Oração, via de santificação

Ricardo Gaiotti
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com
Todo questionamento é bom, pois ele gera em nós a possibilidade de encontrar uma resposta. E assim é em tudo durante nossa vida, desde as decisões mais simples às mais importantes, sempre buscamos referências e nos questionamos.

O questionamento que muitas pessoas vivem hoje é: “Onde está Deus?” As pessoas fazem essas perguntas diante de algumas situações ruins que acontecem e, dificilmente, enxergam a ação de Deus.

E o relativismo que a nossa sociedade vive hoje faz com que determinadas situações sejam comuns. Há algumas décadas, era muito difícil ver homem e mulher vivendo juntos sem o sacramento do matrimônio; não existia luta pela aprovação do aborto ou notícias de alunos agredindo professores.

Mas a ditadura do relativismo, denunciada pelo Papa Bento XVI, tem gerado tudo isso na nossa sociedade. Hoje o senso de certo e errado foi deturpado, as pessoas relacionam suas atitudes com algumas situações para depois determinarem se aquilo é ou não pecado.

Os nossos pecados são uma negativa a Deus, mas, ao mesmo tempo, um desejo indireto pela busca de uma satisfação que só pode ser encontrada no Senhor. E a via que pode nos levar por esse caminho é a oração.

Quando estamos em oração, entramos em comunhão com o Senhor, porque é pela oração que cultivamos a verdadeira amizade com Ele. Assim nos ensina o Papa Bento XVI: “a amizade com Jesus, vivendo n'Ele e com Ele, é a relação filial com o Pai por intermédio da oração fiel e constante”.

Por isso, a oração deve ser algo da nossa natureza, fluindo com naturalidade, assim como a nossa respiração, pois somente com a ajuda dela é que seremos capazes de espantar a tibieza, a mornidão que insiste em atingir o coração do cristão.

Jesus viveu Seu maior momento de intimidade com o Pai quando se retirou para o deserto a fim de orar ao Pai. Só depois de intensificar o relacionamento com Deus é que Cristo inicia a vida pública. E quando os discípulos decidem viver a mesma intimidade de Cristo com o Pai, o Senhor lhes ensina a oração do Pai-Nosso, dizendo que não há oração maior.

"O seu coração é a morada silenciosa de Deus", recorda Ricardo Gaiotti
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Mas não haverá oração concreta se ela não for acompanhada com o silêncio. A prece não pode ser um monólogo, é preciso se abrir e ouvir a resposta do Pai, pois ela deve ser um diálogo, assim como uma conversa entre dois amigos.

O seu coração é a morada silenciosa de Deus, é lá que Ele deseja entrar e, definitivamente, fazer morada eterna. E a Igreja nos apresenta alguns modelos de pessoas que viveram uma vida íntima de oração. Entre eles está Abraão, que caminhou ao lado do Senhor, sabendo ouvir Suas palavras e, mesmo diante dos maiores desafios, foi obediente até o fim, sendo agraciado assim com a Providência Divina.

Toda oração, bem fundamentada, é direcionada pelo Espírito Santo. Só assim seremos capazes de nos abandonar em Deus, deixando que Ele faça Sua vontade em nossa vida.

Uma boa forma de exercitar a oração é com a leitura da Sagrada Escritura. Mas essa leitura não deve ser realizada de qualquer forma, mas com empenho, dedicação e, acima de tudo, contemplação, para compreender a Palavra que foi dada pelo Pai, sabendo assim viver a verdadeira intimidade com Deus.

Portanto, aprendemos que a oração é a resposta do homem à pergunta: “Onde está Deus?” E a resposta é que Ele sempre esteve cravado em nosso coração. Porém, cabe a nós, por intermédio das vias que nos são apresentadas, permitir que Ele habite em nosso interior e nos preencha com Seu amor.

 

Transcrição e adaptação: Gustavo Souza
 

Ricardo Gaiotti


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