Que a nossa medida seja a misericórdia

Padre Alir
Foto: Daniel Machado/CN

Se eu e você acolhermos esta Palavra, nunca iremos esquecer este dia 14 de março. Esta Palavra vai nos ajudar em todos os momentos, em nossos relacionamentos com as pessoas.

Aquele menino, que um dia achou melhor viver fora da casa do pai [filho pródigo], longe das ordens e do seu aconchego, ele fez uma escolha: partiu e foi gastando seus bens até ficar sem nada. Apresenta-se a um criador de porcos que o manda cuidar desses animais. Este menino estava com fome, tinha que ficar ali ao lado dos porcos. Podemos imaginar onde aquele rapaz dormia, ficava com fome, sem contar que o deserto é frio e a fome corroía o seu estômago. Este rapaz vivia exatamente nessa situação.

Então qual é a mensagem desta Palavra para nós? Até onde o pecado nos leva! Esta é a realidade do pecado, e por isso quanto mais uma pessoa peca, mais ela é infeliz. O pecado nos conduz à morte. E quando falamos de morte pensamos em lágrimas, tristezas, porque é isso que ele faz conosco. Por isso o pai diz “Este teu irmão estava morto e voltou a viver”

Deus jamais vai castigar o pecador, como diz São Paulo: “O salário do pecado é a morte”. Imediatamente quando acabamos de pecar, percebemos o prazer que ele nos dá, e por isso nos deixamos levar pela sedução, mas mal acabamos de cometer o ato de pecar  imediatamente se foi a "alegria". O pecado traz pouca alegria em vista de toda tristeza que fica depois.

Quando você tem a alegria de ser fiel, é graça de Deus, mas observe o quanto ficamos agressivos quando estamos em pecado, é porque a morte dentro de nós começa a agir.

Não podemos entrar nessa mentalidade que o mundo coloca em nós: “Você me traiu! Eu vou pagar na mesma moeda!”. Quando você poderia dizer: “Agora você está no meio dos porcos e eu preciso agir com misericórdia”.

Uma pergunta: Será que o filho voltou arrependido ou não? Esta Palavra foi dita  aos pecadores ou aos justos? Na verdade, Jesus contou esta parábola aos fariseus e aos mestres da lei. Àqueles que procuravam cumprir a lei, pois os mestres da lei eram os grandes teólogos e interpretadores da Palavra de Deus naquela época. No versículo 7 diz: "Quantos empregados do meu pai tem pão em fartura”. O filho, em momento algum, sentiu compaixão do pai, se este poderia estar sofrendo ou não, o que o ele queria era comida. O filho volta para casa por causa da comida, por isso ele disse "Trata-me como a um dos seus empregados".

Jesus aceitava pecadores e publicanos que não se arrependiam e fazia refeição com eles. Então quando é que eu aceito as pessoas? Só quando se arrependem e caem aos nossos pés? Jesus comia com aqueles que não se arrependiam. E era por isso que os fariseus não entendiam.

Foto: Daniel Machado/CN

Por isso hoje é o dia da alegria. Deus ama a todos o pecadores que se arrependem, mas também aqueles que não se arrependem.
Pense como você receberia este irmão que voltou? Por isso Jesus era acusado de amigo dos pecadores. Por isso, hoje é um dia de alegria, pois não pode haver no mundo alguém que não se alegre com esta Palavra, porque Deus não nos ama menos que a qualquer santo que pisou nesta terra. Esta parábola é contada também a nós que estamos à frente [de alguma pastoral ou movimento eclesial] da nossa Igreja. Como tratamos aquela jovem que engravidou fora do casamento? Quantos afastam as pessoas que pecaram da Igreja; somos contra o aborto, mas não acolhemos, por exemplo, uma jovem que aceitou a vida que está dentro dela. Deus não aceita o pecado, mas acolhe a cada pecador.

Outros dizem "Vou ser católico porque lá posso fumar, posso beber". A Igreja, meus irmãos, não fecha as portas para ninguém e nós precisamos rezar por aqueles que não querem saber da Igreja e abandonaram a sua fé. Esta é a verdade que precisamos ter! Aquele que se afasta dos sacramentos, está perdendo o melhor da vida, porque aquele que peca se torna escravo do pecado. Ser escravo não é fácil, é ter o pecado como patrão, e como salário a própria morte.

Não vamos invejar aquele que está no pecado. Às vezes, a pessoa passou a vida inteira no pecado e agora ela chega diante de Deus e reconhece o seu pecado e o Senhor a perdoa.

Que a nossa medida seja a misericórdia. O que vamos levar deste mundo quando morrermos será a medida com que medimos os outros. Se agimos com misericórdia é preciso dizer: "Eu não te condeno", assim como Jesus disse àquela mulher pecadora.

Por isso a segunda leitura diz algo maravilhoso para nós hoje; “Se alguém está em Cristo é uma nova criatura.” Deixe-se reconciliar com Deus. É Deus quem toma a iniciativa, e Ele é o seu melhor aliado na luta contra o pecado

Cristo tomou sobre si os nossos pecados, as nossas doenças, Ele é o "aspirador" de pecados e das enfermidades, Jesus quer tirar de nós tudo o que é ruim. Por isso Ele ficou tão feio na cruz, porque Deus o fez pecado, para que gratuitamente fôssemos salvos. A justiça de Deus é nos ajustar à Sua vontade! Por isso deixe o Senhor curar você!

Deus quer nos curar, nos libertar e nos lavar, Ele quer fazer justiça com os pecadores, para que voltemos a ser como Ele nos fez quando nos criou.

Transcrição e adaptação: Célia Grego


Padre Alir Sanagiotto, scj


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