Quais são as suas maiores lepras?

Padre .Adriano Zandoná.Foto: Wesley Almeida:cancaonova.com

Padre Adriano Zandoná. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Na primeira leitura, a lei do Levítico expressa bem o clima em que Jesus deveria agir no Evangelho de hoje.

Naquele tempo, a lepra não era considerada um problema apenas sob o ponto de vista sanitário (a leitura não apresenta medidas unicamente profiláticas), como uma doença contagiosa a ser evitada. Este relato apresenta a situação sob um ponto de vista religioso e cultural: a lepra era compreendida como fruto de um grave pecado, e o leproso era excomungado da comunidade (banido do acampamento), para assim preservar a “santidade” do povo.

Um leproso não poderia ser readmitido na comunidade sem um sacrifício de expiação, o qual era compreendido como uma realidade necessária para expiar o mal cometido por meio do pecado que gerou a lepra (e assim religar tal pessoa ao sagrado).

Muitos rabinos desta época consideravam o leproso como um morto, e pensavam que sua cura seria tão improvável quanto seria a sua ressurreição.

O versículo 41 do Evangelho diz que Jesus ficou “cheio de compaixão ao ver o leproso”. Ele se compadeceu diante daquele homem e Seu amor o moveu a agir de maneira aparentemente inconsequente.

Jesus violou a Lei ao tocar no leproso e assim se tornou impuro também [de acordo com o conceito da época]. Foi por isso – muito provavelmente – que Ele pediu ao homem que não divulgasse o fato e pediu que ele se mostrasse ao sacerdote (para assim cumprir a Lei). Como homem, Jesus ficou em uma situação complicada por ter feito isso, contudo, em nenhum momento Ele teve medo ou vergonha do homem e de sua lepra.

contribuicaocnJesus não teve medo de se sujar nem de se contaminar para salvar o ser humano em suas lepras e podridões. E se tornou participante da situação do leproso ao tocar nele. Ele o tocou e contraiu a sua impureza! Neste gesto, o Senhor se revela como o Cristo que “carrega sobre si os nossos sofrimentos” (o servo sofredor de Isaías), que contraiu o mal que feria e assolava o ser humano e, assim, o curou nas raízes de seu ser.

Outra tradução possível (alguns pergaminhos confiáveis a trazem) para o versículo 41 é, em vez da palavra “compaixão”, a palavra “indignação”. Isso revela que Jesus se indignou ao ver a exclusão daquele leproso e a forma como a sociedade da época tratava tais doentes. Ele tocou o leproso para expressar Seu desprezo diante da desumanidade daquela lei.

Há muitas espécies de leprosos atualmente, que vivem “fora do acampamento” da aceitação social e são vítimas desta sociedade do consumo e do sucesso. São aqueles que não mais produzem e são vistos como “um peso” social; por isso, são colocados à margem. É o caso dos viciados, idosos, doentes, deficientes, entre outros.

Peregrinos acompanham pregação no Acampamento de carnaval. Foto: Wesley Almeida.cancaonova.com

Peregrinos acompanham pregação no Acampamento de Carnaval. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

A lepra roubou a dignidade daquele homem, retirando de sua vida as coisas que lhe eram mais importantes: sua família, suas raízes, seus amigos e sua história.

Quantas são as lepras que existem em nossa vida, as quais querem nos escravizar, nos afastar de Deus e das pessoas que nos amam e a quem nós amamos! O pecado é uma grande lepra que nos cega e rouba o nosso melhor.

Nossas lepras roubam nossa dignidade de filhos de Deus e nos arremessam no isolamento. O Senhor quer, hoje, nos tocar e purificar, restaurar nossa dignidade e nos devolver a verdadeira alegria, que só vem d’Ele.

Quais são as suas maiores lepras? Onde elas se escondem em sua história? Elas estão em sua mente, em seu corpo ou em sua alma?

Pesquisas revelam que a lepra demora de dois a cinco anos, em geral, para manifestar seus primeiros sintomas. Pode ser que existam lepras em você que ainda não foram percebidas, mas saiba que elas estão aí e que, a qualquer momento, poderão se manifestar, provocando isolamento e roubando a sua dignidade de filho de Deus.

Tipos de lepra muito comuns em nosso tempo:

– Autoimagem negativa e baixa autoestima: este leproso estava acostumado a ser desprezado, estava acostumado a não ser acreditado por ninguém. Ele precisou voltar a acreditar em si mesmo e no que Deus podia realizar em sua vida;
– Medo e falta de fé, falta de confiança e de abandono em Deus;
– Vícios e más tendências;
– Relacionamentos errados;
– Sexualidade banalizada e mal interpretada;
– Feridas emocionais e afetivas;
– Julgamentos e rótulos.

Jesus quer nos tocar e curar, Ele não nos evita nem tem vergonha de nós: Ele desce no inferno que for para nos buscar, porque nos ama e não desiste de nós. Ele não tem medo de suas lepras e quer, hoje, nos purificar por inteiro!

O Senhor quer nos tocar e purificar instantaneamente; contudo, existe uma parte que caberá a nós e Ele não poderá fazê-la em nosso lugar. Essa nossa devida parte, neste processo, consistirá em três atitudes:

Decisão: precisamos nos decidir a romper com a falsa segurança que a lepra nos dá, pois ela nos oferece uma ilusória sensação de comodidade e segurança. Na lepra, ninguém “mexe” conosco, mas precisamos nos decidir a romper definitivamente com este cativeiro.

Não ter medo de mostrar as próprias lepras a Jesus e, como Ele mesmo pediu, ao sacerdote (cf. v.44b), pois será diante deste que a cura concretamente se confirmará.

Buscar a confissão (reconciliação) e o arrependimento: buscar sincera e constantemente a confissão, que é um sacramento de cura e purificação. A assiduidade neste sacramento será extremamente essencial neste processo de purificação de nossa alma e coração.

Necessário será ser perseverante e constante nisso.

Padre .Adriano Zandoná.Foto: Wesley Almeida:cancaonova.com

Padre Adriano Zandoná. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

A lepra ataca, ainda hoje, mais de 12 milhões de pessoas em todo o mundo. Há 700 mil casos novos por ano no mundo. No entanto, em países desenvolvidos, ela é quase inexistente. Estima-se que seja entre 2 e 3 milhões o número de pessoas severamente descapacitadas pela lepra em todo o mundo.

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Padre Adriano Zandoná


Sacerdote da Comunidade Canção Nova

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