Somos Canção Nova para sempre

Não dá para falar da minha história com a Canção Nova sem falar antes da minha história de conversão. Eu não vim para a Igreja pronta, mas passei muito tempo sem comungar ou mesmo rezar. Já contei muitas vezes, até mesmo no PHN, que até já subi em mesa, bêbada, para dançar e outras coisas semelhantes. Mas um dia eu fui em um Grupo de Ooração e disse a Jesus que estava cheia da vida que vinha levando. Disse que eu queria ter fé e viver de um jeito diferente.

Salette Ferreira
Foto: Lucilene Silva
Desde criança eu sabia que eu seria alguma coisa. Eu até achei que era na Educação, e fiz faculdade de Letras. Mas o caminho de Deus comigo não era esse, não era a educação, era a evangelização.

Eu animava Grupo de Oração na minha juventude, tocava meu tecladinho e tudo mais. Até que um dia, em 1986, o Padre Jonas Abib foi à minha cidade dar um retiro, na casa de retiro São Francisco. Eu estava responsável pela música nesse retiro e lembro que o Padre Jonas olhava para mim o tempo todo. Eu ficava pensando o que ele estava vendo em mim. Foi quando no fim do encontro ele me chamou e me disse que eu tinha algo de muito especial e me falou da Comunidade, me chamando para fazer um caminho com a Canção Nova. Como eu já tinha certo dentro de mim que o Senhor me queria para a Evangelização, eu disse que sim.

Em 1987 eu tive os primeiros contatos com a Comunidade, e vinha sempre aqui nas férias. Eu tocava quando podia com o pessoal aqui, com o Eugênio Jorge, que já me conhecia daquele encontro que falei antes. Eu fui conhecendo a Comunidade nessas oportunidades que eu tinha de estar aqui, e fui vendo quem era realmente a Canção Nova. Fui conhecendo suas fragilidades e suas riquezas, e apesar das fragilidades eu vi que a Obra era de Deus e me decidi por ela.

Meu bispo não queria que eu viesse, pois eu era muito ativa na diocese em Salvador. Eu já vivia uma vida ativa de missão antes mesmo de vir morar na Canção Nova. Mas não bastava eu trabalhar para Deus, fazer coisas para Ele,  eu queria dar a minha vida toda. Eu já trabalhava bastante, tocava em retiros, pregava, mas sentia falta de irmãos que vivessem o mesmo que eu, de ter uma vida Eucarística e de oração, 24 horas por dia. Foi quando eu descobri que meu chamado era mesmo viver em comunidade. E a Canção Nova foi mesmo a mão de Deus trabalhando em meu coração, no meu temperamento, etc.
E Deus foi mesmo transformando meu coração, pois eu era muito tímida. Eu ia tocar no Grupo de Oração e procurava logo meu lugar para colocar o teclado e ficar ali escondida. Ninguém precisava saber que era eu quem estava tocando. Mas Deus foi trabalhando em mim, foi a mão de Deus a me moldar. Hoje faz 17 anos que estou aqui, e percebo o bem que me fez morar em comunidade. Não bastava trabalhar para Deus, mas eu tinha que ser irmã dos meus irmãos, tinha que ser entregue. E eu acabei descobrindo que os laços da consagração que criamos são tão fortes, que não dá mais para voltar.

O padre Jonas nos escreve que erros e pecados são uma realidade na qual vamos tocar diariamente, mas o que nos faz diferentes é que queremos viver o Evangelho. Aqui está a nossa diferença, porque nós temos tudo o que as outras pessoas tem. Ficamos irritados, chateados, nos fechamos, etc… mas fazemos todo o esforço do mundo para não pararmos nisso, porque temos que viver para a evangelização, para o Evangelho.

Então eu estou aqui há 17 anos e já sou casada, mãe de 2 filhos, um ainda está aqui na barriga, esperando a hora de vir ao mundo.

E você pode me perguntar como é o meu dia a dia na Comunidade, como consagrada. Eu digo que ele é parecido com o seu. Somos todos como você e nosso dia-a-dia na vida de comunidade é igual ao seu. Não somos nada especiais ou diferentes. A nossa única diferença é nossa opção de vida, de dar 24h do nosso tempo a Deus. Mas no resto nós somos iguais. Eu cozinho, limpo a casa, estava lavando louça agora há pouco, como você faz na sua casa, tenho que brincar com minha filha, etc.

Quando eu vim para a Canção Nova não foi pensando em gravar CD, em cantar, nada disso. Pois a Comunidade nem tinha essas possibilidades ainda. Aliás, no ano em que eu entrei, a rádio nos foi tomada lá onde eu morava. Não tínhamos nada mesmo. Lembro da Isabel Cortês, que era minha companheira. Vivíamos em uma casa muito simples, as pessoas nos davam as coisas para comermos. O açougueiro nos dava uns pedaços de carne, as pessoas pagavam anonimamente os pães e o leite de cada dia para nós podermos tomar café, e assim íamos vivendo. Porque na Canção Nova uma coisa linda que nós aprendemos é isso: Viver da Providência Divina. Com eu já aprendi isso em casa, eu não tive dificuldades de viver esse princípio. E eu já passei por experiências maravilhosas com a Providência, de ficar sem guarda-roupas para guardar as coisas, de não ter o que comer, etc.
Às vezes você nos vê na TV todos bem arrumados e acha que nós ganhamos muito bem, mas não ganhamos nada. Não lucramos com a nossa imagem, com nossos Cd´s, nossos livros. Não se preocupe, e tenha a certeza de que se você nos vê arrumados na TV é porque nós ganhamos tudo. Deus nos dá o necessário! Não pense você que vivemos assim todo o tempo. Nós nos arrumamos para aparecer na TV, porque trabalhamos nos meios de comunicação. E isso se faz necessário. Tenha certeza de que tudo o que nós fazemos é por causa da missão, é porque a missão nos exige que seja assim, para podermos fazer bem aquilo que nos cabe.

Eu posso dizer que a morte da Isabel Cortês foi um dos fatos que solidificou a minha vocação e me faz ter a certeza hoje de que não dá mais para voltar. Foi uma grande dor para a Comunidade, mas também um grande exemplo, pois ela se deu totalmente para a missão, assim como a médica nos disse: 'ela gastou todas as suas energias'.
Tânia e Salette
Foto: Lucilene Silva

Em 1996 o padre Jonas me pediu para vir para Cachoeira Paulista/SP. Aconteceu o que mais eu tinha receio, que era sair da Bahia. O Padre me pediu para vir para cá para iniciar com os meus irmãos a Banda Canção Nova. Éramos eu, o Dunga, a Tânia e outros mais naquela época. Eu e a Tânia (que está aqui para também dar o seu testemunho) moramos juntas, na mesma casa. Me lembro do primeiro show com a banda! Eu não estava acostumada com aquilo. Nós trabalhávamos muito, saíamos muito, para poder cumprir a nossa missão.

Hoje a Tânia é formadora juntamente com o seu marido, dos Discípulos da Comunidade Canção Nova.

Testemunho da Tânia

Lembro que eu ficava me perguntando se realmente valia à pena, se realmente havia o céu, se as coisas eram como as pessoas da Igreja diziam nas pregações. E eu disse a Jesus um dia em oração, na minha casa quando eu estava sozinha, que eu queria fazer uma experiência forte com Ele. Forte a tal ponto de mudar a minha vida, assim como São Francisco tinha feito.
Tânia Sabino
Foto: Lucilene Silva

E foi logo depois que eu comecei a conhecer a Canção Nova, através de uma amiga minha, a Néinha, que me mostrou a Rádio Canção Nova AM. Eu ficava em casa às vezes com medo à noite e a rádio era minha companhia, pois ouvindo a rádio parecia que eu não estava mais sozinha.

Depois eu vim conhecer a Canção Nova em um encontro, que nem foi aqui, mas aconteceu em Lorena. E o padre nos disse naquele dia de Cenáculo para que pensássemos como seria o céu sem os nossos pais, sem a nossa família. Será que aquilo seria realmente o céu? Eu pensei comigo que não, que sem eles não seria tão bom. E o padre continuou nos questionando o que é que nós fazíamos para poder mudar essa situação. 'Vocês falam de Deus em casa?', ele nos perguntava. E naquele momento parecia que meus olhos estavam se abrindo para a realidade, eram como escamas que não me deixavam ver e que estavam caindo. Eu me decidi por Deus naquele momento e disse a Ele que eu iria mudar, que eu ia ser uma pessoa melhor.

Era o ano de 1994, e eu fui participando de muitos encontros aqui na Comunidade. Lembro do encontro 'Orando com Poder' e outros que foram mudando a minha vida. Eu já tinha passado a arrumar a cama na minha casa, tratar melhor os meus familiares, ser mais amável, etc. E as pessoas em casa percebiam a minha mudança e se questionavam sobre o que é que estava acontecendo comigo. Eles pareciam não acreditar. Mas eu sabia que era Deus que estava me transformando.

E foi nesse ano de 94 que o Dunga me convidou para entrar na Banda Canção Nova. Eu tinha 18 anos e entrei porque o padre Jonas queria que a Banda Canção Nova tivesse mulheres também. Eu tinha uma sede de Deus muito grande e quando eu cantava nos shows eu mesmo chorava. As pessoas até diziam que gostavam de me ver cantar porque eu chorava assim como eles que estavam lá nos encontros. Por causa dessa minha sede imensa por Deus, eu queria cada vez mais dar a minha vida a Ele. E foi em 1995 que eu comecei a trabalhar aqui com a Canção Nova, atendendo telefones assim como o Eto me pediu.

Em 1996 foi o ano em que eu entrei no meu Noviciado (hoje chamado de Discipulado), que é um momento de profunda experiência de Comunidade que fazemos no período de um ano de formação. Na época eu era uma pessoa muito marcada na minha afetividade, apesar de não perceber. Eu até estava fazendo discernimento para uma futura consagração no celibato. Eu estava muito fechada e não tinha disposição nenhuma de me abrir ao casamento. Foi quando eu conheci o Rubens (o Rubão, hoje meu marido).

Eu acho bonito na Canção Nova que Deus vai conduzindo as coisas e nos forma de maneira total, completa, em todas as áreas, para nos tornar mais parecidos com seu filho Jesus. Quando eu conheci o Rubens, eu achava que os homens eram todos iguais, que todos não prestavam. E foi sendo amiga do Rubens que ele foi me mostrando que não, que não era assim. Pois ele me ensinou que quando os homens se decidem por Deus, eles se decidem profundamente. Depois foi surgindo um sentimento entre nós e foi tão bonito que a Canção Nova acompanhou tudo! Hoje somos casados há 9 anos e temos um filho chamado Isaac e outro chamado Miguel, de 1 ano e 9 meses. E posso testemunhar aqui para vocês que sou extremamente feliz e realizada na minha vida. Até me emociono quando falo disso, porque se eu não tivesse me aberto, se eu não tivesse saído dos meus medos na época, eu não estaria experimentando essa realização que sinto hoje.

Quantas vezes você não abre o seu coração a Deus por causa dos seus medos? Posso até dizer para vocês hoje que Deus quer também realizar essa cura, essa libertação no coração de vocês através do meu testemunho e do testemunho da Salette. Tenha a certeza de que Deus pode mudar tudo em sua vida se você não ficar parado nos seus medos.

Transcrição: Elcka Torres


Salette e Tânia


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