Padre Renné Viana

Nem as pedras se calariam

Um chamado ao louvor e ao testemunho diante do Rei que entra em Jerusalém

Pregação: Padre Renné Viana

Ao contemplarmos a entrada de Jesus em Jerusalém, somos convidados a ir além de um simples relato bíblico. Estamos diante de um mistério profundo: o caminho de Cristo rumo à entrega total de Sua vida. Ele entra em Jerusalém para morrer, para se ofertar, mas com uma certeza que transforma tudo: a morte não tem a última palavra. Nem na vida de Jesus, nem na nossa.

Essa verdade nos impulsiona a mergulhar no Evangelho e compreender a grandeza do que somos chamados a viver.

O caminho até Jerusalém: um caminho de entrega

O Evangelho de São Lucas (cf. Lc 19,28-40) nos apresenta Jesus caminhando à frente dos discípulos, subindo até Jerusalém. Não é apenas um deslocamento geográfico, mas um caminho espiritual, um itinerário de entrega, amor e redenção.

Jesus envia Seus discípulos para buscar um jumentinho. Ele entra na cidade de forma simples, humilde, mas é acolhido como Rei. O povo estende mantos, ergue ramos e proclama com alegria:

“Bendito o Rei que vem em nome do Senhor!”

Esse momento, narrado nos quatro Evangelhos, revela algo essencial: Jesus é reconhecido como Rei. Mas não um rei qualquer, Ele é o Salvador.

Um povo que viu, acreditou e proclamou

O Evangelho de São João nos ajuda a entender o contexto dessa aclamação: antes de entrar em Jerusalém, Jesus havia ressuscitado Lázaro. O povo testemunhou os milagres, viu o poder de Deus agir, e por isso proclamava com fé.

Já em São Lucas, vemos um caminho pedagógico: Jesus sai da Galileia e sobe até Jerusalém, ensinando, formando, preparando os discípulos. Uma subida real, física e espiritual que culmina na entrega da cruz.

Hosana: um grito que precisa nascer do coração

“Hosana” significa: salva-nos. Era o grito dirigido a um rei, aquele que tem poder para libertar.

Ao aclamar Jesus, o povo expressa uma atitude de louvor. E aqui está um ponto essencial da pregação: o louvor precisa brotar também do nosso coração. Não apenas pelo que Deus faz, mas por quem Ele é.

Quantas vezes trocamos o louvor pela murmuração? Quantas vezes esquecemos de agradecer pelo dom mais básico: a vida?

“Se eles se calarem, as pedras clamarão”

Diante da manifestação do povo, os fariseus se incomodam e pedem que Jesus repreenda Seus discípulos, mas a resposta de Jesus é impactante: “Eu vos digo: se eles se calarem, as pedras clamarão”.

Essa frase revela uma verdade profunda: diante da presença de Deus, não é possível permanecer em silêncio.

Se nós não louvarmos, a criação louvará. Se nós não testemunharmos, até as pedras falarão.

Isso nos leva a um chamado direto: não podemos nos calar diante das maravilhas que Deus realiza em nossa vida.

Falar das maravilhas de Deus

Assim como existem pessoas que falam de tudo e de todos, nós deveríamos ser aqueles que falam, e muito!, das maravilhas de Deus.

Não para espalhar fofocas, mas para testemunhar:

  • o que Deus fez
  • o que Deus faz
  • quem Deus é na nossa vida

Quem faz uma verdadeira experiência com Jesus não consegue ficar em silêncio.

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