Família: novo sinal dos tempos

Crédito da foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Padre Rafael Solano. Crédito da foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Tenho a certeza de que você passa por grandes desafios na sua casa. Mas como fazer para que a sua família seja de Deus?

Os brasileiros têm uma virtude belíssima: são solidários. E é na família que aprendemos a ser assim. Eu imagino que, na sua casa, sempre haja mais “água no feijão”, como disse o Papa Francisco.

“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados. Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos nele e ele em nós, por ele nos ter dado o seu Espírito, (João 4, 7-10).

Quando São João escreveu essa primeira carta, tinha grandes intenções, pois a dirigiu às famílias. Até hoje, em Israel, há uma força que mexe e impulsiana a vida deles: os familiares. Por que eles são tão importantes para o povo israelense? Porque, em Israel, tudo acabou. Acabaram-se os sacerdotes e as instituições; só as famílias se mantiveram em pé.

Quando li essa carta de São João, perguntei-me o que ela tinha a ver com a família. Descobri que a razão é o fato de ela falar do amor e da caridade.

Há pais e mães que não se cumprimentam em casa. E quando estes não manifestam o amor, afetam a família. A experiência do amor familiar começa com os cônjuges. A mulher é responsável pelo amor que ela expressa a seu marido. A mesma coisa acontece com o homem, pois seu amor pela esposa precisa ser manifestado.

Quando eu era criança, meu pai dizia: “Rafael, você nunca deve ir a um boate, porque verá coisas que nunca deveria ter visto”. Passado um tempo, eu resolvi: “Vamos à boate!”. Então, meu amigo me perguntou: “Você viu alguma coisa que não deveria?”. Eu lhe disse: “Sim, meu pai!”.

Se o amor não é testemunhado, não existe família. O amor é o ponto central na carta de São João. É Deus quem nos amou primeiro, por isso o sinal maior na família é o amor.

Como é difícil amar os nossos irmãos de sangue! Amar um amigo é nota dez, mas amar um irmão e uma irmã não é fácil. Quando amamos, tocamos no amor mais fraterno que existe. O amor fraterno que não cresce na família traz sérios problemas. No livro que escrevi, a parte mais difícil foi falar sobre o amor fraterno.

Fiéis participam da quinta de adoração. Crédito da foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Fiéis participam da quinta de adoração. Crédito da foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

O maior desafio na família é fazer com que os filhos sintam o amor fraterno. Quando os irmãos não se conhecem, o relacionamento é muito difícil. Talvez, haja irmãos que não se falem há muito tempo! Damos mais atenção aos amigos do que aos irmãos. Por que será que nós fechamos o nosso coração para o amor fraterno? O primeiro amor vem do casal fraterno e depois do amor pelos nossos irmãos e irmãs.

Se o casal é capaz de fortalecer esse amor e os irmãos são capazes de se amar, existe uma coisa linda! Uma família bem constituída constrói uma sociedade estruturada.

O Papa Francisco nos ensina: “Vamos sair das nossas casas! Vamos ao encontro do outro!”. O que o Senhor quer dar às famílias? O que Ele está colocando no coração de cada uma delas?

O casamento é um sacramento, uma aliança de Deus com a Igreja. Precisamos nos conhecer para nos amar. Há casamentos que passam por experiências de dor, mas é o sofrimento entre um homem e uma mulher que santifica a humanidade. A família sempre foi sinal dos tempos.

Fico muito triste quando vejo famílias que não querem ter filhos. Há aquelas que querem educar seus filhos pelo Iphone, porque os querem quietos. Sabe o que está acontecendo com o amor dos nossos filhos? Nós o estamos terceirizando, deixando que os outros cuidem deles. A educação dos nossos filhos não nasce nas ruas, mas em casa; não nasce na internet, mas na presença.

Você tem tempo para seus familiares? Se não o tem, precisa colocar um sinal vermelho e dizer: “Preciso estar com minha família!”.

Sabe o que meus pais fizeram no dia do meu aniversário? Colocaram um bolo em frente ao Skype. Só nos vemos uma vez ao ano, e eu aprendi a ser família com eles.

Há muitas pessoas feridas nas famílias, e essas feridas estão lhes causando um dano terrível. O primeiro mal é a indiferença, que dói no coração e acaba por se tornar doença. Isso acontece quando uma pessoa nem olha no seu rosto, não o vê. Dai, você se pergunta: “Quem é ela?”. E percebe que é sua mãe, que nunca olhou para você. É o seu irmão, que, depois daquela briga, não fala mais com você.

Eu não conheço nenhuma família que, depois de ter acabado com a indiferença, não descobriu o bálsamo do amor!

Qual é a pessoa da sua família que o incomoda e você não quer nem se aproximar dela? Eu o convido a pensar nela agora, a pensar por que é tão difícil para você se aproximar dela. Peça ao Espírito Santo a graça de se aproximar dessa pessoa!

Transcrição e adaptação: Jakeline Megda D’Onofrio


Padre Rafael Solano


Sacerdote da arquidiocese de Londrina -PR

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