O que a RCC tem não pertence a ela

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Meus irmãos e minhas irmãs, Moisés, certa vez, recebeu uma reclamação de que algumas pessoas estavam profetizando e parecia que estavam fora das ordens estabelecidas. Ele disse: \”quem dera que o meu povo profetizasse…\”.

O profeta Joel profetizou que todo o povo iria profetizar. E os jovens e tanta gente começa a fazê-lo.

Hoje, nós vemos Amós, homem da roça, profetizando. Ele recebeu a missão de profetizar.
O que é o profeta? É aquele que coloca a sua boca, o seu ser à disposição de Deus, e deixa que Ele fale através dele. Ele não é um adivinho, mas sim, aquele que lança luz sobre os acontecimentos.

Meus irmãos, no dia em que vocês foram batizados, o óleo do crisma foi passado em sua testa, e você se tornou participante do ministério de Cristo.

Você é chamado para essa missão profética, a falar as palavras que são de Deus. Você é chamado por Deus para pastorear. Eu vejo quantas pessoas são chamadas para pregar, conduzir, formar outras pessoas… Nós estamos aqui fazendo isso e somos chamados a fazer esse profetismo, neste congresso, de hoje até domingo, para sermos fermento no coração da Igreja.


Vocês trazem em si uma responsabilidade. Que você esteja aqui para ir ao outro. O congresso acontece quando nos colocamos em prontidão. Nós somos chamados a acolher todo o ensino que o Espírito Santo tem para nós.

Aqui nós aprendemos, para que depois possamos levar aos outros e espalhar aquilo que João Paulo II falou diretamente para a RCC: que ela cresça, que os dons frutifiquem, que ela possa servir à Igreja.

Hoje vemos no Evangelho, que aquelas pessoas ficaram confundidas, pois não sabiam que homem era aquele, mas nós sabemos que precisamos estar à disposição do Senhor, para que Ele nos cure. O Concílio Vaticano II reconhece esses dons na Igreja.

Amós cuidava de suas coisas, de suas terras, e o Senhor foi lá onde ele estava. Fala à pessoa mais simples: \”Eu te acolho\”. É das pessoas mais simples que vão acontecer os maiores louvores.

O Senhor vai mostrar as obras mais bonitas em cada pessoa que participa deste congresso. Não é por acaso que você está aqui. É um tempo forte de retiro, de formação. Vamos pedir a João Paulo II a \”medida alta\” da santidade, não uma santidade vivida isoladamente, mas uma santidade vivida com o povo.

Deus me retirou como Amós. Eu estava quietinho e fui chamado a ser bispo – sem dúvida, uma mudança radical. Não foi uma escolha minha, mas precisei dar uma resposta e esse testemunho a vocês. Sabemos que o dons de Deus são irrevogavéis. O bispo é chamado a reunir o povo e fazer com que a Igreja aconteça.

São 15 anos que estou servindo como bispo e o Senhor tem me dado essa graça, esses dons, e me pergunto para quê? Para meu bem?
Nada do que eu sou é para mim! Tudo é para os outros: os dons, as graças, os carismas.

Não é para nós nos sentirmos maiores que os outros. O que a RCC tem não pertence a ela, não é feito para que ela se coloque como melhor que os outros, mas para mostrar que, cada vez mais, precisamos de Deus e assim tenhamos consciência de que tudo que este movimento eclesial descobriu é para o serviço da Igreja.

As graças são para esse povo imenso.Ofereça ao Senhor todo o seu coração. Acolha, deixe-se escutar o que Deus para você já no início desse congresso.

Transcrição: Manoela Almeida
Fotos: Anderson Nunes


Dom Alberto Taveira Corrêa


Arcebispo de Belém – PA

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