O cenáculo e a instituição da Nova Aliança
Quero convidar você a pegar sua Bíblia e abrir comigo no Evangelho de São Lucas, no capítulo 22, a partir do versículo 14. Jesus está no Cenáculo. Lá aconteceram coisas fundamentais: a instituição do sacerdócio ministerial, a instituição da Eucaristia, o lava-pés e o Pentecostes.

Padre Roger Luís / Acampamento de Corpus Christi 2026 / Canção Nova – Foto: Youtube Canção Nova Play
Sentado à mesa com os apóstolos, Ele disse: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta ceia pascal antes de padecer”. Ele já revela o que vai acontecer. Ao receber o cálice e dar graças, Ele realiza o rito da ceia pascal judaica, mas agora instituindo a ceia pascal eucarística da Santa Igreja. Ele diz que não beberá o fruto da videira até que venha o Reino de Deus, pois, de agora em diante, não é apenas vinho, mas o Seu sangue.
Para aqueles que têm dúvidas, a Igreja apresenta os milagres eucarísticos à ciência. Análises revelam que a hóstia que se torna carne é tecido do miocárdio de um homem e o sangue (tipo AB) é compatível com o do Santo Sudário. Como dizia o Cardeal Lorscheider: “Eu não preciso visitar um milagre eucarístico, pois é só entrar na minha capela que Jesus está lá vivo”. Nós acreditamos na presença real.
O mandamento do Senhor: “Fazei isto em memória de Mim!”
O tema desta pregação é a ordem de Jesus: “Fazei isto em memória de Mim”. São Paulo, em 1 Coríntios 11:24, reforça que todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, proclamamos a morte do Senhor até que Ele venha.
Mas por que “memória”? João 3:16 nos diz: “De tal modo Deus amou o mundo que deu seu Filho unigênito”. Estamos falando de amor. A Eucaristia é o amor de Deus acontecendo na humanidade. A Igreja é o sacramento universal de salvação; ela existe para manter os fiéis no fervor e resgatar os que estão fora.
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O silêncio, o trabalho e a alienação do homem
Jesus viveu 30 anos no silêncio para santificar o trabalho e nos mostrar que somente no silêncio escutamos a voz de Deus. O homem moderno vive três alienações: está separado de si mesmo, do próximo e de Deus. O sistema do mundo quer nos distrair para que não percebamos o amor de Deus, mas Jesus nasceu para nos resgatar, nos espiar pelo Seu sangue e nos justificar para a santidade.
Do Calvário à consumação do amor
No capítulo 19 de São João, vemos Jesus carregando Sua cruz até o Calvário. Junto a Ele, estavam Sua mãe e o discípulo amado. Ao dizer “Tenho sede”, Jesus expressa a sede de que tenhamos sede d’Ele. E, ao dizer “Está consumado”, Ele sela o projeto de amor, a salvação e a Santa Missa, que é o sacrifício perpétuo.
Vamos refletir sobre cada palavra da ordem de Cristo:
- 1. “Fazei”
Não é apenas recordar; é uma ação concreta, um ritual sacramental e eclesial. É um mandamento sacerdotal para perpetuar o sacrifício de Cristo. No altar, o sacerdote age in persona Christi, participando do múnus de Cristo Cabeça. A Igreja não inventou a Eucaristia; ela a recebeu como um dom que cria a própria comunidade. - 2. “Isto”
É o pão e o vinho que se tornam Corpo e Sangue. Na Missa, a cruz não fica no passado; ela atravessa o tempo e o espaço para se tornar presente hoje no altar. O altar não é teatro nem show; é o Calvário sacramentalmente presente. - 3. “Em Memória”
No grego, anamnesis; no hebraico, zicaron. É uma memória litúrgica que torna a ação de Deus eficaz no agora. Quando celebramos, somos colocados dentro do mistério pascal. Lembro-me da história de uma criança que chorava na missa porque via “um homem ensanguentado morrendo sobre o altar”. As crianças veem o que às vezes não enxergamos: a memória eucarística contém presença. - 4. “De Mim”
A Eucaristia não é memória de uma ideia ou de uma causa, mas da pessoa viva de Jesus Cristo. No centro da Igreja não está apenas uma regra, está a presença de uma Pessoa.
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Vivendo uma alma eucarística
São João Maria Vianney dizia: “Se realmente entendêssemos a missa, morreríamos de alegria”. A Eucaristia tem três dimensões: presença real, sacrifício e banquete. Santo Agostinho ensina que recebemos o Corpo de Cristo para nos tornarmos aquilo que recebemos, sendo assimilados por Ele.
Para viver como um homem ou mulher eucarística, você deve seguir quatro movimentos:
- Tomado: Deixe Jesus tomar sua vida. Você não pertence mais a si mesmo.
- Abençoado: Aprenda a dar graças mesmo na luta. A gratidão cura a murmuração.
- Partido: Não há vida eucarística sem renúncia e serviço. Só é pão para os outros quem aceita ser partido por amor.
- Entregue: A comunhão deve virar missão. Quem comunga verdadeiramente vive para a salvação das almas.
Você será a memória de Cristo no mundo. Que este acampamento incendeie sua alma. Não tire seus olhos d’Ele. A Missa não é obrigação; é o ápice da nossa vida.
Transcrição e adaptação Amanda Martins
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