O amor que nos é revelado e nos acolhe

Dom Joaquim Wladimir Lopes / Festa do Pai das Misericórdias 2026 – Canção Nova – Foto: Reprodução Youtube / TV Canção Nova
O Evangelho de Marcos nos apresenta Jesus entrando no templo de Jerusalém e observando a figueira coberta de folhas, mas sem frutos. Essa imagem bíblica serve de pano de fundo para uma das verdades mais profundas da nossa fé: a descoberta de que somos amados pessoalmente por Deus.
O dilema da sociedade atual, viver como órfãos de Deus?
Vivemos em uma época marcada pelo cansaço e pelo individualismo. Em um mundo onde as conexões acontecem majoritariamente através de telas, muitas vezes perdemos a capacidade de olhar nos olhos e vivenciar uma comunhão verdadeira.
O problema central do nosso tempo não é a falta de informação sobre o sagrado. Muitos sabem sobre Deus, mas vivem como se fossem órfãos, sem experimentar a paternidade divina no cotidiano. É nesse cenário de barulho e pressa que a mensagem desta festa ecoa com força: “O Pai me ama”.
Fé não é ideia, é encontro com o amor de Jesus
Como bem recordou o Papa Bento XVI, a fé cristã não se resume a um código moral ou a uma ideia abstrata. Ela nasce do encontro real com a pessoa de Jesus Cristo. Quando alguém descobre verdadeiramente que é amado por Deus, sua perspectiva de vida muda radicalmente:
A maneira de rezar se transforma.
O tratamento dado ao próximo ganha nova dignidade.
O modo de enfrentar o sofrimento e olhar para si mesmo é renovado.
Quem tem essa segurança não precisa buscar desesperadamente por aprovação ou reconhecimento constante. Por trás de muitos sorrisos nas redes sociais, escondem-se corações feridos que só encontram cura nessa aceitação divina.
Para além das aparências, a lição da figueira e do Templo
Ao expulsar os vendedores do templo e repreender a figueira sem frutos, Jesus nos deixa um alerta atual: Deus não quer uma religião de aparências; Ele busca corações verdadeiros.
A figueira tinha folhas, mas não tinha frutos; o templo tinha movimento, mas não era casa de oração. Jesus não procura apenas os “costumes católicos” ou a “linguagem religiosa”, mas frutos concretos de: misericórdia, perdão, comunhão e amor prático.
O Santuário como escola de fraternidade
Um santuário deve ser mais do que um local para pagar promessas; deve ser uma escola de fraternidade. É o espaço onde quem carrega lutos silenciosos, dores familiares ou desânimo espiritual encontra acolhimento e a certeza de que o Pai vê suas lágrimas e nunca desiste de seus filhos.
A família cristã é o primeiro lugar onde o ser humano deve aprender a se sentir amado. Em um mundo de cobranças extremas, a experiência do amor no lar gera confiança e protege os jovens de buscarem compensações em caminhos vazios de sentido.
Da devoção à conversão pelo amor
O amor de Deus não é estéril; ele gera um compromisso. Não existe amor a Deus sem caridade concreta. A grande missão da nossa caminhada de fé é passar da devoção para a conversão, transformando o sentimento em atitude misericordiosa no trabalho, em casa e na comunidade.
Ser cristão não significa viver sem cruz ou dificuldades. O diferencial é atravessar a cruz sabendo que não se está sozinho. A certeza do amor do Pai nos dá força para enfrentar a realidade e confiar na providência divina, mesmo nas noites escuras da alma.
Ao iniciarmos esta caminhada, guardemos no coração a verdade que ninguém pode nos tirar: O Pai me ama. Amém.
Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin
Receba as informações sobre os Eventos por WhatsApp e Telegram.
Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:
HOSPEDAGEM | CAMPING | REGULAMENTO DO CAMPING | ALIMENTAÇÃO | CURSOS





