É preciso nascer de novo: O grito de “Efatá” em meio ao barulho do mundo
Aleluia! Meus irmãos e minhas irmãs, iniciamos este tempo de retiro com uma certeza no coração: Jesus está nos tirando do meio da multidão porque Ele quer realizar algo profundo em cada um de nós. Ao escutar o Evangelho de Marcos, vemos Jesus curando um surdo e dizendo: “Efatá”, que quer dizer: “Abre-te”.
O tema que norteia nossa caminhada é claro e urgente: “É preciso nascer de novo” (João 3,3). Esse “nascer de novo“, ou “nascer do alto”, significa um novo começo vindo de Deus, e todos nós precisamos disso, desde os iniciantes até aqueles que já têm décadas de caminhada.

Padre Roger Luís / Canção Nova
O perigo da surdez espiritual e o barulho da multidão
Jesus percebeu que aquele homem precisava ser afastado da multidão para que a cura acontecesse. Hoje, nós somos bombardeados o tempo todo com informações, imagens, entretenimento e barulho, o que tem roubado nossa capacidade de escutar.
Precisamos ter a coragem de desligar o celular e sair do modo “selfie”
Muitos têm um encontro real com Deus e são batizados no Espírito Santo, mas a experiência se esvai porque não param para criar intimidade e comunhão. A primeira coisa que precisa ser restaurada não é sua audição, mas sua comunhão.
O mundo moderno foi projetado para nos tornar dependentes. Esse excesso de dopamina no cérebro, gerado pelas redes sociais, impede a concentração na oração e na adoração. Precisamos ter a coragem de desligar o celular e sair do modo “selfie” — até mesmo diante do Santíssimo Sacramento — para que o Senhor possa falar ao nosso coração no deserto deste retiro.
Identificando os ídolos modernos em nosso coração
A idolatria consiste em divinizar o que não é Deus. O Catecismo nos ensina que, sempre que honramos uma criatura no lugar do Criador, caímos em erro. Se não escutamos o Senhor, acabamos entregues aos desejos do próprio coração, como aconteceu com Salomão, que começou bem, mas terminou na vergonha por causa da infidelidade.
Hoje, os altares da idolatria são erguidos para:
• O “eu”: O autorreferencialismo doentio onde nos achamos perfeitos e não aceitamos críticas.
• As redes sociais: WhatsApp, TikTok e Instagram que ocupam o tempo que deveria ser da oração.
• O dinheiro e o prazer: Quando o trabalho ou o hedonismo (prazer sexual) se tornam o centro da nossa existência.
O caminho da autoridade e da unidade interior
A verdadeira autoridade espiritual nasce da intimidade e da obediência. Davi demorou anos para unificar o reino, mas o fez através da fidelidade e de um coração dócil que se dobrava quando a palavra o tocava. Já a divisão vem da infidelidade.
Construindo sobre a rocha da escuta
Jesus nos alerta em Mateus 7,21 que nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor” entrará no Reino, mas aquele que faz a vontade do Pai. O homem prudente é o que constrói sobre a rocha da escuta prática. Se você não escuta e não obedece, você perde a autoridade espiritual diante do inimigo.
Uma nova alegria na presença do Senhor
Neste carnaval, nossa alegria deve ter sentido espiritual. Se formos pular e dançar, que seja como Davi diante da Arca da Aliança: “É diante do Senhor que eu danço!”. Toda alegria deve ser para glorificá-Lo, livre de sensualidade ou intenções erradas.
Levante seus braços e diga: “Deus, eu vim!”. Peça que o Espírito Santo purifique seu cérebro e seu coração de tudo o que o mundo contaminou.
Transcrição e adaptação Amanda Martins
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