Sejamos misericórdia para o mundo

Padre Fábio de Melo
Foto: Natalino Ueda/cancaonova.com

Jesus foi especialista em nos ensinar que não tem sentido a vida sem reverenciar a sacralidade dos irmãos que estão ao nosso lado. Não podemos nos esquecer de que devemos, aqui na Terra, viver como se já fosse o céu, ou seja, viver para a eternidade.

Com o tempo, vamos aprendendo a lidar com os nossos limites, e quando os reconhecemos, nos tornamos capazes de receber a misericórdia no outro. Os arrogantes não querem isso! Você, por exemplo, é capaz de olhar para o outro e dizer das suas misérias? É preciso ter uma boa caminhada de fé, coragem para andar nessa direção e assumir sua própria fragilidade.

A liturgia de hoje fala de ressurreição e misericórdia. Somos chamados a viver assim: como o Mestre, com disposição para vasculhar o nosso coração e expulsar dele aquilo que não se parece com Jesus. Assim, perceberemos que é preciso conversão.

A nossa fé precisa ser traduzida na vida. Se acreditarmos no Ressuscitado, precisaremos ser parecidos com Ele. Se você for arrogante, peça ao Senhor que retire isso de você. Podemos, por vezes, obedecer a algumas leis por um tempo, mas se não nos adentrarmos nelas, não as viveremos quando ninguém estiver nos olhando. Assim fez Jesus: viveu, aqui na Terra, como nós, para nos mostrar que é possível viver a lei da misericórdia. Nós devemos levá-la ao mundo. 

Depois que nos tornamos livres é que sabemos da importância de obedecer a Deus. Obedecer-Lhe significa ouvir d'Ele aquilo que Ele quer de nós. 

Pobre é aquele que fica se lamentando daquilo que Deus fez n'Ele. Irmãos, aquilo que o Senhor fez em nós só está começando. Hoje, logo que entrei aqui, um único pensamento me ocorreu: nós ainda não conseguimos destruir o inferno, mas, neste dia, com certeza, uma trinca na parede dele nós fizemos. Não se acostume com os seus defeitos, porque eles permitem quem o diabo se aloje neles e semeie o inferno por seu intermédio.

"Sejamos o rosto de Cristo para o mundo", exortou o padre.
Foto: Natalino Ueda/cancaonova.com

Se nós não nos vigiarmos, poderemos semear o inferno por meio de nossos gestos, seja pelo nosso olhar seja por nossas fofocas ou atitudes. Olhe Deus nos olhos! Permita que a misericórdia do Senhor o alcance, pois precisamos ser os legítimos discípulos do Mestre aqui na Terra.

Quando inauguramos nossa vida cristã? No batismo. Nesse sacramento, deixamos de ser criaturas e nos tornamos filhos de Deus. A partir desse momento, tem início em nós a vivência de Cristo. Ele é a raiz, a fonte que torna possível que nós atualizemos, a partir de cada Santa Missa, a experiência com o Ressuscitado.

O Senhor não se cansa de nós. Nenhum erro retira de nós a qualidade de filhos amados por Deus. Nada que fizermos mudará isso! Amados, não tenhamos medo de dizer que só a misericórdia do Senhor mudará este mundo do mal em que vivemos.

Se vivermos com os atos de misericórdia, mudaremos o mundo, pois a misericórdia é a forma aprimorada da Lei. Onde houver um coração cheio de misericórdia, ali haverá um coração parecido com o de Jesus.

Transcrição e adaptação: Luana Oliveira


Padre Fábio de Melo


Sacerdote da Diocese de Taubaté – SP

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