Reveste-me, Senhor, com o teu amor

Dom Irineu Danelon
Foto: Vânia Regina/CN

Hoje parece que as leituras foram feitas para nós da Pastoral da Sobriedade, pois realmente o que nós fazemos é transformar as armas em ferramentas, para ajudar, levantar, animar a outros. Os fracos fazem guerra; os fortes compreendem uns aos outros, e nós precisamos transformar a fera que existe dentro de nós. Quando você usa drogas se torna uma pessoa feroz e uma pessoa perigosa, porque nós somos os únicos animais que podemos usar da inteligência para fazer o mal.

Jesus veio fazer a revolução da fraternidade e o Tempo do Advento é esse tempo de fraternidade, mas a arma mais perigosa é a língua, que é mais perigosa que uma metralhadora. O tempo do Advento, diz a Segunda leitura (cf. Romanos 13,11-14a), é o tempo de se revestir de Cristo.
É preciso se revestir de Cristo por inteiro, dos pés à cabeça, do último fio de cabelo ao dedão do pé. Deixar Cristo revestir o nosso ouvido, para ouvir a Voz de Deus; que Cristo revista os nossos olhos, pois quem não tem amor não enxerga, e se nossa língua for ungida, for revestida por Jesus a serviço do amor, nossa palavra será capaz de animar, motivar, consolar, levantar a todos e não mais dividir; e por fim, se o nosso coração for o lugar onde o amor reside, seremos como uma fornalha, que arde de compaixão.

Peça ao Senhor também que suas mãos sejam ungidas, para abençoar, para levantar, para ajudar o outro. Peça que o amor de Jesus transforme as suas mãos, pois se você trabalha sem amor de nada adianta. O amor precisa entrar até no seu bolso, para que você possa ser solidário, partilhar, e lembrar-se das palavras que falamos pela manhã: sobriedade e solidariedade.

O Natal só acontece com pessoas novas, quando você se torna novo, revestido pelo mesmo Espírito Santo que revestiu Jesus. Quando o seu Natal acontece? Quando você pode dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20).

Sejamos sóbrios. O Natal não é tempo de bebedeiras, de drogas, mas tempo de nos revestir do Cristo, pois não sabemos quando vamos prestar contas da nossa vida ao Senhor.

"O tempo do Advento é tempo de fraternidade"
Foto: Vânia Regina/CN
 
 

Quero terminar contando uma pequena parábola:
Um homem foi preso e, na cadeia, durante uma noite, ele sonhou com Jesus. No sonho o Senhor aparecia para ele, pois havia chegado sua hora de prestar contas da sua vida. Este homem ficou preocupado, pois não havia nem mesmo se livrado do tribunal dos homens. Então no sonho, Jesus diante deste homem, lhe perguntou: "Você me ama?". O homem pensou um pouco e respondeu que "sim"; nesse momento, Cristo o questionou novamente dizendo: "Então prova! Quantos você amou?" O homem começou a pensar e não encontrava ninguém que ele pudesse afirmar verdadeiramente que havia amado, então se viu sem resposta diante do Senhor. Nesse momento o homem acordou e se viu mais uma vez na cela, junto com outros presos e percebeu que aquele sonho era um aviso. Deste dia em diante, o homem fez a opção de começar amar a por ali, começando com seus companheiros cela, a partir daquele dia, tudo era partilhado: o alimento, a limpeza da cela e tudo o mais.

A Pastoral da Sobriedade nasceu de uma inspiração, esta inspiração vem do Amor Maior, que é o que precisamos viver neste Advento, pois Jesus vai nos perguntar se amamos os nossos, aqueles que precisam da nossa ajuda, que precisam do nosso apoio. O amor é o que importa, é o que devemos viver. 

Transcrição e adaptação: Carlos Eduardo

 


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