu estava ajoelhado no chão entregando minha vida a Jesus. E, claro, quem tem seu encontro com Jesus não consegue segurar em si esse fogo, quer levá-lo aos outros. Eu me ordenei e já saí querendo fazer isso. Cuidava dos meninos recém-chegados ao seminário. Atendia confissões, celebrava a Santa Missa. E já estava procurando meios de como as pessoas poderiam ter aquele encontro pessoal com o Senhor.

Os nossos olhos precisam mirar para frente, para o alto,  diz  monsenhor  Jonas
Foto: Robson Siqueira

No fim daquele ano, fui para o Liceu Coração de Jesus em São Paulo, e lá os marianos jovens vieram me pedir ajuda. E nas reuniões com eles pegávamos um texto do Evangelho. Eu lhes dava uma pequena explicação bem prática, e os convidava para viverem aquilo durante a semana. E eles se foram afervorando. E começamos uma Missa de jovens. Isso em 1966. Não havia “música jovem”. Eu ia ao piano e tocava nos ritmos daquele tempo. Já na primeira Celebração Eucarística a igreja estava cheia. E eu não podia perder a oportunidade. Acabando a Missa, convidava os jovens para irem ao salão paroquial. E eu tinha de ser esperto, começava a tocar no piano as músicas populares, as que tinham boas mensagens, e ia, aos poucos, recordando algumas coisas da Santa Missa, e os convidava para viverem a Palavra na semana.

Imaginem quanta “varada” eu levei nesses inícios, mas não parei. Continuei naquele ardor de fazer com que os jovens tivessem seu encontro pessoal com Jesus. Quando levei um castigo por chegar atrasado num retiro, fui mandado para Jundiaí (SP) para substituir um padre em sua paróquia. Sozinho, numa paróquia em que ninguém me conhecia, fui inspirado a fazer um esquema de encontro para jovens. E na Semana Santa fizemos nosso primeiro encontro de jovens em Campos do Jordão (SP). Foi duríssimo. Mas no final do encontro, varamos a madrugada confessando aqueles jovens e no dia seguinte, eles davam seus testemunhos da loucura em que viviam e eu via a mudança de vida que tiveram.

Isso foi me dando ânimo e a cada 15 dias esses encontros aconteciam. Um dia, meu superior disse que queria ver o encontro. Meu superior “caiu do cavalo” porque nas confissões ele viu o resultado. E a partir daí, ele não deixou de ir a mais nenhum encontro. E ainda levou os esquemas de encontros para a Itália e começou a fazê-los lá. E a mesma maravilha Deus foi fazendo lá.

Tudo pode ser mudado. Há “fogo debaixo dessas suas cinzas”. Não olhe para as “varadas”! Deixe a brisa do Espírito Santo bater sobre essas “brasas”. Elas vão incendiar e o “incêndio” vai voltar. Acredite!

E justamente com esses encontros, sem deixar minhas responsabilidades, e cuidando dos jovens no “pós-encontro”, eu fiquei tuberculoso. No primeiro mês fiquei comportado, em repouso; depois vi que 70 a 80% no sanatório eram jovens. No segundo mês já comecei a visitar os quartos deles. Ali fiquei sabendo das misérias deles, mas sentiram o amor que Deus tem por eles. E viam que a vida deles tinha saída na misericórdia do Senhor. Propus-lhes uma Missa no Natal, ensaiei as músicas no violão e no harmônio. Falamos com as irmãs, pois eles queriam a Missa à meia-noite. As irmãs nos deixaram fazer a Missa do Galo e a capela lotou. Muitos ficaram no corredor. Imaginem: Aqueles pulmões tuberculosos cantando “a plenos pulmões”. Eu celebrava, cantava e tocava. Foi a mais linda Missa de Natal da minha vida. E tempos depois fiz o primeiro encontro de jovens no sanatório.

“Levanta-te do teu abatimento”. Seja ele qual for. Eu poderia ter contado muitos outros desencontros e muitas outras coisas que vieram para cima de mim para me colocar no chão, mas o Senhor estava comigo, como está com você.

O Evangelho de hoje nos diz em São Marcos 6,49:

“Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: Coragem, sou eu! Não tenhais medo!’

“Coragem sou eu, não temais medo”… O resto do Evangelho você conhece. É o que Jesus está gritando para você: “Coragem, sou Eu!” Deus está na realidade. E Deus só está na realidade. Se sua realidade hoje é esta, na qual você está, é aí que Deus está. E eu aprendi isso na prática. Porque depois os fatos demonstravam que – mais do nunca, nas piores horas da minha vida – o Senhor estava comigo. Apenas eu não via. Hoje, eu me faço voz d’Ele e grito: “Coragem sou Eu, Jesus! Não temas, meu filho! E Agüenta firme, meu filho. Comigo [Jesus] você é mais que vencedor!”

Música: “Vê, quem te elegeu te ungiu e consagrou. Não temas! Nos lábios santos teu nome ressoou. Não te chamou como a um servo qualquer, mas com carinho, um filho seu. Te capacitou, toda força te deu, amparou e acolheu. Ergue-te, pois, Deus te fez um vencedor! Celebra a vitória! O Senhor Jesus regressando está! Vitória! Canta com unção tua vida! Crê! O tempo é curto e não da para esperar. Tu não vês? O Tentador só procura te enganar, dizendo que tens mil motivos, enfim, para tudo abandonar, Abraça o que é teu permanece fiel, luta sem desanimar. Ergue-te, pois, Deus te fez um vencedor!”.

Que Deus nos abençoe para vivermos essa realidade. Amém.

Transcrição: Nara Bessa
Fotos: Robson Siqueira


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Monsenhor Jonas Abib


Fundador da Comunidade Canção Nova

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