Mesmo no sofrimento dizer 'sim' a Deus

Betinha
Foto: Wesley Almeida
Eu vim trazer para vocês o testemunho de um milagre, por meio do qual  uma mulher se tornou santa: a santa Gianna Beretta Molla. Ela é pouca conhecida, mas mudou a minha vida. Aconteceu comigo o milagre que a levou à canonização.

Santa Gianna foi uma médica nascida na Itália. Ela sempre teve grande vontade de morar no Brasil, porque pretendia se unir ao irmão, padre Alberto, médico e missionário em nosso país. Este, com a ajuda de Francesco, seu outro irmão, que era engenheiro, construíram um hospital na cidade de Grajaú, no Estado do Maranhão. Mas, por sua saúde frágil, ela foi desaconselhada pelo Bispo Dom Bernareggi a vir ao Brasil.

Com essa situação, a santa italiana optou pela vocação matrimonial. Ela teve quatro filhos e dois abortos naturais. Na quarta gravidez, viu-se atingida pelo sofrimento e pela dor. Apareceu-lhe um fibroma no útero. Três opções lhe foram apresentadas: retirar o útero enfermo, o que ocasionaria a morte da criança, abortar o feto, ou a mais arriscada: submeter-se a uma cirurgia de risco e preservar a gravidez.

Antes de ser operada, embora sabendo o grave perigo de prosseguir com a gestação, suplica ao cirurgião para salvar a criança e , então, entrega-se à Divina Providência e à oração. Submeteu-se à cirurgia no dia 6 de setembro de 1961. Com o feliz sucesso da operação, agradece intensamente a Deus a salvamento da vida do filho. Passa os sete meses que a distanciam do parto com admirável força de espírito e com a mesma dedicação de mãe e de médica. Receia e teme que seu filho possa nascer doente e suplica a Deus que isso não aconteça.

Alguns dias antes do parto, sempre com grande confiança na Providência Divina, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a do filho. Deu entrada, no hospital, para o parto na Sexta-feira da Semana Santa de 1962. Na manhã do dia seguinte, nasce Gianna Emanuela. Apenas teve a filha por breves instantes nos braços. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambas, na manhã de 28 de abril morre santamente. Tinha 39 anos. Para a Itália, que tem o aborto como uma prática legal, a história ficou muito conhecida. Ela deu a vida pela filha e, tempo depois, se tornou beata.

"Em defesa da vida, contra o aborto, ela investiu na família"
Foto: Wesley Almeida

O Papa João Paulo II a compara com o Bom Pastor, que dá a vida pelas Suas ovelhas. Em defesa da vida, contra o aborto, ela investiu na família.  E precisa de mais um milagre para se tornar santa.

Em 2000, conheci a história da beata Gianna. Eu era casada e já tinha três filhos. Nessa época, meu marido descobriu que tinha HIV. Passamos momentos difíceis, mas sempre em oração. Sempre acreditando que Deus nunca nos dá problemas que não podemos suportar. Por milagre, seis meses depois da descoberta da doença, os exames deram negativo. Nesse contexto, engravidei. No quarto mês de gestação, rompeu a minha bolsa e eu fui internada. Os médicos disseram que não  havia como a criança sobreviver. Achavam que eu tinha de abortar, porque o feto, para a medicina, era considerado inviável. Naquele momento, a médica começou uma luta muito grande para que eu aceitasse [abortar] , porque corria risco de morte, mas não queria isso.

"Para espanto de todos, eu tive a minha Gianna, perfeita! Sem nenhum problema!"
Foto: Wesley Almeida


Apesar da fé que eu sempre professei, precisei fazer uma escolha. Era a minha vida que estava em risco por algo que ninguém acreditava. Mas se eu abortasse eu não estava sendo uma cristã. É muito fácil dizer que eu sou católica, mas não é fácil viver como Jesus. Eu era uma mãe com três crianças pequenas. Que mãe escolhe morrer e deixar três filhos pequenos? Confiei no Senhor!

Eu pedi a meu marido que fosse atrás de um padre para dizer a médica que a Igreja não aceita o aborto. Era no mesmo Deus ,que curou meu marido, que eu acreditava que ia salvar meu bebê! Apareceu um bispo na minha sala. Eu queria um padre, mas apareceu um bispo, o qual estava no hospital por outros motivos.

O bispo me me deu um livro da beata Gianna e rezou para que ela intercedesse pela minha cura junto a Deus a fim de que eu conseguisse o milagre para que ela se tornasse santa. Eu tomei posse e pedi para a doutora mais uma noite. Fui fazer o ultrassom, no outro dia de manhã, feliz, esperando o milagre. E, de repente, a médica disse que eu corria ainda mais riscos. Não sabia mais o que fazer para convencê-la de que eu acreditava no milagre.

À tarde, minha filha, que hoje tem 17 anos, me ligou e implorou para eu não morrer. Foi o momento mais difícil para mim. Era uma escolha muito séria. Mas eu continuei acreditando no Deus do impossível. A médica me mandou para casa e, três meses depois, no dia 31 de maio de 2000, marcou a cesariana. Eu sabia dos riscos, se ela sobrevivesse poderia ter várias sequelas. Para espanto de todos, eu tive a minha Gianna, perfeita! Sem nenhum problema! Agora, ela tem 10 anos. É esperta, muito cheia de fazer arte.

Ela não tem nenhuma sequela, porque Deus, quando faz o milagre na nossa vida, não o faz pela metade. Depois do parto, eu tive uma hemorragia muito intensa, fiquei entre à beira da morte, mas Jesus me salvou. Hoje, meu ministério é divulgar essa santa. O caso foi para o Vaticano e, em 2004, o Papa João Paulo II a canonizou. Estivemos diante do Sumo Pontífice vivendo este momento lindo. Gianna Beretta é a patrona da família!

Transcrição e adaptação: Ariane Fonseca


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Elisabete Arcolino (Betinha)


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