Nossa história na dimensão da fé

Júlio Brebal
Foto: Robson Siqueira
Se Deus lhe pedisse neste momento para você construir uma arca gigante, você não acha que teria dúvidas, objeções, restrições? Se Deus chegasse e você estivesse em casa, com sua esposa, ou namorada, sua família e bens, e lhe dissesse para você pegar tudo e ir para outro lugar, você teria dúvidas? De que maneira você reagiria? Você menina, você mulher, imagine Deus enviar um anjo até você, você noiva, e Deus falar assim para você: ‘Você é cheia de graça e foi escolhida para ser mãe do Salvador’. Qual seria sua atitude?

Tanto Abraão, como Noé e Maria, disseram ‘SIM’ incondicionalmente a Deus. Deus pede a você esse ‘sim’ incondicional. E é preciso que queiramos olhar para o nosso coração e refletir qual seria a nossa resposta a Deus.

Li em um livro onde o autor faz uma reflexão sobre a obediência que diz: ‘A compreensão pode esperar, mas a obediência, não’. A obediência imediata nos ensinará muito mais do que discussões.

Nós jamais vamos compreender algumas ordens de Deus sem que antes as tenhamos cumprido. Muitos vieram de longe para esse acampamento. Você quando entrou no veículo perguntou para o motorista: ‘Eu quero sua carta de motorista, sua carta de referência?’ Não! O que você fez? Você acreditou no motorista na sua fé humana.

O que Deus pediu a Noé, a Abraão e a Nossa Senhora, e nos pede agora, é uma fé carismática. Eu quero contar a história da Canção Nova na dimensão da fé. Na minha história, 38 anos de caminhada com o monsenhor Jonas, que para mim sempre foi referencial.

O capítulo 11 de Hebreus nos ensina algumas coisas memoráveis. A fé humana é uma coisa, a fé dom de Deus é outra. A Canção Nova é uma Obra de Deus. Obra de Deus por resposta de fé de um homem e de um grupo de jovens que souberam aceitar e acreditar que Deus tinha um grande propósito para a vida deles. Portanto, a fé é a certeza daquilo que ainda se espera.

“A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê” (Hebreus 11,1).

Quem é Jesus para você?
Foto: Robson Siqueira

Imagine nós naquela década de 70 falarmos ‘tchau’ para nossos pais, para vivermos um estado de vida diferente. Desde o início de tudo o monsenhor nos ensinou e viveu a plenitude da providência divina. “Porque Deus, que tinha para nós uma sorte melhor, não quis que eles chegassem sem nós à perfeição (da felicidade)” (Hebreus 11,40).

A Canção Nova é fruto da providência Divina que desde o início acompanha esse homem que se dispôs-se de tudo e desejou ardentemente ouvir e seguir a vontade de Deus.

Dom Irineu, na época padre, deu um curso sobre a terceira pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo; e monsenhor Jonas sempre partilhou conosco que lhe faltava ‘alguma coisa’. E lhe foi apresentado o ‘Espírito Santo’ e foi a partir daí que tudo mudou na história e na vida desse homem. O coração dele foi tomado de um fogo tão abrasador, e foi para a capela pedindo a Deus algo que ele ainda não havia experimentado.
A obediência e disposição ao Senhor fez com que esse homem de Deus, confiando na providência Divina, realizasse uma obra que hoje é uma Obra profética. A Canção Nova é um dom de Deus e está no meio de nós para resgatar muitas almas para Deus.

Eu aprendi a amar a Deus, a ser um homem de Deus. E a Canção Nova para mim, representa toda a graça que Deus realizou em minha vida, em minha história. Na minha juventude eu vivia uma situação extremamente difícil na minha vida pessoal e eu quero partilhar com vocês, porque o testemunho vem atingir o nosso coração, para que muitos possam ser transformados pela misericórdia de Deus, pela ação do seu Santo Espírito.

Eu tinha um relacionamento muito difícil com meu pai. Ele era alcoólatra. Éramos como cão e gato. Na minha casa, eu não ficava no mesmo ambiente que o meu pai. No dia 10 de janeiro de 1970 eu cheguei em casa para almoçar e meu pai estava almoçando, saiu e foi para o quintal porque eu havia acabado de chegar. De repente minha mãe começa a gritar do quintal, me chamando, chegando lá meu pai estava estendido no chão, roxo, espumando pela boca, e minha mãe gritando pedindo minha ajuda. E a única palavra que tive para meu pai naquele momento foi ‘morra desgraçado’.

Pegamos meu pai, levamos para Santa Casa em Lorena (SP), e ele foi desenganado pelos médicos. E naquela tarde esperei ardentemente a morte do meu pai. Eu fui o escolhido para passar a noite com meu pai no hospital. E questionei a Deus nessa noite sobre muitas coisas. E falava: ‘Deus você não é bondade’. Meu pai não morreu naquela noite, nem no dia seguinte, e nada dele morrer. E na terceira noite eu já estava mais calmo.

E eu preciso dizer a vocês como monsenhor Jonas trabalhou na minha juventude, na minha vida espiritual. Quando meu pai aprontava, eu corria para ele, chorava, conversava, e ele me ensinou algo que aprendeu de Jesus, e passei a fazer naquela noite: ‘Júlio, quem ama, dá o primeiro passo’.

'Quem reza tem a chave que penetra o coração de Deus'
Foto: Robson Siqueira

Quantos de vocês estão imobilizados, estáticos, com o coração ressentido, e não conseguem ouvir o nome da mãe, ou do pai, porque tem orgulho e não dão o primeiro passo, que é o passo do amor. Quem ama cuida. Quem ama dá o braço a torcer, entrega a própria vida e dá o primeiro passo.

Naquela noite, eu ouvi Deus dizer assim: ‘Ponha-se de pé, vai até a cama de seu pai, ponha a mão nele’. Eu via meu pai como rival, e quando o toquei, Deus falou: ‘Eu amo o seu pai’. Naquele momento eu toquei, na verdade, no próprio corpo do Senhor. E aí comecei a abrir-me à graça de Deus. E Deus começou a curar o meu coração.

Monsenhor Jonas, quando era professor no Colégio São Joaquim, achou uma imagem de Jesus crucificado em um forro de um dos dormitórios e estava todo quebrado. Sem mãos, pernas, todo esfarelado. Um sinal de que Deus tinha algo para o coração daquele homem e daqueles jovens que andavam com ele. E ele disse assim: ‘Júlio dá um jeito nisso. Deus colocou no meu coração uma grande moção’. E eu disse: ‘Que loucura arrumar um negócio desse padre Jonas’. E ele me disse: ‘Júlio por esse crucificado Deus me pede assim: ‘Você não quer ser meus pés, meus braços, minha boca?’ Deus te convida hoje a ser os pés, as mãos e a boca de Jesus. Jesus que se dá por inteiro.

Naquela oportunidade não via razão de consertar, limpei a imagem, envernizei a madeira, e essa imagem acompanhou os mais importantes momentos da Canção Nova que nascia. Na casa de Areias (SP), na casa de Queluz (SP).

Onde você tem que ser as mãos de Jesus? Onde você tem que ser a boca de Jesus? Onde você tem que ser os pés de Jesus? Quem é Jesus para você neste momento? Deixamos Jesus mutilado pelo nosso egoísmo, pelo perdão que não damos, pela atitude de não dar o primeiro passo. Deus quer hoje, contar a história da Canção Nova na dimensão da fé.

Eu preciso dizer para você algo que o Senhor fez comigo e meu pai. Deus fez uma obra restauradora em mim e em meu pai. Ele não se amava, bebia demais. Deus o levantou da morte e o fez vivo. Deus libertou o meu pai.

Por 17 anos o Senhor permitiu que eu e minha família tivéssemos o convívio com meu pai para reaprendermos a amá-lo e ele a nós. No dia 2 fevereiro de 1987, no seu leito de morte, pude dizer ao meu pai: ‘Eu te amo, eu te quero bem pai, descanse em paz. Vá desfrutar da glória e do amor de Deus que nos ama’.

Deus é bom, e eu pude como Abraão, Noé, Nossa Senhora e como monsenhor Jonas e aqueles jovens, dispor-me para que Deus fizesse uma grande obra restauradora em minha vida, em minha história. Quero muito que você também seja um grande profeta para dizer das coisas de Deus onde você vive.

É preciso que nós cristãos comecemos a ter a coragem de proclamar a Jesus Cristo. Enquanto o mundo diz tanta bobagem, colocando o amor e a sexualidade no esgoto, somos bem-aventurados porque somos tecidos pelo amor de Deus, pela bondade de Deus. E nós não podemos ficar calados. É preciso que nós católicos, tomemos a mesma postura de Abraão, Noé, Nossa Senhora. Postura de filhos e filhas de Deus, de batizados. Nós católicos, somos de Jesus Cristo e precisamos proclamar isso ao mundo. Somos católicos pela graça de Deus e como católicos precisamos exercer o nosso ministério de batizado.

É preciso, portanto, que você seja plenamente confiante na misericórdia de Deus. Ele quis na sua graça que eu desfrutasse da alegria de viver em uma Comunidade que se dá e se gasta pela causa do Reino de Deus.

Quem reza é invencível. Quem reza tem a chave que penetra o coração de Deus. É preciso que nos tornemos homens e mulheres orantes, e nos disponhamos ao Senhor, pelo Seu Reino, onde quer que estivermos.

Ide ao mundo inteiro e pregai o Evangelho.


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Júlio Brebal


Missionário da Comunidade Canção Nova – Segundo Elo

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