Fechando as brechas

Cinco lições para fechar as brechas à ação do mal na sua vida

Diácono Melquisedec Foto: Paula Dizaró/cancaonova.com

São Paulo fala, por diversas vezes, nas suas cartas, que os dias são maus. De fato, os dias são difíceis! Vivemos num combate espiritual, e quando não sabemos contra quem lutamos, usamos as armas erradas.

O apóstolo Paulo, na sua Carta aos Efésios, vai alertar que a nossa luta é contra os espíritos maus. Esse discernimento é primordial para que aprendamos a fechar as brechas à ação do inimigo.

Vamos ler juntos: “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que os vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós” (I Pedro 5,8-9).

A partir desse ensinamento, precisamos compreender o que significa “fechar as brechas”. Vamos refletir em cinco pontos importantes que São Pedro nos dá a respeito do combate espiritual.

O combate espiritual em cinco lições

O primeiro ensinamento é esse: eu e você temos um adversário. Ele não é nosso “sócio”, nosso parceiro, ou seja, alguém que surge para nos dar prazer nesta vida. Ele sempre irá “cobrar a conta”, afinal, o inimigo não veio para outra coisa senão para matar, roubar e destruir. Veja: não se trata de ver o demônio em tudo, mas também não se trata de ignorar sua ação e presença maligna em nosso meio. Ficar indiferente à ação do mal é, certamente, não fechar as brechas.

O segundo ensinamento é de que o inimigo anda ao nosso redor, ele tem um “GPS”. Ele fica rondando o ser humano para tentá-lo. Esteja atento: onde estiver a sua carência, a sua ferida, o demônio irá oferecer algo para suprir essa necessidade. Infelizmente, muitos não conseguem enxergar que aquela situação que leva à ruína é exatamente o inimigo andando ao redor para levar à perdição. Pessoas caem no pecado por falta do dom do discernimento a esse respeito. Simplesmente se esqueceram de que o inimigo também nos observa.

O terceiro ensinamento é de que o inimigo é um leão que ruge. O mal deixa sinais de que dará o “bote” em nós. O mal jamais fica em silêncio. O inimigo é barulhento, mas também é ágil e ardiloso. Quando temos o dom do discernimento, conseguimos perceber o que é de Deus e o que não é, conseguimos construir um caminho de visão para enxergar o que nos edifica e o que nos leva a pecar. Esteja atento aos rugidos desse leão, pois esses rugidos são sinais de que ele está se desdobrando para destruir sua vida. E você não pode ficar impassível diante desses rastros do mal. É necessário fechar as brechas.

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O quarto ensinamento é de que o demônio, esse leão que ruge, busca a quem devorar. Aqui, há uma importante advertência: não podemos ficar distraídos. O inimigo devora as almas distraídas.

Você já deve ter ouvido a expressão “calcanhar de Aquiles”, e é exatamente isso: o único lugar vulnerável no corpo de Aquiles foi exatamente o local atingido por uma flecha envenenada. Aquiles morre, mesmo tendo vencido inúmeras batalhas na sua vida. Assim acontece conosco: depois de muitas vitórias, sentimo-nos numa “zona de conforto”, mas se não fecharmos as brechas, aquilo que trazemos de ponto fraco, de ponto vulnerável em nós, acaba nos deixando expostos ao perigo. Precisamos proteger o nosso ponto fraco! Na distração, na falta de vigilância, as brechas permanecem abertas. Se temos um ponto vulnerável, o que precisamos fazer? Protegê-lo, cuidar para que não fique exposto à ação do adversário. Daí a importância de uma vida de oração, de uma busca pela intimidade com Deus, pois é dessa forma que você protege o seu “calcanhar de Aquiles”.

O quinto ensinamento é como vencer o inimigo, como fechar as brechas à ação do mal: resistindo ao demônio, sendo forte na fé.

Quando criança, onde eu morava, tinha um menino que sempre batia em mim. Eu voltava para casa sempre chorando quando isso acontecia. Certo dia, quando isso se repetiu, meu pai estava em casa. Ele me viu chorando e disse: “Volta lá e enfrenta!”. Voltei e encontrei novamente aquele menino. Vi meu pai na janela observando tudo. Como eu era gordinho, corri na direção do menino e joguei meu peso em cima dele. No dia seguinte, aquele garoto já não me provocava mais. Bastou uma surra para ele me respeitar.

O que meu pai fez comigo é o que São Pedro nos ensina nesse trecho da sua carta. É necessário agir com uma força contrária ao mal! Resistir é isso! Já vi inúmeras famílias sendo restauradas pela força do Santo Terço. Lute com as armas certas, as armas espirituais. Resista ao adversário com fé!

Esteja muito atento a isso: o inimigo não quer você fora da Igreja. Parece um absurdo o que estou afirmando, mas não é! O que o demônio quer é você dentro da Igreja, porém, vivendo uma vida dupla. Diante disso, não há outra alternativa a não ser fechar toda e qualquer brecha à ação do mal na sua vida.

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Transcrição e adaptação: Alexandre Oliveira

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