Nós somos o Corpo de Cristo

Daniel Machado
Foto: Wesley Almeida
São Paulo cita várias vezes, em suas cartas apostólicas, o termo “Corpo de Cristo”. Segundo o apóstolo dos gentios, todos nós formamos este Corpo do qual Cristo é a cabeça. Na Carta aos Efésios, São Paulo diz: “Assim, Ele capacitou os santos para a obra do ministério, para a edificação do Corpo de Cristo, até chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude”.

Neste trecho da Carta aos Efésios, o grande apóstolo afirma que Deus nos capacitou para a edificação desse Corpo para chegarmos juntos à estatura de Jesus, que é a imagem do homem perfeito. Deus nos deu dons, capacidades e ministérios para que juntos, todos os batizados, construamos e edifiquemos este Corpo de Cristo. O que recebemos de Deus não é simplesmente para crescimento próprio, sobretudo, para crescermos como Corpo, como Igreja. Ninguém chega à estatura de Cristo sozinho, pois se não alimentarmos mutuamente este Corpo, nós mesmos nos excluímos dele.

São Paulo continua: “Vivendo segundo a verdade, no amor, cresceremos sob todos os aspectos em relação a Cristo, que é a cabeça. É dele que o corpo todo recebe coesão e harmonia, mediante toda sorte de articulação e, assim, realiza o seu crescimento, construindo-se no amor, graças à atuação devida de cada membro”.

Todos nós sabemos que para o crescimento e o bom funcionamento de um corpo, são necessários nutrientes. Sem uma boa alimentação, este começa a apresentar falhas; aliás, especialistas dizem que a maioria de nossas doenças está relacionada à nossa má alimentação. Assim, também em Cristo, para que você cresça neste Corpo e com este Corpo são necessários os "nutrientes" corretos. E São Paulo nos dá a dica para o crescimento do Corpo: a verdade e o amor são esses "nutrientes".

"A grande estratégia do inimigo, em nossos dias, tem sido a retirada da verdade e do amor"
Foto: Wesley Almeida

Há muitas pessoas morrendo de anemia no campo espiritual, porque não estão se alimentando destes dois "nutrientes" essenciais para a sobrevivência no Corpo de Cristo,  e muitas os estão recusando. A grande estratégia do inimigo, em nossos dias, tem sido a retirada da verdade e do amor; mas sem estes dois alimentos cristão nenhum resiste, pois o corpo acaba definhando.

O inimigo de Deus não só está tirando do nosso "cardápio" a verdade e o amor, como também nos tem oferecido, no lugar deles, "alimentos" que, no fundo, fazem um grande mal para o seu "funcionamento". Estamos morrendo, porque estamos nos alimentando de muita coisa errada. O que não falta é má "alimentação espiritual" do nosso povo.

O Papa Bento XVI, logo no início de seu pontificado, falava sobre a ditadura do relativismo. E o que quer dizer "ditadura do relativismo"? É a imposição da ideia de que tudo é relativo, não existem verdades absolutas, ou seja, você pode fazer a sua verdade. Este é o primeiro "alimento" que está se tornando escasso na nossa sociedade: a verdade. Sem essa virtude o nosso sistema de defesa fica fraco e, então, qualquer "vírus", "bactéria" ou doutrina domina o nosso corpo.

O homem moderno não só odeia a verdade, como também a combate. Santo Agostinho dizia que “os homens odeiam a verdade, porque amam aquilo que eles supõem que seja a verdade” e ainda acrescentou: “como eles não querem ser por ela [verdade] revelados, ela os denunciará contra a vontade deles e não mais se revelará a eles. Assim é o espírito humano: cego e preguiçoso, torpe e indecente; deseja permanecer escondido, mas não quer que nada lhe seja ocultado. Portanto, ele [o homem] será feliz quando, sem obstáculos nem perturbações, puder gozar daquela única verdade, fonte de tudo o que é verdadeiro”.

"Deus não rejeita ninguém. Somos nós, com a nossa cabeça dura, que acabamos nos excluindo"
Foto: Wesley Almeida

O outro "alimento" que está sendo tirado de nosso "cardápio espiritual" para a sobrevivência do corpo se chama amor. Sem a força da verdade, ele também não consegue alimentá-lo [o corpo]. A grande tragédia dos nossos dias tem sido a corrupção do amor, pois as pessoas o associam ao prazer e a um sentimentalismo barato que tem mais a ver com depravação do que com amor verdadeiro. O amor verdadeiro está na oblação, na renúncia, está no preferir o bem do outro, em dar mais do que receber. O Amor Verdadeiro se encarnou e, ainda hoje, mostra-se para nós como o Alimento Verdadeiro. “Quem se alimenta da minha Carne e bebe do meu Sangue tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia”. Portanto, se nós não nos alimentarmos com a verdade e o amor, jamais poderemos permanecer no Corpo de Cristo. Não porque o Senhor nos excluirá, mas porque nós mesmos acabamos nos alimentando com muitas coisas erradas.

Deus não rejeita ninguém. Somos nós, com a nossa cabeça dura, que acabamos nos excluindo. Nós nos alimentamos com materiais de autoajuda, com esoterismo, superstição, novelas, filmes e outras coisas – como diz São Paulo “levados por todo vento de doutrinas” – e daí, morremos de "anemia", porque não nos alimentamos bem espiritualmente.

Nós sabemos que o Corpo de Cristo é a Igreja. E este Corpo é formado por todos nós. Se um de nós sofre, todo o Corpo sofre. Nós vivemos tempos em que urge o testemunho dos cristãos, mas não adianta dizer que estamos fazendo a nossa parte e que são os outros que estão dando contratestemunho, pois Deus nos constituiu para, juntos, edificarmos o Corpo de Cristo. Graças a Deus nós temos uma cabeça que é firme, pois Cristo é a cabeça. Nós só permanecemos firmes neste mundo porque a Cabeça, que é Cristo, dá coesão e firmeza a todo o Corpo.


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