Na celebração da Festa da Misericórdia, somos convidados a mergulhar no mistério do amor de Deus que não desiste de nós. A partir do Evangelho de João, contemplamos Jesus que, ao entrar no lugar onde os discípulos estavam escondidos por medo, traz a paz e revela Suas chagas como sinais de vitória.
O exemplo de Tomé e o perigo do isolamento
Muitas vezes nos assemelhamos a Tomé, que condicionou sua fé ao toque e à visão das feridas de Jesus. O erro de Tomé não foi apenas a dúvida, mas o fato de não estar com a comunidade
quando o Senhor apareceu pela primeira vez.
O isolamento, muitas vezes provocado pela dor e pelo sofrimento, pode nos afastar da experiência com o Ressuscitado. Como ensina a primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, a comunhão fraterna, a oração em comum e a fração do pão são as chaves para reconhecermos a presença de Deus em nosso meio. Nosso Senhor se revela e nos atinge com Sua força salvadora através da Igreja e dos irmãos.

Padre Alex Freitas / Festa da Misericórdia 2026 / Canção Nova – Foto: Reprodução Youtube / TV Canção Nova
O confessionário: o lugar da misericórdia real
Jesus soprou sobre os discípulos e lhes deu o poder de perdoar pecados, instituindo o sacramento da reconciliação. O confessionário é o lugar por excelência para encontrar a misericórdia. Não devemos nos afastar com a desculpa de que o sacerdote é pecador; ali, é a mão de Cristo que absolve
e o Seu sangue que nos reconcilia. A Igreja é o hospital onde encontramos o remédio para nossas fraquezas e a cura para corações feridos.
Ressignificando a dor: testemunhos de fé no luto
A misericórdia de Deus se manifesta de forma concreta na vida daqueles que enfrentam tragédias. Através dos relatos de Josiane e Patrícia, compreendemos que a fé é uma decisão diária, especialmente diante da perda de um filho.
- Josiane Leonel: Após perder sua filha de 17 anos de forma violenta, encontrou na Canção Nova o abraço da misericórdia. Hoje, ela serve na Pastoral da Esperança, levando conforto a outros que vivem o luto, entendendo que a dor pode ser ressignificada através da fé na ressurreição.
- Patrícia Barros: Um ano após o assassinato de seu filho, ocorrido no dia de seu aniversário, ela testemunha que é a fé que a mantém de pé. Mesmo em meio à tragédia, ela experimentou a “anestesia” de Jesus para caminhar e a conexão providencial com outras mães enlutadas no grupo “Somos Esperança”.
Leia mais:
.:Canto de alegria do peregrino
.:Libertos pelo poder da confissão!
.:Sois meu refúgio e minha cidadela
O papel da Igreja como mãe
A Igreja deve ser o espaço que acolhe a dor solitária das mães enlutadas. Assim como Nossa Senhora permaneceu de pé aos pés da Cruz, acreditando na ressurreição, essas mães são chamadas a transformar o “amor represado” pela perda em um amor direcionado ao serviço e ao próximo.
Sede instrumentos da Misericórdia
Não podemos viver parados em nossa própria dor. O Senhor Ressuscitado nos convoca a ser instrumentos de Sua paz e amor
. Embora carreguemos cicatrizes e chagas, a morte não tem a última palavra; o poder da ressurreição é o que nos impulsiona a continuar confiando e lutando. Que possamos, como Tomé, exclamar com convicção: “Meu Senhor e meu Deus!”.
Related Posts