Casados para a Santidade

Alexandre Oliveira

Alexandre Oliveira
Foto: Bruno Marques/cancaonova.com

No ano de 2006 tive a oportunidade de estar na Terra Santa em peregrinação com o monsenhor Jonas e, durante a peregrinação, tivemos uma Missa na Igreja do Gale Canto. Entre os vários peregrinos havia um homem que estava de joelhos, chorando muito, ele trazia consigo uma foto da sua família, e dizia: “A minha família está aqui comigo”.

Aquele gesto marcou-me muito e, hoje, não podendo estar aqui com minha esposa, por conta de um imprevisto, trago-a também aqui comigo por meio de uma foto que estará comigo durante toda essa pregação.

Meditemos, juntos, a Palavra de I Tessalonicenses 4,3-5:

“³ Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo santa e honestamente, 5.sem se deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus.” 

A vontade de Deus para nós é a santidade de forma pessoal e, ainda mais, como casal.

Vejamos o que a Igreja nos ensina sobre o matrimônio:

Parágrafo 1641 – 1643 do catecismo da Igreja Católica:

1641. Os esposos cristãos, «no seu estado de vida e na sua ordem, têm, no povo de Deus, os seus dons próprios» (161). Esta graça própria do sacramento do Matrimônio destina-se a aperfeiçoar o amor dos cônjuges e a fortalecer a sua unidade indissolúvel. Por meio desta graça, «eles auxiliam-se mutuamente para chegarem à santidade pela vida conjugal e pela procriação e educação dos filhos» (162).

1632. Cristo é a fonte desta graça. «Assim como outrora Deus veio ao encontro do seu povo com unia aliança de amor e fidelidade, assim agora o Salvador dos homens e Esposo da Igreja vem ao encontro dos esposos cristãos com o sacramento do Matrimônio» (163). Fica com eles, dá-lhes a coragem de O seguirem tomando sobre si a sua cruz, de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro (164), de serem «submissos um ao outro no temor de Cristo» (Ef 5, 21) e de se amarem com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias do seu amor e da sua vida familiar, Ele dá-lhes, já neste mundo, um antegosto do festim das núpcias do Cordeiro:

«Onde irei buscar forças para descrever, de modo satisfatório, a felicidade do Matrimônio que a Igreja une, que a oblação eucarística confirma e a bênção sela? Os anjos proclamam-no, o Pai celeste ratifica-o […] Que jugo o de dois cristãos, unidos por uma só esperança, um único desejo, uma única disciplina, um mesmo serviço! Ambos filhos do mesmo Pai, servos do mesmo Senhor; nada os separa, nem no espírito nem na carne; pelo contrário, eles são verdadeiramente dois numa só carne. Ora, onde a carne á só uma, também um só é o espírito» (165).

V. Os bens e as exigências do amor conjugal

1643. «O amor conjugal comporta um todo em que entram todas as componentes da pessoa – apelo do corpo e do instinto, força do sentimento e da afetividade, aspiração do espírito e da vontade –; visa uma unidade profundamente pessoal – aquela que, para além da união numa só carne, conduz à formação dum só coração e duma só alma –; exige a indissolubilidade e a fidelidade na doação recíproca definitiva; e abre-se à fecundidade. Trata-se, é claro, das características normais de todo o amor conjugal natural, mas com um significado novo que não só as purifica e consolida, mas as eleva ao ponto de fazer delas a expressão de valores especificamente cristãos» (166).

Com isso contemplamos como se dá o amor dos cônjuges, é um amor sobrenatural, fiel e fecundo.

Na carta aos Efésios 5, São Paulo fala sobre o casal cristão. Nela encontramos a realidade da submissão da esposa para com o esposo. Neste sentido, a palavra submissão significa suporte, e não escravidão.

Como Cristo amou a Igreja, também, o esposo deve amar a sua esposa e por ela se entregar. Esse mistério da relação de Cristo com a Igreja é grande, porém, cada um de vós deve se amar como Cristo e a Igreja se amam.

Na Canção Nova, o monsenhor Jonas nos ensina que a espiritualidade é algo essencial para se crescer dia a dia na vida de casal rumo ao Céu. A todo custo é preciso salvar a espiritualidade e a vida de oração.

Espiritualidade é nada mais do que o nosso relacionamento com Deus. Se o amor que tenho pela minha esposa ou esposo é algo sobrenatural, o amor que temos de viver precisa ter ascese e vida de oração.

Então, pergunto para vocês: “Como está a vida de oração como casal? Tem ido à Santa missa aos domingos? Como está a sua casa na vivencia de oração?

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Quem dera que os casais cristãos desmontassem os barzinhos de dentro de casa e construíssem oratórios para poderem rezar em família todos os dias. Não tem tempo para rezar o terço em família, mas tem tempo para assistir ao futebol, novela, séries etc.

O amor não vive apenas de beijinho e abraço, e sim de oração. O diabo tem feito os homens de guerreiros de sofá, zapeando a TV a todo instante e nada de oração.

Precisamos suscitar homens de oração capazes de conduzir suas famílias para Deus.
Homem, você precisa ser guerreiro em sua casa! Os homens não têm guerreado com as armas do Espírito, e sim zapeando a TV e, com isso, o diabo dá risada.

Deus irá inspirar vocês! Basta perguntar para Ele o que podem fazer juntos.
Vivam o amor sobrenatural!

O Catecismo nos diz que o amor é delicado

São com gestos simples que cultivaremos um no outro o amor.

No Catecismo, nos parágrafos 1653 e 1654, encontraremos, também, a dimensão fecunda do amor:

1653. A fecundidade do amor conjugal estende-se aos frutos da vida moral, espiritual e sobrenatural que os pais transmitem aos filhos pela educação. Os pais são os principais e primeiros educadores dos seus filhos(177).  Neste sentido, a missão fundamental do Matrimônio e da família é estar ao serviço da vida (178).

1654. Os esposos a quem Deus não concedeu a graça de ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente falando. O seu Matrimônio irradia uma fecundidade de caridade, de acolhimento e de sacrifício.

A fecundidade do casal atinge, também, os filhos. A relação entre esposo e esposa, em que um revela ao outro o amor, transmite para os filhos a maior herança: o amor fecundo.

Dentro de cada um de nós existe uma criança que não precisa de muita coisa para ser feliz.

O que é simples no casamento de vocês que acalma e acalenta o coração dos dois? Muitos casamentos estão terminando porque complicamos muito.
Simplicidade, cuidar um do outro, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.
Hoje, Deus pergunta a você: “Cadê o amor sobrenatural?”.

Retome as promessas feitas um para o outro no dia do casamento.

Transcrição e adaptação: Saulo Macena

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