Unidos por causa da missão

Gilberto: No ideal de viver a castidade, a busca da santidade se tornava uma realidade na minha vida. Comecei a descobrir em mim o querer me doar mais. Foi quando ingressei na Comunidade Canção Nova e fui para Portugal. Lá, na missão, no mesmo trabalho, a Nilza e eu conflitávamos em nossas idéias. Mas eu dizia para o meu formador que eu sentia algo diferente por ela, só não sabia se era raiva ou se era amor.

Nilza: Não podemos viver nossos conflitos sozinhos; por isso, procure um sacerdote, vá diante do Santíssimo Sacramento, pois as maiores respostas vêm da adoração a Ele. Procure um diretor espiritual, uma pessoa madura para o aconselhar. Precisamos investir na cura da nossa afetividade. Eu não vivia uma paixão pelo Gilberto, vivia uma amizade com ele.

'Precisamos investir na cura da nossa afetividade'
Foto: Wesley Almeida

Gilberto: Ela vivia sua vida normal, mas eu já estava interessado nela. Abri-me para meu formador e solicitei o meu caminho de namoro, ou seja, um tempo em que se descobre a pessoa e as riquezas dela.

Nilza: Nós sofremos porque não tínhamos tempo para namorar, para sair juntos, morando juntos, na mesma missão. E sentia falta dele. Quando eu vim para a Canção Nova, não vim para namorar e casar, mas conheci o Gilberto em Portugal e falei com meu formador. Ele disse que eu precisava escrever para o conselho da comunidade. Fiquei com medo de dar o passo para o namoro porque eu tinha sido ferida na minha afetividade, mas a nossa responsável disse que já podíamos solicitar a permissão para namorar. Chegou o resultado, e eu fiquei sabendo que era namoro, mas até então ele era só amigo, e, de repente, éramos namorados. Como eu ia pegar na mão do meu amigo?
Pensava. O Gilberto é muito brincalhão e queria pegar na minha mão.

Gilberto: Fomos até a capelinha, demos as mãos e fomos caminhando para a basílica. De repente, surgem à nossa frente sócios que nos conheciam; eles estranharam. Então, contamos que estávamos namorando e eles celebraram conosco. Comecei a descobrir na Nilza outra pessoa. Eu pensava: "O que esse namoro pode transformar em mim para eu ser um homem de Deus?" Fomos caminhando na entrega, na missão, no namoro. Fazíamos do pouco tempo que tínhamos um grande momento, vivíamos intensamente todos os momentos. Não nos preocupávamos em estar juntos, porque a missão nos proporcionava essa oportunidade. Fui descobrindo nela uma nova pessoa, que ela seria aquela mulher que  me levaria para Deus, para a missão. Tinha consciência de que era o momento de ver o que cada um precisava trabalhar no outro.

O que nos sustentou foi a vida de oração. Casal que não reza, tudo vira uma tempestade. Quando chegava o final de semana e íamos cada um para uma missão, quando voltávamos íamos para a capela e entregávamos tudo para Deus.

Precisamos viver essa vida de transparência. Não é porque somos da Canção Nova que não somos tentados. As pessoas querem ver Jesus em nós.

No namoro, você está descobrindo a pessoa; não é o casamento, mas um tempo de conhecimento, de preparar um alicerce para uma família que vira e que também vai construir uma sociedade melhor. Você precisa construir o seu namoro dentro da partilha. Nós nos construímos buscando o que há de melhor em nós. O relacionamento se dá na reconciliação. Quantas vezes tenho que pedir perdão ao Gilberto. Quantas vezes, cansada, tenho que fazer jantar para o meu marido, tenho que morrer – assim como Jesus fez por nós. Precisamos nos dar a cada dia, dialogar, ver o que o outro precisa de nós.

Gilberto: Aos poucos eu via a mulher que o próprio Deus ia colocando na minha vida. Tudo o que sonhávamos nós partilhávamos. A Nilza era livre comigo. A cada descoberta, nós tínhamos de ser criativos e a cada dia eu descobria a minha pérola.

'No namoro, você está descobrindo a pessoa'
Foto: Wesley Almeida

Fui descobrindo, com o tempo, que estava indo para o matrimônio não para ser amado, mas para dar amor, para ser amor. É isso que deve ocupar todo o nosso coração. É isso o que o Senhor nos pede a cada dia. O Senhor nos deu a graça de nos casarmos lá em Fátima, Portugal. Tudo é providência, mas não é por acaso. Cada vez que eu me entrego na missão, Deus é mais providente.

Peço ao Senhor que derrame a Sua graça em nós e renove o nosso amor a Ele. O Espírito Santo é o amor do Pai e o amor do Filho.

Transcrição: Michelle Mimoso


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