O temor a Deus é o começo de seu amor

Dr. Roque Savioli
Foto: Wesley/CN

Nunca tinha ouvido falar de uma coisa que não tinha nome, uma dor sem nome. Essas palavras da poesia do diácono Nelsinho refletem sobre essa dor sem nome: a dor da perda de um filho.

O sofrimento faz parte da nossa vida. Não podemos fugir disso, mas também não significa que devemos ficar procurando o sofrimento. Quantas e quantas vezes nós ficamos atrás de falsos deuses. E esses deuses de barro não seguram nossa mão.

A dor sem nome é quando perdemos um filho, um amigo e uma pessoa querida. Quando ouvi a música do diácono Nelsinho me senti impulsionado a escrever algumas informações para ajudar as pessoas a viver a dor do luto.

O luto é uma situação pela qual todos esperamos passar, esperar aqui não quer dizer que o almejamos, mas é um processo natural, vamos passar por ele. Ele pode ser enfrentado de forma normal e adaptada ou de forma inadaptada, que é quando surgem as depressões.

Os animais também vivem depressão, é comum existir o luto, o qual precisamos enfrentar de forma normal. O que é errado é querer minimizar o luto. A pessoa tem que sentir o luto, tem que chorar, se descabelar, e assim por diante. Como nos ensina a Palavra de Deus:

“Meu filho, derrame lágrimas pelo morto, e faça luto como alguém que sofre profundamente. Depois enterre o cadáver segundo o costume, e não deixe de honrar o túmulo dele. Chore amargamente, bata no peito e observe o luto proporcional à dignidade do morto, durante um ou dois dias, para evitar os comentários do povo; e depois console-se de sua tristeza. Porque a tristeza leva para a morte, e qualquer aflição do coração consome as forças. Na desgraça a tristeza permanece, e uma vida triste é insuportável. Não entregue seu coração à tristeza, mas afaste-a, pensando no fim que você terá. Não se esqueça: da morte não há retorno. Sua tristeza em nada servirá ao morto, e você acabará se prejudicando. Lembre-se: a sorte dele será também a sua. Eu ontem, e você hoje. Quando o morto repousa, pare de pensar nele. Console-se, porque o espírito dele já partiu” (Eclesiástico 38,16-23). 

Existem pessoas que se esforçam para não demonstrar a dor do luto; isso é uma tremenda bobagem! O choro é uma manifestação importantíssima, com ele a pessoa está clamando por carinho e por amor. É comum ficar triste ou ter raiva da pessoa que morreu. A pessoa enlutada fica, muitas vezes, com raiva de si mesma por achar que não fez nada para que o outro não morresse. Contudo, muitas vezes isso acontece porque ele não se cuidou, não emagreceu, não fez atividade física.

É comum ver mulheres dependentes dos maridos entrarem em depressão quando estes morrem, porque dependiam deles. Temos que estar preparados para a morte, porque um dia isso vai acontecer, precisamos saber que temos um fim.

Não resolve perguntar: “Por que morreu?”. "Por que" é pergunta do "encardido" [diabo], precisamos perguntar o "para quê".

Muito comum também é o sentimento de culpa, a autocensura e o remorso no luto. A pessoa fica pensando: “Se eu o tivesse levado ao médico”; “Se eu não o tivesse deixado ir”. Também não podemos culpar a Deus pela morte de ninguém. Deus não pisa no acelerador do carro de ninguém, nem puxa o gatilho do revólver! Deus não faz isso!

"Deus não é o culpado dos nossos sofrimentos!", destaca Dr. Roque
Foto: Wesley/CN

No luto é natural haver a ansiedade, a pessoa sua frio, tem palpitação. Uma dica é retirar de casa todas as coisas do falecido, fechar a porta do quarto. Ficar cheirando a roupa da pessoa não resolve, isso é um luto complicado. Solidão e sensação de desamparo sempre vêm no momento do luto, por isso é importante a presença da família.

Já o luto crônico é um caso patológico, no qual a pessoa passa a vida de preto, enlutada, e não faz mais nada da vida. Alguns tipos de depressão ocorrem por causa desse tipo de luto complicado.

Um ponto muito importante da depressão também são as alucinações. Um familiar morre, a pessoa se desespera para saber aonde o falecido foi e vai procurar saber isso dos mortos. E nessa busca desesperada alguns entram no espiritismo, nós que somos cristãos católicos não acreditamos nisso. Nossa religião não precisa de explicações, nós vivemos da fé! De nada resolve ficar procurando a pessoa aqui e ali.

Quero falar das “Marias de Nazaré” que vivem com essa dor sem nome. Um exemplo delas, para nós, é a Dona Nazaré, mãe do saudoso padre Léo, uma mulher de fé, sempre com o terço nas mãos, sem se deixar abater, sem se entristecer.

Você que está passando pela dor da perda de um filho, da mãe, do marido siga esse exemplo, segure nas mãos de Deus. Quando passamos por uma perda precisamos nos agarrar à Palavra de Deus. Deus não é o culpado dos nossos sofrimentos, Ele não quer que nós padeçamos.

Quando as pessoas dizem que estão ouvindo alguém que já morreu, na maior parte das vezes estão ouvindo a voz do inconsciente.

Eu não era católico, e me envolvi no espiritismo num período. Gisela, minha esposa, também não tinha religião, nem sabia rezar a Ave-Maria. Certo dia, a Gisela foi a um grupo de oração e voltou diferente. Depois me chamou para ir com ela e eu fui. No outro dia, fui à Santa Missa e lá encontrei-me com Jesus. O Evangelho era a "Parábola dos Talentos", essa passagem bíblica me incomodou, percebi que estava vivendo de modo contrário aos propósitos que tinha dentro de mim mesmo, pois estava enterrando meus talentos. Eu que criticava as pessoas que diziam ouvir Deus as chamando, durante a consagração, naquela Missa, quando a hóstia foi levantada, também ouvi Jesus me chamando: “Venha”. Respondi: “Vou”. Não podia nem comungar, mas me levantei e comunguei de tão forte que era aquela voz que me chamava e mudei de vida.

Transcrição e adaptação: Rogéria Nair


Dr. Roque Savioli


Cardiologista e escritor de vários livros pela Editora Canção Nova

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