Viver as obras de misericórdia

Padre Pacheco
Foto: Daniel Machado/CN

Amados irmãos e irmãs, é com muita alegria no coração que vivemos este Encontro da Misericórdia, porque não poderíamos suportar nos encontrarmos com Jesus, o Justo Juiz. A quinta maneira de viver esta devoção é divulgar a misericórdia, porque o que você vive com a vida, fala mais alto do que o que você fala com os lábios. Viver as obras de misericórdia de forma corporal e espiritual, é a maneira mais eficaz de se viver e divulgar esta devoção.

"Pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e fostes visitar-me’.Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede, e te demos de beber? Quando foi que te vimos como forasteiro, e te recebemos em casa, sem roupa, e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar? ’ Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!”

Viver obras de misericórdia, é fazer o que acabamos de ler no Evangelho.

E as obras espirituais? As obras espirituais, uma delas é: orientar as pessoas, e quais conselhos você anda dando aos outros? Estão de acordo com o Evangelho? Se queremos ser discípulos da misericórdia e não perdoamos, tem alguma coisa errada conosco. O amor não é opcional na vida do cristão.

Vida de oração é uma importantíssima obra de misericórdia espiritual, ou seja, jejum, mortificação e penitencia nas pequenas coisas. O que o demônio, por excelência, se encarregou de retirar do meio de nós foi a penitência, foi o jejum, pois quem jejua vai se tornando uma pessoa de têmpera, forte.

Nós sabemos que o verdadeiro joelho que deve se dobrar é o do coração, mas o joelho físico também precisa começar a ser dobrar, pois isso é penitencia. Obras de misericórdia espiritual é: ao invés de apontar, de julgar, de reclamar, é dobrar o joelho no chão. Quanto mais a pessoa é difícil para nós, melhor é para santificar-nos. Difícil é evangelizar dentro de casa, pois do portão para fora, para quem não nos conhece, é fácil; mas para os nossos, para quem nos conhece, e que nós conhecemos, aí sim é um desafio, aí sim é amor. Porque amor só é amor quando começa a doer na carne.

Uma vezes na Comunidade Bethania, um irmão chegou em nossa casa depois de andar muitos quilômetros de uma cidade até Curitiba, chegando lá ele estava com as solas dos pés podres e nós precisamos arrancar as solas de seus pés, e nesta situação eu senti o odor de Cristo, o odor do Rei da Misericórdia.

"Amor é acolher o pior do outro"
Foto: Daniel Machado/CN

Se na tua casa ainda não aconteceu libertação na vida de quem está enfermo, é porque falta amor da tua parte, pois amor é acolher o pior do outro. A cura que nós tanto buscamos – seja da doença física, psíquica, espiritual ou financeira – vai acontecer em uma via de mão dupla, pois Deus já faz a parte d'Ele, você agora precisa fazer a sua. A sua parte é intimidade com o Senhor, olhar para Ele, fazer penitencia, mortificação por aqueles que você ama, pois Deus não vai fazer a sua parte, porque ama, e quem ama deixa livre. Deus te deu liberdade para escolher.

A cura muitas vezes não acontece porque muitas vezes queremos a cura de Deus e não o Deus que cura. Não queremos intimidade, é puro interesse, porque nós amamos em Deus, e não amamos Deus em nós. Quem ama sofre, porque não existe amor sem sair de si mesmo.


Padre Marcos Pacheco


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