O verdadeiro jejum deve exigir de nós uma contrição interior

Padre Alberto Linero
Foto: Maria Andrea/cancaonova.com

Iremos partilhar a partir de três afirmações: No jejum, Jesus nos deixa claro que os discípulos jejuavam de modo diferente no Antigo Testamento, pois o faziam de maneira triste. No entanto, para nós o jejum é uma festa, pois nos aproxima de Deus.

O Papa Francisco nos convida a fazer o jejum pela busca da paz. Uma característica do jejum cristão é quando sentimos a necessidade do alimento, pois precisamos nos alimentar. Jejuamos para ter a consciência de que necessitamos de Deus, pois sem Ele nossa vida não tem sentido. Alguém que tem fome busca comida, pois quer comer. Da mesma forma, devemos querer e buscar a Deus, e esta busca precisa ser intensa. Jejuar nos recorda que nós necessitamos de Deus. Busque o Senhor como o cedro busca as torrentes de água.
 
O segundo sentido do jejum tem a ver com o fato de nos libertarmos das coisas. O homem atual é escravo de muitas coisas como, por exemplo, da tecnologia. O jejum nos remete à liberdade que Cristo nos concedeu. Hoje, é comum estarmos conectados. Muitas vezes, isso se torna uma escravidão. Não! Sejamos livres, pois a sociedade do consumo quer que compramos os modelos cada vez mais novos referente à tecnologia, você é livre, pois o Sangue de Cristo o libertou.

O terceiro sentido do jejum é a oração, é preciso estarmos em sintonia com o Senhor. Até Jesus rezou e jejuou buscando a intimidade com o Pai. Irmãos, jejum não é dieta, pois o verdadeiro jejum deve exigir de nós uma contrição interior. Nesses dias de reflexão, precisamos ter claro que o jejum é uma arma para lutarmos contra o mal, pois ele quer nos escravizar. Se você se sente livre e com intimidade com Deus, você poderá vencer toda e qualquer tentação. Você jejua? É necessário jejuar, esteja atento a sua saúde e a sua idade, mas se você consegue, você deve jejuar!

Nós sabemos que o Messias está em nós, eis a promessa que se cumpriu! O Papa Francisco disse que a alegria deve ser a característica do discípulo, temos que viver como alguém que vai a algum casamento: vamos alegres, certo? “Vivamos alegres como se todos os dias fossemos a uma festa de casamento” Papa Francisco. Jesus é a alegria da nossa vida, ou seja, se temos Jesus em nossas vidas, sejamos alegres, eis a tarefa deste acampamento: viver a alegria! Me preocupa que às vezes, ficamos tristes, vamos à missa com o semblante triste. Não! Aquele que sabe que noivo está no casamento, ou seja, Jesus está ali presente, deve-se alegrar!

Todos nós temos problemas, mas não fiquemos tristes, porque sabemos que nada pode abalar o poder de Deus, eu creio! Insisto, a alegria caracteriza o discípulo, tenhamos portanto, uma alegria comprometida. Não que não tenhamos problemas, mas que saibamos que Deus poderá solucioná-los. Cristo Jesus está conosco!

"A fé que não nos desafia, nos aliena." Padre Alberto Linero
Foto: Maria Andrea/cancaonova.com

A Palavra de Deus, no evangelho de São Lucas, mostra a parábola do vinho novo com os odres velhos: vivemos em uma sociedade que está deformando a verdade sobre Jesus, cuidado! Jesus é radicalmente novo, sua Palavra surpreende o homem sempre, não permita que deformem esta novidade. Deus Pai é misericórdia e isto nos revela a Jesus, mas muitos se negam a esta novidade. Não se esqueça que Ele é o portador da paz. Nunca tenha medo de Deus, pois Ele te ama.

O Senhor faz festa quando cada um de nós volta para seus braços, por isso não tenhamos medo do mal, pois somos filhos de Deus. Na pessoa de Jesus, existe uma maneira nova de relacionarmos uns como os outros. Até o dia de hoje estamos acostumados a fazer contentas, esquecendo-nos que somos irmãos. Ore por aqueles que lhe fazem mal, pois o ressentimento é uma das piores coisas que existem.

Somos templos do Espírito Santo, portanto cuidemos da nossa dignidade, você é valioso. Existe um realidade que o existe: o Senhor nos ama como somos! Não permita que nada deforme esta realidade.

Não deve-se existir uma fé light, precisamos vivê tal como é! Se ela nos incomoda, é um bom sinal! A fé um desafio, a fé que não nos desafia, nos aliena.

 

Transcrição e adaptação: Luana Oliveira (@LuanaCN)


Padre Alberto Linero


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