Você já se sentiu como a corça do Salmo 42? Ela vive no deserto e corre desesperadamente atrás de água pura porque consegue sentir o cheiro da água a dezenas de metros de profundidade. O segredo da corça é que, quanto mais longe da água ela fica, mais exala um odor forte, tornando-se uma presa fácil para os predadores.
Assim somos nós: quanto mais distantes da água que jorra do coração de Jesus, mais “fedorentos” ficamos na alma e mais suscetíveis ao “encardido”. Mas hoje, Deus quer nos dar uma nova chance através da Sua Infinita Misericórdia.
O chamado de Simão: do barco à missão
Em Lucas, capítulo 5, vemos Jesus subindo no barco de um homem chamado Simão. Após uma noite frustrante de pesca sem nada pegar, Simão ouve uma ordem absurda para um pescador experiente: “Avança para o fundo e lançai as vossas redes”. Pela palavra de Jesus, a rede se rompeu de tanto peixe, e ali Simão reconheceu sua pequenez: “Afasta de mim Senhor, porque sou um pecador”.
Jesus, porém, não queria o seu pecado, mas o seu coração, e lhe disse: “Não tenhas medo, de agora em diante serás pescador de homens”. Muitos de nós somos como Simão; já vimos milagres, curas e transformações, mas ainda vacilamos na fé.

Robsom Luís / Festa da Misericórdia 2026 / Canção Nova – Foto: Reprodução Youtube / TV Canção Nova
O Simão velho x o Pedro novo
Simão viu a ressurreição da filha de Jairo, a Transfiguração no Tabor e até caminhou sobre as águas. No entanto, foi o mesmo Simão que dormiu no Getsêmani e negou Jesus três vezes após prometer dar a vida por Ele.
Todas as vezes que falhamos e regredimos, voltamos a ser o “Simão Velho”. Após a morte de Jesus, Simão Pedro chegou a dizer “Eu vou pescar”, querendo voltar à sua vida antiga, ignorando tudo o que já havia experimentado. Mas a ressurreição mudou tudo. Na praia de Tiberíades, ao redor de uma fogueira — o mesmo cenário de sua negação — Jesus perguntou três vezes: “Simão, filho de João, tu me amas?“.
A Misericórdia que restitui a dignidade
Diferente de Judas, que caiu no desespero, Pedro se arrependeu. Jesus não perguntou “por que você falhou?”, Ele perguntou sobre o amor. É isso que a Festa da Misericórdia representa: a oportunidade de deixar o pecado para trás e deixar a graça superabundar.
Eu vivi essa realidade na pele. Antes de ser membro da Canção Nova, eu era envolvido com torcidas organizadas, drogas e bebidas. Certa vez, após um festival de chope, acordei na varanda de uma desconhecida e fui expulso com baldes de água gelada e vassouradas, fugindo todo sujo pelo meio do esterco.
Anos depois, já convertido, Deus me levou para pregar naquele mesmo vilarejo e acabei almoçando na casa daquela mesma mulher. Eu pude dizer a ela: “Um dia a senhora me expulsou cheio de pecado, hoje a senhora me acolhe com Jesus”. Onde abundou o meu pecado, a graça superabundou.
Como viver a Misericórdia hoje?
Jesus diz no Diário de Santa Faustina que não pode castigar nem o maior dos pecadores se ele recorrer à Sua compaixão. Quanto maior o pecador, maiores direitos ele tem à misericórdia de Deus.
- Sublime o seu pecado: Se você fofoca, use sua voz para pregar. Se você é carismático, trabalhe na acolhida da sua paróquia.
- Dê uma resposta de alma: Jesus te pergunta hoje, assim como perguntou a Pedro: “Tu me amas?”.
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