A pregação como via de conversão

Nossa pregação precisa estar alicerçada na Palavra de Deus

Ricardo Ida Foto: Andréia Britta/cancaonova.com

Desejo a você um santo e feliz Natal! Estamos vivendo a chamada “Oitava de Natal”, pois a Igreja nos convida a celebrar com muita alegria o nascimento do Salvador. Vivamos esses dias na feliz certeza de que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”.

Esse mistério da Encarnação do Filho de Deus está muito ligado ao tema central dessa pregação que é a conversão, pois, o Filho de Deus entrou na história e, agora, Ele precisa igualmente entrar no meu e no seu coração. Deixemos Jesus nascer no nosso coração!

A Palavra de Deus é alimento para a nossa alma, como nos ensina Santo Ambrósio. Necessitamos nos alimentar dessa mesma Palavra e nos aprofundar nela. Vamos ler Atos dos Apóstolos 2,37-40:

Ao ouvirem essas coisas, ficaram compungidos no íntimo do coração e indagaram de Pedro e dos demais apóstolos: “Que devemos fazer, irmãos?”. Pedro lhes respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo, pois a promessa é para vós, para os vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus”.* Ainda com muitas outras palavras exortava-os, dizendo: “Salvai-vos do meio dessa geração perversa!”.

No dia de Pentecostes, Pedro havia anunciado ao povo a Palavra de Deus. E o que aconteceu após sua pregação? Aquelas pessoas se arrependeram; o coração daquele povo foi tocado.

Pregação, via de conversão

Meus irmãos, a pregação que verdadeiramente transforma, precisa estar embasada na Palavra de Deus e não no nosso “achismo”. Eu não posso pregar somente “aquilo que eu gosto” ou ficar usando de palavras meramente motivacionais, que mexem com a sensibilidade dos outros. A pregação é via de conversão! E, para isso acontecer, essa mesma pregação precisa estar alicerçada na Palavra do Senhor. Não se trata de fazer o povo chorar, de usar uma linguagem poética, ou gritar muito durante a pregação… Não! O importante é proclamar a Palavra de Deus, pois é ela quem transforma os corações.

Aquele povo arrependeu-se diante da pregação de Pedro. E quanto a nós? Temos verdadeiramente nos arrependido? Não há mistério do Natal sem o arrependimento interior. Quanto tempo faz que não buscamos o Sacramento da Penitência? Quando diante do sacerdote derramamos o nosso coração pecador e o fazemos com profundo arrependimento, a luz de Deus nos envolve e o Natal começa verdadeiramente a acontecer dentro da nossa alma.

Mas, além do arrependimento que leva à conversão, à mudança de vida, a pregação também precisa produzir, dentro de cada um de nós, os frutos de uma vida nova em Cristo. Romanos 10,17 afirma que “logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo.”

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Como é importante, para nós, estarmos em contato com a Palavra de Deus! Pois é a partir desse contato com a Palavra que começamos a dar um coerente testemunho de vida. Precisamos ser luz de Deus, também, na vida dos outros. Um pregador que não traz consigo um coerente testemunho de vida, não possui a autoridade necessária no exercício do seu ministério.

Certa vez, Santo Antônio, que era um exímio pregador, foi evangelizar uma determinada cidade. Mas, os hereges que ali estavam não acolheram a pregação da Boa Nova. O que fez o santo? Ele foi até o mar e começou a pregar aos peixes, e todos aqueles peixes – grandes e pequenos – se aproximaram do santo para acolherem o anúncio do Evangelho.

Diante desse milagre, as pessoas que ali se encontravam, pediram ao santo que pregasse a elas. E ele assim o fez. E muitos hereges se converteram e aceitaram a Jesus como único Senhor e Salvador.

Pregação e santidade

A potência da pregação se encontra na santidade. O pregador precisa viver uma vida santa. É necessário empenhar-se nisso!

Meus irmãos, não há “jeitinho” na doutrina da Igreja. Ninguém pode, simplesmente, mudar a Sã Doutrina conforme o seu bel-prazer. Nenhum homem pode fazer isso! Tem muita gente que não gosta de ouvir falar sobre o julgamento final, a realidade do inferno e outras coisas que, também, fazem parte da doutrina da Igreja. E, porque se recusam a acolher a Sã Doutrina, permanecem em pecado mortal. Meus irmãos, não podemos viver nossa vida cristã como mundanos.

Se ainda não aconteceu o Natal na sua vida, eu lhe digo: “Ainda há tempo, meu irmão!” Busque uma mudança de vida, converta-se! Não queira apenas as coisas que o mundo oferece. Lute contras as tentações da carne, aprenda a morrer para sua vontade a cada dia, e deseje viver uma vida de renúncias. Configuremo-nos com Cristo e não com o mundo! Não podemos brincar com a nossa própria salvação.

Nosso chamado é para buscarmos as coisas do Alto. E, desse modo, buscando uma vida de conversão e santidade, Jesus nascerá dentro do nosso coração e viveremos verdadeiramente um santo e feliz Natal.

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Transcrição e adaptação: Alexandre Oliveira

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