O seu coração não é um cemitério, mas um jardim de vida

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Padre Anderson Marçal. Foto: Arquivo Canção Nova

Por pior que seja aquilo que o outro tenha nos feito, ele continua ocupando um lugar em nosso coração e não no cemitério do nosso coração

Caríssimos irmãos e irmãs, sempre me intriga a história de José do Egito. Esse jovem foi vendido pelos próprios irmãos, porque eles não o aceitavam como ele era. Por providência divina, houve uma grande seca na terra de Israel e os irmãos de José foram até o Egito para conseguir um trabalho ou algo para comer.

Quando os irmãos de José o venderam, não o tiraram apenas da frente deles, mas de suas vidas. Quantas vezes, nós também queremos fazer isso com algumas pessoas! Quando vendemos o nosso irmão, nós o matamos em nosso coração. Mas, quando temos Deus no coração, por pior que seja aquilo que o outro tenha nos feito, ele continua ocupando um lugar em nosso coração e não no cemitério do nosso coração.

José nos ensina que o perdão é sempre uma necessidade, independentemente do que as pessoas tenham nos feito. Como representante do imperador, José poderia ter matado os próprios irmãos, numa atitude de vingança, mas ele nos mostra que, mesmo tendo sido vendido pelos irmãos, foi capaz de perdoá-los.

Os irmãos dele cometeram esse crime contra ele por inúmeros motivos, porque ele os incomodava e porque não gostavam dele. Os irmãos de José já viveram, naquele tempo, a cultura do descartável, sobre a qual tem falado o Papa Francisco. Mas, meu irmão, o seu coração não foi chamado para ser um cemitério, seu coração foi chamado para ser um jardim de vida!

Eles não o venderam porque ele era uma má pessoa, o venderam porque tinham outros interesses e o irmão era considerado um incômodo para eles. Há pessoas em nossa vida que nos incomodam, porque, às vezes, são até mais santas do que nós e porque nos educam. Há pessoas que nos mostram que estamos errados, que nos corrigem e assim desejamos eliminá-las da nossa vida.

É difícil acolher alguém que nos fala a verdade, mas aquele que nos fala a verdade é um enviado direto de Jesus, pois Ele é o único que revela a verdade que nós gostaríamos de esconder. Contudo, nós, muitas vezes, achamos mais fácil vender essa pessoa por ela representar um peso para nós.

No entanto, quando eu vendo o irmão, estou vendendo a mim mesmo, porque este irmão, sendo um enviado direto de Jesus para a minha vida, poderia me ajudar a ser melhor. Existem coisas em nossa vida que mudarão se nós quisermos e contarmos com a graça de Deus, assim como há outras que não vão mudar. De qualquer forma, será preciso impor limites e estes são revelados por aquelas pessoas que queremos bem longe de nós.

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“Há pessoas em nossa vida que nos incomodam, porque às vezes são até mais santas do que nós, porque nos educam”, disse padre Anderson Marçal. Foto: Arquivo Canção Nova

Eu não sou chamado a vender o irmão, sou chamado a anunciar a Boa Nova a ele. Não sou chamado a descartar o irmão, sou chamado a acolhê-lo. Quanto mais eu faço o bem para o outro, tanto mais me realizo como pessoa.

É muito mais fácil vender o outro, só que no Evangelho Jesus nos dá a dica para sermos pessoas verdadeiras: anunciar a vida de Jesus. Nós nos tornamos mais felizes e realizados, quando somos capazes de anunciar a vida de Jesus. Fazer o bem e renunciar ao mal nos realiza muito mais.

Precisamos anunciar a Boa Nova com um sorriso, com um abraço, somos chamados a sermos pessoas e não animais, como muitos querem nos tornar. Existem sistemas, até mesmo governamentais, que querem nos colocar numa vida animalesca. Mas você é chamado a olhar para o céu e a anunciar o Reino dos Céus, na vida, passo a passo. Querem tirar de nós a liberdade de educarmos os próprios filhos. Querem que nossos filhos sejam educados por leis ideológicas.

O primeiro passo para não vender o irmão é anunciar que o Reino dos Céus está próximo. E como faço isso? Não aceitando que certas coisas entrem na minha casa, não aceitando que um beijo homossexual entre em minha casa pela TV. É quando você diz: “O que não vem de Deus, eu não aceito!”.

O segundo passo para não fazer isso é curar os doentes. O único que cura, verdadeiramente, é Jesus. Mas curar os doentes significa me fazer ‘um’ com eles, estar do lado da pessoa quando ela está sofrendo, rezar por alguém que está com algum problema, isso nos realiza como pessoa. Só olhando o sofrimento do outro é que vou dar o valor que a vida tem.

O terceiro passo é expulsar os demônios e isso significa dar espaço para Deus na sua vida. Sou chamado a ser enviado de Deus na vida do outro. Você quer ser um verdadeiro exorcista na sua vida e na vida do outro? Dê espaço para Deus na sua vida! Deixe que o Evangelho chegue a áreas da sua vida que ele ainda não chegou!

A quem você precisa perdoar? Quem são aqueles que você precisa resgatar aos quais você foi vendendo ao longo da vida? O seu coração não é um lugar de cadáveres, mas um lugar de vida!

Transcrição e adaptação: Míriam Bernardes

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