Arrependimento: Caminho para o Pai

Padre Gevanildo

Padre Gevanildo. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Estamos vivendo um tempo especial na Igreja, a Quaresma, momento no qual Deus nos dá a graça de voltarmos nosso olhar para nós mesmos; é tempo de melhorarmos nossas atitudes, nossa maneira de falar.

O que em nós precisa ser melhorado? Neste tempo, somos convidados a ir ao deserto da nossa existência e pensar em tudo o que fizemos. O deserto para nós deve ser sinal para nos pararmos, olharmos para nós mesmos e mandarmos para longe tudo aquilo que imaginamos ser imagem de Deus, mas que não o é.

O deserto é o lugar de olharmos para o nosso coração, de nos encontramos com nossos maiores pecados, por isso é lugar de solidão. Quaresma é tempo de silêncio, de pararmos com todas nossas agitações e olharmos mais para Deus.

Quantos de nós fizemos o propósito de fazer uma penitência! Muitas vezes, queremos fazer jejum e penitência de tantas coisas, mas não há no nosso coração disposição para realizá-las. Mas ainda há tempo de voltarmos para Deus! Muitas vezes, dizemos “Sim, errei”, mas continuamos do mesmo jeito. Se não nos arrependermos dos nossos pecados, vamos perecer no meio do caminho.

No deserto da nossa vida, morreremos se tentarmos carregar coisas e mais coisas, não aguentaremos. O processo de conversão começa com o arrependimento, e se eu não me arrepender dos meus pecados, não posso trilhar um caminho de conversão.

Na passagem do filho pródigo, o filho mais novo pediu a herança para o pai e recebeu sua parte. Esse filho representa você e eu. Eu sou livre para escolher entre ficar com Deus ou ir para longe, para uma vida de pecado. Na nossa liberdade, estamos indo para longe do Senhor, nos distanciando do que Ele quer para nós. Quantos de nós estamos servindo a Deus na Igreja, em uma pastoral, mas estamos longe d’Ele, porque ainda continuamos no adultério, na pornografia…

Não sei se você já viveu a situação de ter alguém perto, mas sentir que ele está longe, não está inteiro com você, pois o coração está distante. Nós, muitas vezes, somos assim com Deus. Estamos colocando vida, coração, no nosso relacionamento com Deus ou somos apenas servidores?

O que você pedir para Deus, Ele será capaz de lhe dar. O pai repartiu a herança com os dois filhos, mas um deles foi para longe do pai. Este, no entanto, tinha a esperança de ter o filho por perto novamente. Deus é assim conosco, Ele acredita em nós. Muitas vezes, Ele nos dá o que pedimos, porque acredita que podemos mudar de vida. Por isso, o Senhor sempre dá uma chance aos pecadores.

Quantas vezes, longes de Deus, começamos a passar necessidades! Quantas vezes nos dirigimos a Ele como se fosse um comerciante! Ele nos concede o que pedimos; depois, vamos embora, para longe d’Ele.

Esquecemos que somos frágeis, que somos feitos do pó. Hoje, o Senhor nos convida a trilhar um caminho de arrependimento, que começa com um exame de consciência. O arrependimento começa com a dor na alma.

Não há felicidade longe de Deus! Não podemos nos imaginar felizes longe d’Ele. O filho pródigo, ao esbanjar a herança do pai, começou a tomar consciência do que estava vivendo. As maiores decepções que temos na Igreja, no mundo, são porque não confiamos em Deus.

Peregrinos

“Não importa o tamanho dos seus pecados, o que importa é o tamanho da misericórdia de Deus”, diz padre Gevanildo.

Precisamos fazer um caminho de retorno à casa do Pai, olharmos para dentro de nós e entendermos que não estamos tão bem assim. Temos de nos olhar com um olhar crítico, mas com misericórdia.

O aconchego da casa do pai fez falta ao filho, pois este gastou toda sua herança. Quando estamos longe de Deus, perdemos nossa dignidade de filhos. Mas, primeiro, temos de reconhecer onde estamos, saber quais são nossas limitações. Segundo, é preciso querer sair dessa situação.

Talvez, eu e você não tomemos consciência ainda, mas estamos mendigando comida enquanto há um banquete preparado para nós. Vamos comer lavagem no mundo enquanto há um banquete, que é a Eucaristia, esperando por nós.

Hoje, o convite para você é: “Volte para a Igreja, pare de se alimentar com lavagem do mundo, venha para o banquete, para a Eucaristia. Volta para a casa do Pai, volta para a casa de Deus. Faça como esse filho da parábola do Evangelho”.

O arrependimento não depende apenas de nós. É preciso que Deus nos ilumine e coloque em nós um arrependimento do coração. Se não tivermos nosso olhar voltado para a misericórdia divina, não seremos capazes de voltar. Muitos não conseguem voltar para o Senhor, pois acham que Deus vai castigá-los; mas Ele os acolhe.

Nessa parábola, o filho não é mais importante, mas esse Pai das Misericórdias que nos espera há muito tempo. Há tempos, Ele olha nas esquinas, nos horizontes da vida, para ver se estamos voltando. Mesmo em meio aos pecados, o que importa é o tamanho da misericórdia com a qual Deus nos colhe. Ele quer que você se abra à Sua graça.

O mundo quer nos jogar no chão e tirar de nós o sentido da misericórdia em nossa vida. O inimigo de Deus, satanás, não quer ver os filhos do Altíssimo voltarem para os braços do Pai, porque ele não sabe o que é amor e quer fazer com que não amemos mais e não experimentemos a misericórdia que o Pai tem por nós.

Deus não nos acompanha no pecado, mas espera que saiamos dele para ir ao Seu encontro. Deus nos convida a nos levantarmos da situação de pecado em que estamos. Talvez, estejamos no fundo do poço, mas, quando chegamos nessa situação, só podemos olhar para cima. Olhemos para cima e vejamos a misericórdia do Pai. Essa luz que vem no fim do túnel é a Ressurreição do Senhor, é a vida nova que Ele quer nos dar.

Voltemos para a Igreja, para os sacramentos, para a Eucaristia e confissão. Hoje é o dia de retornarmos para o coração do Pai! Deixemo-nos alcançar por esse olhar de amor de Deus por nós!

Transcrição e adaptação: Míriam Santos Bernardes

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