O amor de Deus me liberta do meu passado

Emmir Nogueira
Foto: Vânia Regina Oliveira

Cura interior e santidade são a mesma coisa. A verdadeira cura interior é a santidade, é quando não sou mais eu que vivo, mas Cristo que vive em mim. Quando não me centralizo em mim mesmo, mas em Deus.

Em Ezequiel 47 narra a história da fonte prodigiosa do templo. A água que corre no templo é a água que corre do lado de Jesus, "do Seu coração jorrou água e sangue". Jesus nos diz também que Ele é o templo, e desse templo transpassado pela espada jorra sangue e água. A história conta: "um homem mediu mil côvados e me fez entrar no rio com a água que dava no tornozelo. Depois mediu mil côvados e água chegou ao joelho. Depois mediu mil côvados e água chegou à cintura. Depois mediu mil côvados e água ficou profunda e só podia atravessar a nado". Isso é um pouco a história de nossa vida.

Quando Deus nos cria, Ele nos cria porque nos ama. Para nós, o pensar, o querer e o agir são três atos diferentes. Em Deus o amar, o querer, o pensar e o agir é a mesma coisa. Se você está aqui é porque Ele quis. Em todo o ato de criação o Senhor age com sua vontade chamando-nos à vida.

No começo da sua vida, pode ser que você nem tenha conhecido a Deus, mas no caminhar você foi se apaixonando por Deus e Deus por você. A água que estava no tornozelo passou para o joelho, do joelho para a cintura, da cintura ela aumentou, e não tem como você caminhar pelos seus pés, a não ser se abandonando em Deus.

Caminhando com água na cintura você se cansa, mas quando aumenta a água, seu pé sai do chão, e você não tem como andar a não ser nadar e boiar nos braços de Deus. Esse é caminho da santidade. Eu vim de Deus e vou para Deus, e cada vez mais quem manda na minha vida é Deus e o Evangelho.

Agora vem a parte mais difícil. Quando você começa a caminhar, aparece o desamor, começa a surgir o sofrimento normal da pessoa humana. Eu começo a ter fracassos e digo que isso paralisa minha vida, e o que acontece é que, em vez de caminhar para essas águas profundas eu venho e congelo o rio por falta de perdão, por culpa, porque eu acho que sou um sofredor e que justifica eu ficar paralisado. Congela o rio porque não conheço a misericórdia de Deus e passo a ser infeliz.

Eu começo a andar na minha vida cristã e de repente vem o sofrimento, eu não me perdoo, começo a sentir-me traumatizada. Eu acho que minha vida está congelada, eu não consigo me mexer, e eu mesma congelei o rio enquanto a graça de Deus está me esperando, mas eu me paralisei. Meu esposo morreu, fiquei doente, sem emprego… e não consigo me mexer, e considero-me uma pobre coitada. E sempre que olho minha situação preciso de ombro para chorar. É isso que Deus quer? Não!

A pessoa acha que seu sofrimento, suas dores, e o ombro que ela precisa faz dela uma coitadinha. Acha que seu passado não tem mais jeito. E como voltar atrás e tirar a rejeição que ela tinha sentido. Então ela começa a murmurar. E sempre precisa de um ombro. Mas um dia ela se encontra com a lança que feriu o coração de Jesus e percebe que essa lança de misericórdia que fez jorrar sangue e água pode descongelar esse rio. Então ela diz: "Jesus eu sei que a água e o sangue que brotaram do Seu coração são capazes de descongelar esse rio, eu cravo-o no gelo". Então o gelo se desfaz e some.

"O amor de Deus não me limita, ele me tira da superficialidade" Emmir Nogueira
Foto: Vânia Oliveira/CN

Meus irmãos, muitas vezes, a gente não sai dessa água no calcanhar porque achamos que nosso passado nos prende. Santo Agostinho diz que o passado não tem o poder de nos paralisar, pelo contrário, se eu olho meu passado na luz da misericórdia, no lado aberto de Jesus, ao invés de me paralisar, ele vai me empurrar para frente, vai me ajudar, vai me fazer uma mulher madura, um homem maduro. Não serei um imaturo dizendo que todo mundo é responsável pela minha dor. O meu passado não me paralisa, mas dá sentido a minha vida e me leva para as águas mais profundas.

Nem as tribulações, nem a dor, nem a espada, nada pode me separar do amor de Deus. O amor de Deus não me limita, ele me tira da superficialidade e me leva para santidade.

Pensa no teu passado. O que te congela? Separação, enfermidade, acidente… O que te paralisa? Se Jesus te fez livre nada tem o poder de te separar de Cristo. Portanto, pegue a lança e crave-a no seu passado.

Eu sei que você e eu temos muitas coisas congeladas, mas peçamos a Deus que nos dê os "óculos" de Santa Terezinha, para que possamos ver o nosso passado como uma oportunidade maravilhosa de confiar na graça de Deus; e fazer com que o nosso passado nos empurre para frente e para cima, para que possamos entrar no rio que é o Senhor.

Não quero ficar com água na cintura, mas eu quero ser levada pelo Teu rio, Senhor. E quero olhar para meu passado e dizer para ele: Ou santos ou nada! Meu passado, por causa de você eu posso encontrar com a graça de Deus. Meu passado agora me leva para Deus.


Transcrição e adaptação: Willieny Isaias



Emmir Nogueira


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