O amor e a busca da verdade

Gabriel Chalita participou do Kairós, na Canção Nova, lançando seu novo CD: \”Gabriel Chalita canta o amor\”.

Na manhã deste domingo, ele pregou para milhares de pessoas presentes no Centro de Evangelização Dom João Hipólito de Morais, na sede da Comunidade, em Cachoeira Paulista/SP.

Leia história que ilustrou esta palestra:

.: Assista ou ouça trecho desta palestra

Era uma vez, um pássaro encantado. Ele era diferente de todos os outros pássaros, não tinha penas, mas plumas. Sua plumagem mudava de cor em cada lugar por onde passava.

Ele era um pássaro que gostava muito de viajar, e viajou por muitos lugares. E voltava sempre para contar as histórias para sua amiga, que era apaixonada por ele. Uma vez, ele foi para uma terra vermelha, e contou para ela histórias da terra do vermelho. Outra vez, ele foi para uma terra alaranjada, sua plumagem ficou desta cor e voltou contando histórias da terra da cor laranja.

Uma vez, a amiga disse-lhe: \”Meu pássaro, eu te amo tanto, você me ama também. Por que você não pára de viajar? Por que não fica sempre perto de mim? Contando-me histórias, fazendo companhia um para o outro. Pára de viajar, meu pássaro!

Então ele disse-lhe: \”Da mesma forma que a flor precisa da água para viver, eu preciso da saudade para sentir que a amo. Quanto mais eu viajo, maior é o meu amor por você, mais eu sinto este grande amor por você\”.

E assim, o pássaro foi para outro lugar e sua amiga ficou chorando de saudades dele. Até que ela teve uma idéia: ele nunca mais vai voar, nunca mais vai viajar, vai ficar sempre perto de mim, vai ser um amor lindo – só nós dois.

Mas aquela menina o amava, por isso não poderia prendê-lo em qualquer gaiola. Então, comprou-lhe uma gaiola de ouro para prendê-lo. Ele estava voltando de uma viagem para uma terra azul, tinha vindo aqui na Canção Nova e voltou iluminado, com um frescor de liberdade imenso, cheio de vontade de contar histórias desta terra linda da esperança.

Quando ele chega, a menina finge que está dormindo. O pássaro deita ao lado dela e adormece, então ela o prende na gaiola.

Ele perguntou-lhe, assim que acordou: \”Por que você fez isso comigo? Agora nunca mais vou voar, nem sentir saudades, nem sentir que a amo. Acabou o encanto. Agora sou um prisioneiro seu, não sou mais o seu amor, pois amor não é escravidão\”.

A menina pensou: \”Vou cuidar tão bem dele que amanhã ele mudará de idéia\”.

Daí ela fez de tudo para que ele ficasse feliz, mas não adiantou. Ele foi definhando, sua plumagem foi caindo e um dia ela acordou e o viu caído na gaiola. Ela o pega, desesperada, achando que estava morto, começa a chorar e pedir desculpas e lhe diz: \”Você não pode morrer, lembra da sua essência! Você é um pássaro encantado!\”


Então, o pássaro volta a voar, olha para ela e diz: \”Quando você estiver triste, com saudades de mim, lembra que em algum lugar do mundo existe um pássaro encantado pensando em você. E que um dia ele vai voltar para lhe contar as histórias\”.

Ele voltou a voar para outros lugares. Um dia, ele voltou e disse a sua amiga: \”Estou muito triste, porque estou velho e por isso não tenho mais vontade de voar, nem de cantar, nem de mudar de cor… não tenho vontade de fazer mais nada. Eu ganhei um espelho e agora eu fico o dia inteiro olhando para ele e vendo as minhas rugas. Não quero fazer mais nada, só quero ficar chorando a minha velhice\”.

Então ela lhe disse: \”Mas não é possível! Você é um pássaro encantado! Você tem de continuar voando e sonhando!\”

A menina queria fazer de tudo para ajudá-lo, então um dia ela resolveu perguntar a um sábio o que ela deveria fazer. O sábio lhe respondeu: \”Toda menina tem um pouco de asa, por isso pode voar. O seu pássaro voou tantas vezes para lhe trazer coisas bonitas. Agora voe até a \”casa dos poetas\” e lhes peça um pouco de poesia para que o seu pássaro volte a fazer duas coisas importantes: sonhar e amar\”.

Ela foi até esta casa, e um deles lhe disse: \”Eu não posso fazer nada, a minha poesia é muito pequena perto da necessidade do seu pássaro de sonhar e amar.\” O poeta sugere que ela vá até a \”terra dos sábios\”. Ela vai e fica tão encantada com a sabedoria que encontra, mas percebe que isso também não resolveria.

Então, ela vai para a \”terra dos músicos\” e se fascina com a beleza que a própria música possui, mas não consegue recuperar no pássaro a capacidade de amar e sonhar. Um músico lhe diz: \”Vá à \’casa dos monges\’, pois eles estão mais perto de Deus. Talvez eles tenham uma resposta para lhe dizer\”.

Pois neste lugar, eles fazem uma linda oração e lhe dizem assim: \”Embora Deus seja a plenitude do amor, respeita a liberdade. É liberdade do pássaro sonhar e amar\”.

Neste momento, ela pede muito a Deus que o pássaro deixe de lado o espelho, volte a sonhar e amar. Então sente uma saudade imensa do pássaro.

E o pássaro também sente dela, quase que por um milagre, saudades da sua amiga, lembra que a ama. Deixa o espelho de lado e começa sonhar em reencontrá-la.

O pássaro encantado perdeu o encantamento quando ficou olhando para o espelho. A metáfora do espelho significa que quando olhamos para nós mesmos, preocupados e fechados em nós mesmos, somos incapazes de amar e sonhar. Quem abraça a si mesmo, não abraça ninguém. Não sente o significado do maior mandamento de Deus: \”Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo\”.

Todos nós temos \”vocação de pássaro\” e a vocação dessa menina. Quantas pessoas nós podemos ajudar a voltar a sonhar e a amar, pois se tornaram trancadas em si mesmas. Ninguém é feliz sozinho. Deus, na sua genialidade de Criador, criou o homem e a mulher precisando um do outro para sobreviver.

Quanta gente só olha para sua vida, para seus \’probleminhas\’, suas dores e se considera infeliz por não ser do jeito que gostaria de ser. Temos de olhar para o outro, ter ternura pelo outro, evangelizar o outro; quando vivo assim estou cumprindo este mandamento maior de Deus.

Transcrição: Tatiana Gomes
Fotos: Anderson Nunes

Áudio: Claudenilson José
Vídeo: Graça Maria


Gabriel Chalita


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