Pregação do Paulo César no Acampamento de Semana Santa 2026
Do remorso que mata ao arrependimento que liberta
Estamos vivenciando o Tríduo Pascal, celebrando a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, honrando aqueles que entregaram sua vida pelo chamado de Deus. Neste cenário de fé, somos convidados a olhar para dois personagens centrais da Paixão: Pedro e Judas.

Fotos: Canção Nova/João Paulo da Silva Ferreira
Muitos de nós carregamos o peso de erros passados, sentindo que não somos dignos do perdão divino.
Esse sentimento é grave, pois pode nos levar a recusar a própria graça de Deus. O tema desta reflexão é um convite para sairmos da sombra de Judas e caminharmos com Pedro: do remorso ao arrependimento.
O contraste entre dois discípulos
Para entender essa jornada, precisamos conhecer quem eram esses homens. Pedro, originalmente Simão (que significa frágil ou rachado), foi transformado por Jesus na “pedra” sobre a qual a Igreja foi edificada.
Ele era impulsivo, sanguíneo e explosivo, alternando entre momentos de grande fé e falhas humanas profundas, como quando tentou censurar o Mestre ou quando negou conhecê-Lo três vezes.
Já Judas Iscariotes era o único dos doze que não vinha da Galiléia. Ele nutria a expectativa de um Messias político que destruiria o império romano. Como tesoureiro do grupo, o “caixinha”, Judas permitiu que a ganância corrompesse seu coração, tornando-se ladrão antes mesmo de se tornar traidor por 30 moedas de prata.
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O remorso é um beco sem saída
O remorso é um sentimento que reconhece o erro, mas se fecha em si mesmo. Judas, ao ver Jesus condenado, sentiu esse peso e tentou devolver o dinheiro. No entanto, seu remorso não se transformou em busca por Deus. Ele se tornou desespero e autoflagelação psicológica.
O pecado está na recusa da misericórdia.
O grande pecado de Judas não foi apenas a traição, mas acreditar que sua culpa era maior que a misericórdia de Deus. Ao não aceitar a graça, ele deu brecha para que o inimigo entrasse em seu coração, culminando em sua trágica morte. O remorso permanente pune o pecador, mas não o liberta.
O arrependimento cura a alma
Diferente de Judas, Pedro, ao ouvir o galo cantar e cruzar o olhar com Jesus, chorou amargamente. Esse “choro amargo” é o sinal de um arrependimento profundo, doído, que não se afasta do Senhor, mas se humilha diante d’Ele.
O arrependimento é a mudança de atitude que leva à libertação. Pedro não ficou remoendo sua negação de forma soberba, ele permaneceu com os discípulos e buscou o consolo aos pés de Nossa Senhora, aguardando a restauração que só o Cristo ressuscitado poderia oferecer
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A restauração e a Pesca Milagrosa
Após a ressurreição, Jesus encontra Pedro à beira-mar. A pesca de 153 peixes simboliza que o perdão de Deus é para todos, sem exceção de espécie ou origem. Ali, Jesus pergunta três vezes: “Simão, filho de João, tu me amas?” Com essa tripla pergunta, o Senhor cura as três negações de Pedro.
Jesus não pergunta sobre o pecado, mas sobre o amor.
Ele nos ensina que, se houver contrição real, Deus apaga nossas faltas e delas não se lembra mais. Meus irmãos, não permitam que o pecado contra o Espírito Santo — que é a recusa da graça — domine suas vidas. Se você caiu em um buraco profundo, Deus está jogando a corda da misericórdia agora mesmo, basta segurá-la.
Não dê vitória ao inimigo! Se você cair, o Senhor te levanta. Procure o confessionário, deixe as lágrimas do arrependimento rolarem e experimente a paz de saber que, para Deus, o que importa é o seu “sim” de hoje. Volte-se para o Senhor, pois Ele é a sua luz e a sua salvação.
Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin





