O perdão e a santidade no cotidiano

Ivana Brandão / Acampamento PHN – Canção Nova – Foto: Bruno Marques / Canção Nova
Nesta tarde, minha oração é para que estas palavras não sejam apenas minhas, mas que venham do coração de cada jovem, como uma flecha que traz a cura de Deus. Enquanto orávamos, o Senhor me dava uma imagem: uma grande cisterna de água parada e uma mão que movia essa água, trazendo nova vida às águas do nosso batismo.
O que aprendi com o coração de Santa Maria Goretti
É com esse desejo de sermos “remexidos” pelo Espírito que quero partilhar com você o que a vida dos santos tem a nos ensinar. Jesus nos diz em Mateus 5,8: “Bem-aventurados os puros, porque eles verão a Deus”. Hoje, não quero falar apenas da história de uma menina, mas de um coração. Deus não começa olhando o que fazemos, Ele pesa aquilo que amamos.
Onde está o seu tesouro? Quem possui o seu coração? Se ele pertencer a Jesus, nada conseguirá roubá-lo. É por isso que João Paulo II chamava Maria Goretti (a nossa “Marieta”) de um luzeiro para a juventude: ela viveu coisas audaciosas. Para entender essa trajetória de santidade, convido você a olhar para a vida dela em três movimentos: o escondimento, a consciência iluminada e o perdão.
O movimento do escondimento
Vivemos em uma época hiperconectada, onde todos têm medo do anonimato e buscam desesperadamente por curtidas e engajamento. Mas Deus faz o movimento contrário: Ele trabalha no escondimento. Jesus passou 30 anos no silêncio de Nazaré, trabalhando e cuidando de Sua mãe. Maria Goretti também viveu assim.
Ela não teve seguidores nem curtidas; ela apenas amava Jesus no cotidiano. Aos 10 anos, após perder o pai, assumiu os trabalhos de casa sem se vitimizar. A santidade está na vivência comum lavar uma louça, varrer o chão, cuidar dos irmãos. É nesse “escondimento” que Deus forja uma mártir e faz crescer uma gigante da fé. Lembre-se: santidade começa quando ninguém vê. Se você sente que seu esforço não é reconhecido, saiba que Deus vê, e isso basta.
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Consciência iluminada com o corajoso “Não” ao pecado
Maria Goretti tinha uma fineza de alma para separar o que era santo do que era pecado. Aos 12 anos, ao ser assediada por Alexandre sob ameaça de morte, sua resposta foi firme: “Não, Alexandre, é pecado. Deus não quer isso”.
Essa frase deve nos fazer tremer. Hoje, o mundo tenta negociar com o pecado, mudando o nome das coisas para aliviar a consciência:
- Chamam pornografia de “entretenimento”.
- Chamam fornicação de “experiência” ou “teste”.
- Chamam adultério de “busca pela felicidade”.
- Chamam mentira e corrupção de “estratégia”.
Mas o pecado continua destruindo a nobreza da intimidade e as famílias. O diabo nunca pede um grande pecado de imediato; ele começa com pequenas concessões. Maria Goretti tinha clareza porque se deixava iluminar por Deus. Ela vivia o PHN muito antes de o movimento existir.
Muita gente acha que a castidade é uma proibição que tira a alegria. Mas a castidade existe para proteger o amor. Amar é querer o bem do outro, não usá-lo como um objeto ou mercadoria. Se alguém só está com você pelo desejo, quando o desejo passar, o relacionamento acaba. Maria Goretti defendeu seu corpo porque entendeu que ele é templo do Espírito Santo. Os puros veem a Deus não só no céu, mas conseguem enxergar os propósitos d’Ele aqui na terra.
O perdão que liberta e converte
O movimento final de Marieta é o mais audacioso de todos. Após ser esfaqueada furiosamente, ela não morreu imediatamente. No hospital, agonizando, ela escolheu amar e disse: “Eu perdoo e quero encontrá-lo no céu”.
O perdão não se improvisa. Esse ato de amor profundo converteu Alexandre. Anos depois, ele se tornou irmão leigo capuchinho e estava presente na missa de canonização da menina que ele mesmo assassinou. Foi o amor, e não o ódio, que o transformou.
Talvez você carregue feridas de abusos, violências ou traições. Maria Goretti nos ensina algo fantástico: não deixe que a ferida que existe em você determine quem você será. O perdão é a chave que impede que nosso coração se torne uma prisão.
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Deus é a nossa única riqueza
Maria Goretti é a prova de que viver a vontade de Deus não é um fardo, é alegria. Ao vivermos a pureza, trocamos olhares passageiros por olhares eternos. Convido você a repetir comigo agora: “Deus é a minha única riqueza. Tudo mais perde o valor diante do Teu olhar”. Que possamos, como Marieta, dizer “sim” à santidade e “não” ao pecado, vivendo a felicidade de nos aproximarmos dos altares do Senhor.
Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin
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