Por que precisamos de cura e libertação?

Padre Vagner Baia
Foto: Wesley Almeida/Foto CN
"O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!" (1Tes 5,23).

Quando falamos de espírito, falamos da essência de Deus que há em nossa alma. Nenhuma força maligna pode tocar o nosso espírito, pois todo homem, enquanto estiver vivo, respirando, pode se converter, porque a essência divina está nele. Deus disse que nos fez Sua imagem e semelhança. Ele é santo, Sua essência é a santidade, então temos a imagem de santos, porque Ele nos fez à Sua imagem.

O pecador deste mundo, que procura fazer o homem pecar, é satanás. O demônio nos pega em nossa própria consciência, porque alimentamos a nossa imagem de pecador. Muitas vezes, ouvimos pessoas dizerem que são muito pecadoras, por isso, precisamos aumentar a nossa imagem de santidade. Se você vai à igreja, comunga, mas se considera um pecador, por que o outro que vive em pecado vai mudar? Você acredita que é o demônio quem faz você pecar? Se ele o faz pecar é porque quem manda na sua vida é ele. Você pode até pecar por causa das suas fraquezas e misérias, mas não porque o demônio tem poder sobre a sua vida. Se você tinha dado essa autoridade para ele, retire-a agora, porque seus olhos estão em Deus e Ele quer encontrá-lo irrepreensível. É preciso que tenhamos isso no coração. Muitas vezes, o demônio nos faz “de gato e sapato” porque acreditamos nele, damos crédito a ele.

Precisamos de cura e de libertação porque, ao longo dos anos, fomos dando espaço para o maligno agir na nossa vida no nosso namoro, dos nossos afazeres; fomos dando oportunidade para que o mal se enraizasse em nós. Quando falamos de cura interior, falamos dos machucados que estão dentro de nós, porque não nos sentimos amados pelos nossos pais nem por nossos irmãos ou por nós mesmos. Algumas pessoas procuram de alguma forma destruir a própria vida, porque não se sentem amadas e se alimentam de decepção das coisas do passado, por causa de pessoas que as decepcionaram na infância. A cura interior está relacionada com essa situação. Quantas vezes encontramos pessoas que, com 50 anos, ainda pensam que seus pais não gostam delas.

Quando buscamos culpas e culpados que nos fizeram sofrer, vivemos o ressentimento e bloqueamos a relação com outras pessoas. Veja a carência de uma criança, ela fica doente por falta de afeto. Quantos experimentam doenças emocionais por falta de carinho, falta de amor do pai, da mãe, essa carência se transforma numa doença espiritual.

Dentro do ocultismo, o quebranto significa uma carência afetiva, é um coração que está quebrado. Muitas pessoas dizem que a criança precisa ser "benzida", mas, infelizmente, muitas benzedeiras benzem com ramos. Quando a mãe pede para que alguém benza uma criança, essa pessoa manda que a bênção se repita por três vezes. Isso acontece porque em nosso batismo [da Igreja Católica], somos batizados em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. O mergulhar do ramo na água significa que aquela água torna-se sinal do espírito para aquela pessoa. A partir desse momento, a pessoa que foi “benzida”, sem saber, está consagrada no ocultismo. Muitas vezes, a própria benzedeira não sabe disso, porque o inimigo usa das pessoas. Ao deixar de acreditar em Deus para acreditar em outros poderes, você está acreditando naquele ou naquilo que detém o poder do maligno.

Onde estão os meus olhos está o meu coração. Se alguém disse que fez ou desejou um mal para você, ore por quem o amaldiçoa e peça que esse desejo se transforme em bênção para ele, pois a arma do cristão é a oração. Toda pessoa que pratica o ocultismo sabe que, quando manda um feitiço para alguém e encontra um coração que reza, o feitiço volta, em dobro, para ela.

'Se não aprendemos a gostar de nós mesmos, como vamos amar alguém?'
Foto: Wesley Almeida/ Foto CN

O grande problema da nossa vida é a rejeição. Às vezes, a sentimos por causa de diversos motivos: da casa onde moramos, da cor da pele que temos, da mãe que não foi boa mulher, por causa do irmão que roubou. Nós nos sentimos rejeitados porque nossa mãe gosta mais do nosso irmão. A rejeição alimenta em nós a raiva e a tristeza. Há pessoas que não são felizes no casamento porque transferiram toda rejeição do pai para o marido, para os filhos, para os amigos. O demônio também faz com que nos sintamos inferiores porque não temos dinheiro, porque não temos um bom emprego ou temos dificuldade em estudar.

A inferioridade incapacita a nossa vida, mas a cura está nas oportunidades que Deus nos dá. Felicidade não está nos outros, mas dentro de nós; só a encontramos dentro de nosso coração para que, vivendo-a, a distribuíssemos para os outros. Quando eu me liberto das amarras, mais amigos eu constituo, mais a minha vida social com os vizinhos e com os amigos melhora. Quando experimentamos a felicidade em nós fazemos com que ela aconteça em nosso meio.

O medo aterroriza as pessoas. Criamos medo porque escutamos palavras que nos amedrontavam e nos foram intimidando. Até pessoas que se decepcionaram no namoro têm medo de se abrir para novos relacionamentos. Precisamos sempre começar coisas novas, novos projetos, novas realizações, mas o medo nos paralisa e nos deixa estagnados. Se não aprendemos a gostar de nós mesmos, como vamos amar alguém? Se tivemos uma formação religiosa errada, culpamos a Deus por tudo o que acontece de ruim conosco. O inimigo usa a nossa vida e nossa sabedoria para potencializar a nossa sensação de incapacidade. Isso nos torna pessoas invejosas e nos faz ficar, cada vez mais, com raiva de Deus, porque tudo o que fazemos não dá certo. É preciso que arranquemos a rejeição e a culpa que trazemos dentro de nós.


Transcrição: Michele Mimoso


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Padre Vagner Baia


Sacerdote da Comunidade Canção Nova

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