Ser escravo de Maria

Padre Paulo Ricardo
Foto: Wesley Almeida / Fotos CN

Quando falamos da Virgem Maria, não estamos falando de uma devoção qualquer, mas sim da verdadeira devoção. No latim, "consagrar-se" quer dizer "entregar-se totalmente".

O 'Tratado da Verdadeira Devoção' é fazer da nossa vida uma entrega à Virgem Santíssima por meio de uma escravidão de amor.

Iniciemos com o Senhorio de Jesus: "Jesus é o Senhor e ninguém duvida disso, por isso precisamos escolhê-Lo como Senhor e sermos escravos d'Ele. Mesmo que essa palavra o assuste, saiba que é uma escravidão de amor. Devemos nos colocar diante de Deus como serviço, entender, a partir da parábola do filho pródigo, que era filho e, estando bem em casa, quis ser livre. Sentia-se sufocado e por isso pediu a sua herança; gastou-a de forma devassa e, quando acabou, foi alimentado pela comida dos porcos.

Você se proclama livre para fazer o que quer, mas, agindo dessa forma, age a favor do demônio, sendo escravo dele por meio do pecado. Como fugir da ocasião do pecado? Em Lucas, 15, nesta parábola, percebemos que o filho, ao cair em si e ver que estava errado, quis voltar para casa do pai.

Nossa Senhora, ao dizer 'sim' ao anjo, assumiu-se como escrava dele. Deus, como Nosso Senhor, é dono de tudo. Na parábola, o filho se coloca na posição de escravo e o pai o recebe em seus braços: você se coloca como escravo, termina livre; quando se coloca como livre, se torna escravo.

A palavra "escravo", aqui no Brasil, é a noção de negros que vieram da África e trabalhavam para os seus patrões. Já na época de Jesus, se a pessoa trabalhasse, deveria guarda um dinheiro, pois, em sua velhice, ele não teria ajuda da Previdência como nós temos. Nesse sentido, o fato de você ser apenas empregado, na época de Jesus, deixava-o em uma posição desconfortável quanto ao futuro. Já aquele que se assumia como escravo tinha uma vida mais tranquila na velhice. Não estou justificando, mas estou trabalhando a realidade da diferença da época de Jesus com a de hoje.

Quando dizemos que somos escravos de Jesus, nós O assumimos como Senhor de nossa vida e de tudo o que temos, ou seja, somos propriedades do Senhor. Se essa palavra caí de forma estranha dentro de você, saiba que essa escravidão de amor nos torna livres.

Nosso problema é que não conseguimos nos entregar a Jesus, mas assumimos Maria como Nossa "Senhora". São Luiz Maria, em seu Tratado, mostra-nos que Jesus também era submisso a Maria e que ela era Sua Senhora. Durante 30 anos, Jesus tornou-se submisso a Ela. Deus quis vir ao mundo pelo ventre de Maria e, da mesma forma, ele quer vir no mundo de hoje pelas mãos dela. Deixemo-nos encontrar por ela para que o Senhor também venha a nós.

O reinado de Jesus, no mundo, acontecerá pelas mãos de Maria, ou seja, não é uma devoção qualquer, mas se trata da nossa salvação. Se não houvesse o 'sim' de Maria, nós estaríamos perdidos. Pelo 'sim' dela, a salvação foi gerada em nós.

“Maria é nossa Mãe na hora da graça. Por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de Seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Com isso, ela é 'membro supereminente e absolutamente único da Igreja', sendo até a 'realização exemplar' da Igreja” (CIC 967). No caminho da graça e da santidade, Maria é a Mãe de tudo, é Mãe da nossa salvação. No CIC 969 lemos: “Esta maternidade de Maria, na economia da graça, perdura ininterruptamente a partir do consentimento que ela fielmente prestou na anunciação, que sob a cruz resolutamente manteve até a perpétua consumação de todos os eleitos. Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da  salvação eterna. (…) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora. protetora, medianeira."

A partir do 'sim' de Maria, daí para frente ela é geradora do filho. Não é possível receber o Cristo sem Maria. Jesus é o Redentor que foi gerado no seio de Maria. Ela disse 'sim' desde oanúncio até morte de Cristo na Cruz.

"Na prática, devemos fazer tudo para Jesus por meio de Maria", exorta o padre.
Foto: Wesley Almeida / Fotos CN


Existe, em todo o mundo, mais de um bilhão de católicos atendidos pela mulher para com a qual Deus olhou com humildade: essa é Maria, a elevada acima dos anjos. É importante que a elevemos com nossas orações, pois o tempo em que ela era escrava aqui na terra permaneceu escondida. Maria deve brilhar e brilhar para sempre. Nós não precisamos ter medo, pois Nossa Senhora é um exemplo para nós. O que ela realizou, na terra, foi o que Deus realizou no Céu. Deus gerou o filho no Céu, Maria gerou o filho na Terra.

Maria deve reinar em nossos corações. Existe uma diferença entre o reinar dela com o de Jesus. O reino de Cristo só tem um jeito de acontecer: Ele reinando em nossos corações.

Na prática, devemos fazer tudo para Jesus por meio de Maria. Esse é o caminho da humildade. Jesus é o sol e Maria é a lua. Você entrega seu corpo como escravo de Nossa Senhora. Como sinal de amor, ela o recebe. Exemplo: quando você for ver um filme, pergunte se Nossa Senhora o assistiria. É questão de ter maturidade, pois quantas e quantas coisas nós não faríamos na frente dela!

Muitos de nós sentem-se ofendidos quando, ao cantar a “Consagração” de Nossa Senhora, em uma parte se canta ou se reze: “coisa e propriedade vossa”. Amados, portem-se como escravos diante de Maria, que ela irá te tratar como filho.

 

Transcrição e adaptação: Luana Oliveira

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