Misericórdia, a festa da conversão

Padre Fábio de Melo
Foto: Natalino Ueda/CancaoNova.com

A Festa da Misericórdia tem de ser a festa do encontro. Afinal, é a mística do encontro de Deus com o humano, com a miséria do homem.

Aquele que oferece a misericórdia torna-se inesquecível. Muitas pessoas passaram por nossa vida, mas aquela que nos amou quando nós não merecíamos ser amados, jamais esqueceremos. Experimentamos a miséria humana, seja de marido pra mulher, do amigo para o outro; a partir disso, podemos ter uma noção do amor de Deus por nós. A nós cabe oferecer ao outro um espaço no nosso coração.

A primeira aula de miserciórdia que vivemos é a experiência do amor de mãe. Elas sabem o significado do verdadeiro amor, da entrega, mas nem sempre oferecemos a misericórdia ao irmão. Hoje, queremos pedir a Deus que arranque do nosso coração todo pecado que, muitas vezes, nos privam de viver a misericórdia.

Hoje, ninguém está fora da graça que Deus nos concede. Todos nos temos misérias vergonhosas, mas a misericórdia é para todos, inclusive para aqueles que não têm coragem de dizer que “Deus o ama”.

O verdadeiro cristão é solidário ao outro
Foto: Natalino Ueda/CancaoNova.com

Quando alguém me ofender por gesto ou palavra, vou olhar na direção do seu amor, e dizer: Eu quero ter, ó meu Senhor, um coração igual ao teu.

Nós sacerdotes nos tornamos padres por prestar atenção em alguém. Tivemos um modelo positivo, o qual nos atraiu.

O diabo virou quem é por conta da inveja que cresceu no seu coração – o desejo de ser como Deus. Ao invés de simplesmente ter um coração parecido com o do Senhor, ele quis estar acima do Mestre.

O Evangelho de hoje nos convida a refletir o verdadeiro significado do sepulcro vazio em minha vida. O que ele diz para a minha vida naquilo que tenho feito?

Quando alguém nos machuca, trai nossa confiança ou faz algo contrário daquilo que esperávamos, retemos o pecado do outro em nós.

 

  :: Veja fotos no Flickr
:: Veja + fotos também no Facebook

Encontramos pessoas destruídas, porque não conseguiram encontrar forças para perdoar!

Mesmo sabendo que o outro errou, se não o perdoarmos, acabaremos guardando o pecado dele no nosso coração. É por isso que precisamos ter um coração igual ao do Senhor. Que não alimenta dores nem rancores, tampouco ingratidão.

A falta de conversão consiste em reduzimos nosso Cristianismo a um conjunto de ritos e obrigações. Em que situação você ainda não se parece com Jesus? A festa de hoje é de conversão, é momento de termos a coragem de olhar para nós mesmos e investigar onde não nos parecemos com Cristo. Seja na maneira de ser mãe, pai, marido, filho ou esposa.

A única religião que nivela as pessoas por baixo, que propõe as facilidades do pecado, é aquela que o diabo inventou. O verdadeiro cristão é solidário ao outro.

O espírito cristão é, antes de tudo, de solidariedade. Se você aceitou ser iluminado pela misericórdia precisará estar disposto a viver as pequenas mortes que nos fazem pensar no outro. O Cristianismo não é brincadeira; é difícil, mas em lugar nenhum você vai encontrar um Deus que faz de tudo para ter você por perto.

Quando alguém o ofender, é preciso olhar em direção ao Cristo e pedir um coração igual ao d'Ele. Isso, muitas vezes, significa que, mesmo diante de um desaforo, você deva se calar.

Quando alguém o ofender, peça a Deus essa graça. Assim, será mais fácil ser vizinho, amigo, colega, marido, esposa e filho. Não podemos viver na hipocrisia. Se alguém o maltrata, trate-o bem. Quem quer ter um coração misericordioso como o de Jesus, não paga com a mesma moeda. Se você não se sente acolhido, ofereça seu carinho e acolhimento. Seja cristão!

Mesmo quando alguém disser que essa atitude o torna bobo das pessoas, acredite que é melhor parecer “bobo” e ser como Jesus do que assemelhar-se à hipocrisia.

É na administração de nossas misérias que vamos alcançando um coração igual ao do Senhor. Não desanime. A misericórdia de Deus está sempre sendo oferecida em cada sacramento.

O amor de Jesus nos é oferecido. Mas o recebimento desse amor é comprometimento, pois, a partir desse momento, a sua vocação tem que ser o amor.

No nosso coração não pode haver espaço para rancores, mágoas e perdendo a oportunidade de ser feliz.

Hoje, na Festa da Misericórdia eu quero que o Senhor arranque do meu coração que me dificulta aproximar do seu coração e ser parecido com ele. Arranque as minhas mágoas, ressentimentos, preconceitos e tudo aquilo que é obstáculo para a sua graça. Hoje, eu quero um coração semelhante ao seu Jesus. Amém.

 

Transcrição e Adapção: Dado Moura


Padre Fábio de Melo


Sacerdote da Diocese de Taubaté – SP

Twitter

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo