Esperança: A esperança não decepciona

Padre João e padre Antonelo
Foto: Daniel Machado/CN

Padre João Henrique: Estávamos, uma vez, na Praça da Sé em São Paulo, Eugênio Jorge foi lá ministrar a música. No mesmo momento havia um rapaz assaltando alguém próximo dali e, na mesma hora, Eugênio cantava aquela canção “Desperta, povo meu”, e, ao ouvir essa música, esse jovem assaltante se comoveu com as palavras da canção e percebeu que precisava despertar para um novo jeito de viver a vida. No outro dia, passando em frente à nossa casa, ele entrou e, pela forma que foi acolhido, se encontrou com Jesus e sua vida se transformou.

Este é o tempo em que precisamos colocar o nome de Cristo acima de tudo, contudo, nós, hoje, queremos propagar o nosso nome e não o de Cristo. Não podemos mais fixar os olhos naquilo que nos divide, o país está morrendo por causa de falta de profetas, precisamos acordar. É tempo de nos unirmos para salvar as vidas que estão morrendo. Há crianças que estão sendo destruídas pela pornografia, pela prostituição, pela injustiça. Famílias que estão sendo bombardeadas, destruídas de forma constante e programática. Precisamos nos juntar como cristãos, e não só como cristãos, mas como homens de fé. Os judeus, muçulmanos, espíritas e ateus têm conosco em comum esse mesmo anseio por justiça, precisamos gritar juntos ao mundo: Desperta!

Com 9 anos idade eu disse "sim" a Jesus, fiz minha primeira comunhão e logo surgiu o chamado a me tornar padre. Jamais me arrependi. É uma alegria que não tem preço.

Quando padre Antonelo e eu tínhamos aproximadamente 19 anos, encontramos um padre italiano que vinha do Belém do Pará, ele nos disse: "Lá onde eu trabalho, no Brasil, de 55 a 60% das crianças até 5 anos de idade morrem pela fome ou por doenças".

Como o Papa Francisco tem dito: "Não sejais telespectadores, mas protagonistas da evangelização". E assim, tivemos a graça de vir para o Brasil. Aqui já fui ameaçado de morte umas 5 vezes, eu digo então que não fui ameaçado de morte, mas de vida eterna. E eu faria novamente tudo o que fiz e estou fazendo tudo de novo.

Não podemos ficar acomodados, nossa escolha faz a diferença na história deste Brasil e do mundo, depende de mim e de você. Temos voz para gritar pelos que não a têm, nós precisamos lutar contra aqueles que estão maltratando nosso povo! Não podemos nos acostumar com o mal. As mídias nos bombardeiam com informações que, na verdade, não são informações, mas "desinformações", pois a maioria dos meios de comunicação hoje estão nas mãos do maligno. Deus vai perguntar um dia dos talentos que nos deu, e o que vamos responder a Ele? Não podemos aceitar tudo o que ouvimos sem antes saber se a informação é real.

Nós estamos numa sociedade apodrecida pelo maligno, mas nós somos de Cristo e temos de fazer a diferença. As manifestações religiosas e populares são maravilhosas, mas a mídia apresenta somente as brigas, as confusões com violências de pequenos grupos que não fazem parte daqueles que querem a justiça.

Existe um Projeto de Lei para julgar que qualquer manifestação no tempo da Copa do Mundo será considerada terrorismo, ou seja, eles querem calar o povo de Deus!

Em Romanos 5,5 diz: “5 E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.”

"Ninguém fala sobre os padres, missionários e irmãos evangélicos que são mortos a cada 5 minutos por causa do nome de Cristo!", denuncia padre João Henrique
Foto: Daniel Machado/CN

Esperar não é ficar de braços cruzados, isso se chama passividade, comodismo, egoísmo, preguiça…A esperança é fazer acontecer. Passamos por dificuldades, sim, mas a esperança não decepciona porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações. Esse amor é o Espirito Santo, que nos foi dado e Ele nos impulsiona a clamar pela verdade.

Quando um padre é acusado de pedofilia num lugar, no mesmo instante, do outro lado do mundo, já estão o acusando. Mas ninguém fala sobre os padres, missionários, irmãos evangélicos que são mortos a cada 5 minutos por causa do nome de Cristo.

Roberto testemunha: "Queria lembrar a todos um momento que marcou minha vida. Uma noite, em Belo Horizonte (MG), passando por uma praça principal, vi no chão uma menina deitada sobre um papelão. Essa menina chorava e cheirava cola, e disse que cheirava cola para não sentir fome. Chamei-a para comer, ela comeu e depois me agradeceu com um sorriso.

Em casa, refletindo sobre tudo isso, vi que não bastava ter pena, mas precisava tomar uma decisão de nunca mais deixar alguém necessitado sem uma ajuda. Se nós juntássemos todas as pessoas assassinadas na Síria, Palestina, Líbia, Afeganistão, não chegaríamos nem perto da quantidade de pessoas assassinadas no Brasil pela violência e principalmente pela falta de cuidados com a saúde do povo.

É inadmissível um país como este gastar apenas 4% de seu orçamento com a Saúde Pública! A corrupção é o maior vício que entrou neste pais e o adoeceu. Mesmo que nos falem que o país cresceu. É só você viajar pelo Brasil e ver que a única coisa que cresceu foi o número de favelas. Este país não precisa mais de mentiras, mas de pais que acolham esses filhos. Esse país é órfão. Precisamos que nossos governantes sejam nossos pais.

Nós precisamos que surjam mais pessoas como João Batista neste mundo, mesmo que terminem como ele, decapitados por gritar a verdade no deserto!"

Padre Antonelo: Você acredita neste testemunho? Queríamos hoje “soltar os cachorros”, mas se eu fizer isso não vão me convidar mais. Vou usar então as palavras do Papa Francisco. Então, veja o que ele diz: "Hoje devemos dizer 'não' a uma economia da exclusão e desigualdade social". Pergunto a você: É justo que determinadas pessoas recebam aumento de salário a cada 6 meses? O Papa ainda diz: "Não é possível que a morte de um idoso, sem abrigo, não seja notícia como é a descida de 2 pontos na bolsa". Não se pode tolerar mais o fato de se lançar comida no lixo quando há pessoas que passam fome. Por que devemos ver uma criança morrer de fome? Impossível que nossa alma não se revolte ao vermos isso. Não podemos ver crianças morrerem no lixo!

Em consequência dessa desigualdade social nós nos tornamos descartáveis, já não se trata simplesmente de fenômeno de exploração e opressão, mas de uma realidade nova. Com a exclusão fere-se na própria raiz a pertença à sociedade onde se vive; com a exclusão de todos parece que ganhamos uma grande conquista com um aumento de 70 reais de salário, enquanto outros recebem aumento só porque precisam viajar de avião tranquilos. Isso lhes parece justo?

"Não podemos ver crianças morrerem no lixo!", exorta padre Antonelo
Foto: Daniel Machado/CN

 

Não é justo que homens e mulheres vivam nas favelas! Os excluídos não somente são explorados, mas são tidos como "resíduos" de sobra. Queridos, precisamos falar, não queremos ser um povo morno, quando em Apocalipse diz: “você não é quente nem frio, eu te vomitei” , esta é Palavra de Deus para nós. Queridos, acordem!

Padre João Henrique: Olhem as cartilhas que seus filhos recebem nas escolas, não permitam que as escolas passem os valores que cabem aos pais passar aos filhos. Aquele SUS que não tem dinheiro para atender as pessoas que morrem nas filas, gastou milhões para lançar cartilhas para ensinar seus filhos a usar drogas corretamente e ainda aconselhando as crianças a conhecer os traficantes para saber se a droga é boa ou não.

Em uma prefeitura foram gastos 2 milhões em cartilhas que ensinam as crianças de 10 anos a se masturbarem. Jesus disse: “Ai daquele que escandalizar um desses pequeninos, é melhor se pegasse uma pedra, amarrasse no pescoço e se lançasse ao mar” (Mt 8, 1-10). Estão querendo fazer uma lei para que a prostituição seja liberada a partir dos 12 anos de idade. Católicos, evangélicos, homens de boa vontade, precisamos nos levantar!

 

Transcrição e adaptação: Elias Torquete Júnior


Padre Antonelo Cadeddu e Padre João Henrique


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