O alimento da Palavra e o alimento da Eucaristia
Estamos aqui reunidos para este acampamento de Corpus Christi, um momento fundamental para nós, católicos. Aqui está o fundamento da nossa fé: o sacrifício perpétuo de Nosso Senhor Jesus Cristo na Santa Missa. Sem a Eucaristia, meus irmãos, nós nos tornamos protestantes. Naquela chamada “reforma” do século XVI — que, na verdade, foi uma destruição — Lutero retirou o sentido do sacrifício.
Os protestantes ficaram apenas com a Palavra. Por isso, para eles, tudo precisa ser “provado na Bíblia”. Nós, porém, temos dois alimentos: o alimento da Palavra e o alimento da Eucaristia. Na Missa, primeiro Deus nos alimenta na mesa da Palavra (o ambão), e depois entramos no sacrifício, onde o pão e o vinho se tornam o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Senhor.

Padre José Augusto / Acampamento de Corpus Christi 2026 / Canção Nova – Foto: Youtube Canção Nova Play
O chamado para o banquete
O tema desta pregação é: “Felizes os convidados para o banquete nupcial do Cordeiro”.
Vejam bem, em que momento o sacerdote diz essas palavras? É logo antes da comunhão! Ele ergue o Corpo de Cristo e proclama essa felicidade. E qual é a nossa resposta? “Senhor, eu não sou digno…”. Ninguém aqui é digno, mas Ele quer entrar em nossa morada.
Jesus disse aos sacerdotes: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Mas Ele não estava falando de alimento humano comum; Ele estava falando de Si mesmo, dAquele que desceu do céu para ser nosso sustento.
A vitória de Cristo no Apocalipse
No capítulo 19 do Apocalipse, João nos mostra a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Ele ouve um coro imenso cantando: “Aleluia! Reina o Senhor nosso Deus!”.
O anjo diz a João: “Escreve: Felizes os convidados para a ceia nupcial do Cordeiro”. A nossa felicidade reside em participarmos desse matrimônio entre Cristo e a Igreja. A palavra “núpcias” significa casamento, e Jesus usa essa linguagem humana para nos mostrar algo maravilhoso que viveremos na eternidade.
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A alegria do banquete e a intimidade das núpcias
Pensemos em um banquete: é um lugar de alegria, de festa e de iguarias finas. Ninguém vai a um banquete com cara de velório!
Já as núpcias falam de intimidade. Quando um casal se casa e vai para a lua de mel, eles dizem: “Enfim sós”. Eles buscam a intimidade do quarto.
Jesus nos mostra que a comunhão é esse momento de “enfim sós” entre você e Ele. Eu não me casei, sou inteiramente de Cristo e minha esposa é a Igreja, mas entendo que a beleza do matrimônio está nessa preservação e na entrega total.
Se os casais humanos valorizam essa intimidade, quanto mais nós devemos valorizar a intimidade com o Cordeiro!
A esposa deve estar linda: o estado de graça
A Igreja é a Esposa e Cristo é o Esposo. E toda noiva, no dia do seu casamento, está linda e radiante! O que faz a Igreja — e cada um de nós — ser uma noiva bela é não estar suja pelo pecado.
Para receber Jesus, você precisa estar em estado de graça. O noivo não quer uma noiva “mulombenta” ou suja. Comungar em pecado mortal é como apresentar-se suja ao esposo. Na Santa Missa, o Senhor reúne sua Igreja para esse momento de intimidade. E a iguaria servida nesse altar é o próprio Cordeiro imolado, o sacrifício incruento de Cristo.
Um alerta aos namorados e à intimidade com Deus
Aqui vai um puxão de orelha: a Missa não é lugar para “namorar”. Vejo namorados que passam a celebração toda de mãos dadas ou encostados um no outro. Se você está focado no contato físico com o namorado, você não entra na intimidade com Deus.
Na hora da comunhão, é você e Ele! Deixe para namorar depois da Missa. Naquele momento, viva o seu “enfim sós” com o Senhor. Quem come da Sua carne e bebe do Seu sangue permanece n’Ele, e Ele em nós. Essa união é um ensaio para o céu, onde O veremos face a face, sem véus.
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Não perca a “santa gula” de Deus
Não sejam daqueles que comungam e já saem conversando. Fiquem no banco, mergulhados na intimidade. Se alguém te atrapalhar, faça até uma “cara feia” para mostrar que aquele momento é sagrado.
São Luís Gonzaga, logo após comungar, já começava a se preparar para a próxima Missa. Isso é a “santa gula”. Não há alimento mais importante que este, pois Ele é a fonte de todas as coisas.
As desculpas e o perigo da indiferença
Em Lucas 14, Jesus conta a parábola do grande banquete. Os convidados começaram a dar desculpas: “comprei um terreno”, “comprei bois”, “casei-me”.
Hoje, as desculpas são: “vou à praia”, “tem churrasco”, “vou ver um filme”. Nada pode estar acima da Santa Missa! Se você coloca o churrasco acima do sacrifício de Cristo aqui na terra, não se surpreenda se Deus não o convidar para o banquete eterno no céu. Esforçai-vos pela comida que não perece!
A necessidade da comunhão real
É triste ver católicos que não podem comungar por estarem em situação irregular. Resolvam suas vidas! Não se contentem com a “comunhão espiritual” por preguiça de conversão. Se você tentar se alimentar apenas “espiritualmente” no dia a dia, você morrerá de fome. A nossa comunhão deve ser presencial e real.
A comunhão é para os “chiques”: para quem é batizado e está em estado de graça. O pecador que quer a santidade se confessa e comunga; mas aquele que quer permanecer no pecado mortal não pode participar, pois, como diz São Paulo, estaria bebendo a própria condenação.
Busquem a verdadeira felicidade
Lembro-me de um casal em segunda união que frequentava a Missa, mas não podia comungar. Um dia, ao ouvir o sacerdote dizer: “Felizes os convidados para o banquete…”, o filho pequeno deles olhou e disse: “Papai e mamãe, vocês não são felizes”. Aquela criança percebeu o que faltava: a plena união com o Cordeiro.
Procurem essa felicidade! Não sejam ovelhas sem pastor. Aproximem-se de Jesus, nossa maior riqueza e nosso tesouro.
Aplausos ao nosso Senhor Jesus Cristo!
Transcrição e adaptação Amanda Martins
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