O nome de Deus é Misericórdia

Wanderson Moreira

Deus quer nos acolher por meio da sua infinita misericórdia

Wanderson Moreira- Foto: Arquivo cancaonova.com

Meus irmãos, como é grande a misericórdia do Senhor! Ele nos dá aquilo de que necessitamos. Neste dia de adoração, somos convidados a abrir o coração para a Palavra de Deus. Vamos ler juntos:

“Um homem tinha dois filhos. O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres. Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. Foi pôr-se a serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome! Vou me levantar e irei a meu pai, e lhe direi: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, o abraçou e o beijou.” (Lc 15,11-20).

Essa Palavra precisa se concretizar na nossa vida, pois é isso o que o Senhor quer fazer conosco. Ele quer nos acolher e nos abraçar por meio da sua infinita misericórdia.

O Senhor, neste tempo, nos chama ao deserto. E o deserto é algo inevitável para todos nós. Acredite, meu irmão: mais cedo ou mais tarde, você irá experimentar o deserto.

Portanto, não tenha medo de fazer essa experiência, pois é nesse deserto que Deus deseja falar ao coração humano.

É tempo de encontrar-se com a Misericórdia Divina

A humanidade, hoje, apresenta-se como uma humanidade ferida. Nosso mundo é um mundo doente. E, hoje, é tempo dessa humanidade ferida se encontrar com o Senhor. Daí, a importância desse deserto. Nós não escolhemos esse tempo de recolhimento, mas é certo que essa é uma oportunidade única para nos aproximarmos ainda mais de Deus. Eu creio que o Senhor tem um sentido para tudo isso, e para mim, o sentido é o de entrarmos, nesse deserto, para nos encontrarmos com o Senhor rico em misericórdia.

Precisamos compreender o que significa essa misericórdia divina. A palavra “misericórdia” é composta por outras duas palavras: coração e miséria, ou seja, o Senhor acolhe a miséria do nosso coração. Deus quer tocar o nosso coração miserável! Do contrário, esse coração continuará machucado e machucando os outros.

Eu não sei quanto a você, mas, neste tempo, eu tenho sentido uma enorme saudade de receber Jesus na Sagrada Eucaristia. Sinto saudade desse “beijo de Deus” no meu coração! Ainda mais do eu espero receber o Senhor, é certo que Jesus me espera com Sua Misericórdia. Ele está de braços abertos a esperar por mim e por você, da mesma forma que o Pai dessa parábola estava a esperar pelo seu filho mais novo.

“Deus deseja falar ao coração do homem” (Wanderson Moreira) – Foto: Arquivo cancaonova.com

Meu irmão, no barco em que Jesus se encontra, não há risco de naufrágio. Foi o Papa Francisco quem nos recordou essa verdade durante a bênção Urbi et Orbi dada a toda humanidade há alguns dias. E quem está nesse barco com Cristo não pode se amedrontar, não deve se deixar vencer pelo medo, mas deve confiar.

Meus irmãos, neste tempo de deserto, precisamos fazer o mesmo que fez aquele filho mais novo da parábola: ele “caiu em si”. Sua volta à casa paterna se deu a partir do momento em que ele “caiu em si”. Façamos o mesmo, meus irmãos! Não é tempo de olhar a vida dos outros e ficar julgando as pessoas, mas esse é um tempo propício para “cairmos em nós mesmos”, olharmos para dentro de nós, e darmos um novo rumo a nossa existência.

Meus irmãos, neste tempo de deserto, somos chamados a um grande encontro com o Senhor, com o seu Misericordioso Coração, pois somente esse encontro poderá nos transformar. Esse tempo de deserto irá passar. Isso é mais do que certo. Mas como queremos passar por esse deserto? Apenas acomodados, “sentados no sofá”? Precisamos aproveitar esse deserto para uma profunda conversão pessoal, e isso somente é possível a partir dessa experiência de volta à casa do Pai. Tenha vontade de voltar para a casa do Pai, vontade de experimentar o seu abraço uma vez mais, na certeza de ser também esse filho amado.

O caminho no deserto em três passos

Ao fim dessa pregação, indico a você um caminho para ser trilhado com muita seriedade durante esse tempo de deserto. Esse caminho se faz através de três passos:

Primeiro passo: pelo menos 10 minutos por dia, fique a sós com você mesmo. Eu sei que você está em casa, entretido com tantas outras coisas: televisão, internet, celular e por aí vai. É preciso recolher-se em oração. Esse tempo de recolhimento interior é de suma importância.

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Segundo passo: durante esse recolhimento, perceber de onde você veio, como você se encontra, enfim, tocar no seu real momento presente, pois é a partir dessa sua verdade que o encontro com a misericórdia do Senhor se dará.

Terceiro passo: colocar toda essa verdade, por mais dura que seja, nos braços do Pai. Deixar-se envolver pelo colo do Senhor que o quer sustentar. E isso é possível com um profundo e sincero diálogo com Deus.

A partir desse caminho a ser trilhado, meus irmãos, seguramente faremos esse caminho de volta à casa paterna, e essa linda experiência da redescoberta de que somos filhos amados do Pai.

 

 

 

Transcrição e adaptação: Alexandre Oliveira

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