O mistério da transubstanciação em Corpus Christi
Nós estamos diante de uma quinta-feira de Corpus Christi e a Igreja Católica nos chama hoje a meditarmos sobre este mistério. Não é um mistério porque é uma coisa misteriosa, assustadora, que lembra fantasmas; é um mistério que para o homem seria impossível de entender e só pode ser entendido se Deus revelasse. Deus vem e revela esse mistério da Eucaristia, tão necessário para a nossa vida: um Deus que se faz pão.
Naquele pão, que já não é mais pão quando o sacerdote consagra, acontece a transubstanciação: a substância que era de pão muda no Corpo do Senhor e a substância do vinho se transforma no Sangue do Senhor. Embora continuemos a ver pão e vinho, o que está ali é o Pão da Vida.

Padre José Augusto / Acampamento de Corpus Christi 2026 / Canção Nova – Foto: Youtube Canção Nova Play
“Saco vazio não fica em pé”: a necessidade do alimento
Eu estava ali sentado e vi a Isabele comer um pedaço de bolo; ela disse: “Estou com fome”. Isso é muito significativo, porque se ela não come, ela morre. Existe um ditado popular que diz: “Saco vazio não fica em pé”. Se não nos alimentarmos, nós morreremos.
Jesus, como é Deus, pega algo que é comum a quase todos os povos: o alimento, o pão. Dificilmente você encontra alguém que não goste de pão no café da manhã. É através deste alimento comum que Ele vai nos alimentar. No Evangelho de São João, capítulo 6, versículo 35, Jesus é categórico: “Eu sou o pão da vida”. Nós, católicos, precisamos guardar muito isso no coração.
O pão na história de Israel: do êxodo ao maná
Se formos acompanhar a história do povo de Israel, vemos que esse pão acompanha a vida deles. No Êxodo, quando o povo é libertado, Deus pede que comam pão sem fermento. Quando entraram no deserto, começaram a murmurar de fome, sentindo falta dos peixes, alhos e cebolas do Egito, achando que Deus não os auxiliaria.
Então, Deus fez algo extraordinário: à noite subiram codornizes e, pela manhã, após o orvalho evaporar, surgiu na superfície do deserto algo miúdo e granulado. Os filhos de Israel perguntaram: “Que é isto?”, que em hebraico é Maná. Moisés explicou: “Este é o pão que o Senhor vos manda”. Eles moíam, esmagavam no pilão e faziam bolos que tinham sabor de bolo amassado com óleo. O maná tornou-se o alimento para que o povo não morresse no deserto.
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O alimento que sustentou o profeta Elias
Vejam também o exemplo do profeta Elias. Ele estava com medo do rei Acabe e de Jezabel, que queriam matá-lo por ele denunciar a idolatria. Elias fugiu para o deserto e, desanimado, desejou a morte, dizendo: “Basta Senhor, tirai-me a vida”. Ele adormeceu, mas um anjo o tocou e disse: “Levanta-te e come”.
Havia ali um pão cozido e água. Ele comeu e voltou a dormir, mas o anjo o tocou segunda vez: “Levanta-te porque tens um longo caminho a percorrer”. Com o vigor daquela comida, Elias andou 40 dias e 40 noites até o Horeb, a montanha de Deus. Eles tinham que se alimentar para se encontrar com Deus.
A plenitude da revelação e o milagre da multiplicação
Na Igreja Católica está a plenitude de toda revelação; aqui você encontra tudo o que Deus falou de forma clara. No capítulo 6 de João, vemos a multiplicação dos pães. Jesus multiplicou cinco pães e dois peixes para alimentar uma multidão de cerca de 15 mil pessoas, se contarmos mulheres e crianças.
Isso foi um milagre! Tem gente ensinando errado por aí, dizendo que foi apenas um “momento de fraternidade” onde as pessoas partilharam o que tinham. Mentira. Jesus estava fazendo um milagre, mostrando Sua divindade. Só Deus pode fazer milagres.
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Trabalhai pela comida que dura para a Vida Eterna
Após o milagre, Jesus deu um “puxão de orelha” no povo que O procurava apenas porque comeu o pão e ficou farto. Ele disse: “Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna”.
Nós nos esforçamos tanto, trabalhamos das 8h às 20h para ganhar um salário e comprar o pão que perece. Mas qual é o terceiro mandamento? Guardar os domingos. E o que tem no domingo? A Missa! É na Missa que nos alimentamos. O alimento do católico não é o acarajé, o pão de queijo ou o tacacá; o nosso alimento é Jesus Cristo. Da mesma forma que você se esforça pela comida material, deve se esforçar para comer o Pão da Vida. O cardápio do católico é Jesus.
Duas vidas: a passageira e a eterna
Existem duas vidas: a passageira e a eterna. Para a vida passageira, você come feijoada, arroz, feijão e lasanha para manter o corpo em pé. Mas para a vida eterna, o alimento é Jesus. Ele disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; quem come deste pão viverá eternamente”.
Jesus foi claro: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos”. Ele prometeu que quem come de Sua carne e bebe de Seu sangue terá a vida eterna e Ele o ressuscitará no último dia.
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O mistério da pessoa e a ressurreição
A pessoa é um composto de corpo e alma. A morte é a saída da alma; o corpo fica sem vida e vai para o cemitério, enquanto a alma vai ao encontro de Deus. Mas no juízo final, os corpos ressurgirão perfeitos e gloriosos para se unirem novamente à alma.
Lá no céu não precisa de cadeira de rodas; o corpo ressuscita lindamente. Quem come da carne de Jesus garante essa ressurreição gloriosa. Por isso, você não pode faltar à Missa dominical. Se você falta, coloca sua alma em perigo de fome. Tem muito católico com o corpo gordo de tanto comer, mas com a alma anêmica porque não se alimenta de Deus.
O alimento para a viagem: o viático
Muitas vezes, as pessoas preferem o restaurante à igreja, empanturrando o corpo que um dia vai morrer. Mas o pão da Eucaristia, que pode não ter um sabor forte como o bolo da padaria, é o único que nos leva para a eternidade.
Até no momento da morte, a Igreja oferece o Viático. Viático significa “provisão para uma viagem”. É o último encontro do moribundo com Jesus antes da alma partir ao encontro de Deus. Que o nosso último alimento não seja uma feijoada, mas Nosso Senhor Jesus Cristo.
Vamos nos esforçar para comer a Carne de Jesus e beber o Seu Sangue. Como diz a canção: “Eu sou o pão da vida, o que vem a mim não terá fome… e eu o ressuscitarei no dia final”.
Transcrição e adaptação Amanda Martins
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