Aliança, fé e promessa

Existem três palavras que marcam as leituras de hoje: aliança, fé e promessa

Padre Anderson Marçal - Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Padre Anderson Marçal – Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Esta palavra “aliança” é o que Deus quer fazer desde que criou o ser humano, mas, por causa do pecado, rompeu-se a aliança que o homem tinha com Ele. Tudo isso por um motivo simples: o homem quer ser Deus, ele O coloca em segundo plano e quer ficar no lugar d’Ele.

Se observarmos, desde sempre Deus fez aliança com Seu povo. Hoje, a liturgia nos leva a pensar em Abrãao e em Jesus. Existem três palavras que marcam as leituras de hoje: aliança, fé e promessa. E essas três realidades são bem claras.

Já aconteceu uma profunda conversão em sua vida? Estou falando de mudar a direção de nossa vida, é por isso que Deus fez uma aliança conosco.

Toda a aliança que Deus iria renovar em Jesus, Ele colocou em Abrãao. Viver essa aliança é nada mais nada menos que nossa vida inteira ser voltada para o Senhor. É ter a coragem que Abraão teve de ofertar a Deus até seu próprio filho.

A maneira com que nos relacionamos com o Senhor é a coragem de dizermos: “Onde está este Deus em minha vida? O que temos de mais valioso, devemos colocar abaixo do Senhor. Mas será que somos capazes de colocar tudo abaixo de Deus?

O Senhor é pedagógico. Ele disse: “Guarde a minha aliança”, ou seja, guarde o que você tem de mais valioso, que sou Eu dentro de você. A Aliança de Deus é a forma que ele encontrou de estar no homem e na mulher, o amor verdadeiro é este: estar no outro.

Não sejamos enganados pela Teologia da Prosperidade. Deus é o Todo-poderoso só quando realiza algum milagre em nossa vida? O maior milagre é quando este Deus Todo-poderoso e grande cabe num pedacinho de pão para se dar a mim e a você na Eucaristia. Não podemos aclamar o Senhor apenas quando alguém se levanta de uma cadeira de rodas. Deus é Deus a todo tempo.

A aliança com o Senhor nos leva à vida eterna. Se vivermos essa aliança, não morreremos, apenas passaremos daqui para a vida eterna. Se Abraão é o homem da aliança, Jesus é ela própria. Portanto, não precisamos ficar por aí fazendo pactos.

Há pessoas que fazem pacto de sangue, outras ficam procurando simpatias e benzedeiras. Se seu filho está com mau-olhado, problema é de quem mau olhou para ele, porque sobre ele estão os olhos do Senhor e nada pode atingi-lo. Ainda existem pactos com ideologias, bens e bruxarias. Não podemos nos deixar enganar por essas pessoas que vêm como cordeiros e batem à nossa porta entregando docinhos de Cosme e Damião. Esse doces de “Cosme e Damião” nada têm nada, na verdade, são coisas consagradas ao demônio.

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Dezenas de peregrinos participaram desta Quinta-Feira de Adoração- Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Ainda há situações em que as pessoas amarram fitinhas nos braços, derramam sangue de bode, etc. Não é preciso mais sangue de bode, pois Jesus é o Cordeiro Imolado. Para que fazer pactos com outras coisas?

Quando você faz pactos com traficantes, prostitutas e gingolos, não é com elas que você está compactuando, mas com o demônio que quer prendê-lo em realidades que não são de Deus. Reunciemos aos pactos e façamos, hoje, uma nova aliança com Deus por meio de Jesus Cristo.

Segundo a Palavra, Abraão também é o pai da fé. E nós somos filhos dela. Não somos nós que possuímos a fé, mas a fé quem nos possui. A partir deste grande homem, surgiram as maiores religiões: Judaismo, Islamismo e Cristianismo.

Não podemos falar de fé sem falar de conversão. Fé é voltar-se para Deus, mas será que nossa vida inteira está voltada para Ele – escolhas, sentimentos, decisões e posturas? Não falo apenas de palavras, porque palavras sem testemunho são vazias.

Quando nos perdemos do Senhor, vamos em busca de bens materiais. Quando perdemos o relacionamento com Deus, vamos em busca de outras coisas para nos preencher.

Estamos num mundo de cultura do descartável, até mesmo as pessoas que já não nos servem mais queremos jogar fora. Temos essa cultura, porque não nos deixamos possuir pela fé. Antes de nos perguntarmos quem somos e quem escolhemos ser, devemos nos perguntar quem não somos. Mas para responder essa pergunta precisamos estar voltados inteiramente para Deus.

Se Abraão é o pai da fé, Jesus é o objeto da fé. Portanto, não precisamos direcionar nossa vida para outras coisas, pois é Jesus Cristo quem buscamos.

Transcrição e adaptação: Rogéria Nair

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