Como entrou o pecado no mundo?

Por causa do pecado original, perdemos a harmonia interior

Ricardo Ida Foto: Larissa Carvalho/cancaonova.com

É preciso cuidar para não perder a Deus dentro do próprio coração. E existe um jeito terrível para isso acontecer: por meio do pecado. A Palavra de Deus nos fala a respeito do pecado original. E o Catecismo da Igreja Católica, a partir do número 391, nos ensina que “por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus, a qual, por inveja, os faz cair na morte”.

Houve, então, a queda dos anjos que, por sua vez, “consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino”. O Catecismo, também, nos ensina que “é o caráter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte”.

Portanto, os espíritos malignos não se arrependem. Não há para eles a graça do arrependimento. E, assim, após a queda desses anjos rebeldes, eles vêm à terra. Tendo isso em mente, veremos o que nos ensina a Palavra de Deus:

A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?”. A mulher respondeu-lhe: ‘‘Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais’.” “Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal” (Gn 3,1-5).

Aqui está o início do chamado “pecado das origens”. Satanás, que havia perdido o Céu, agora investe para fazer com que os filhos de Deus, também, o percam.

Veja, meu irmão: a ação do demônio de tentar é uma ação ordinária. E o que significa, para o demônio esse ato de tentar? Significa fazer com que você se afaste de Deus. O inimigo quer lhe tirar dos braços de Deus! É, por isso, que não podemos manter diálogo com satanás. Porque ele é sorrateiro, astuto, mentiroso e assassino.

A astúcia do inimigo

Uma das maiores astúcias do demônio é fazer com que muitos não acreditem na sua existência. E, isso, infelizmente até mesmo dentro da Igreja! E, assim, o inimigo vai encontrando espaço para agir, pois, se não estamos atentos à sua ação maléfica, se não acreditamos que ele está a nos tentar, acabamos por não vigiarmos e evitarmos as suas armadilhas.

Como o Catecismo da Igreja nos ensinou, o demônio é essa “voz sedutora”. Por sua vez, essa voz sedutora, na hora em que estamos passando por uma tribulação, nos questiona: “Onde está o seu Deus? Por que Ele não veio ao seu auxílio?”. Meus irmãos, não podemos entrar em diálogo com essa voz sedutora, porque ela quer nos levar à perdição e à morte.

A Palavra de Deus nos assegura que “o salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Deus nos havia criado para a imortalidade, mas por causa do pecado original, a morte entrou na existência humana.

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O homem passa a viver em conflito, uma luta interior acontece. A concupiscência passa a fazer parte da vida humana, trata-se desse desejo que nos inclina ao mal. O sofrimento, também, passa a fazer parte da vida humana, por causa do pecado original.

Outra realidade, consequente do pecado original, é a de que o ser humano passa a encontrar dificuldades para corresponder à vontade de Deus. E como isso é verdade! Muitas vezes, fazer a vontade de Deus é uma verdadeira luta!

Por causa do pecado original, perdemos a harmonia interior, o equilíbrio nas relações. Então, surgem as brigas conjugais, os ciúmes, as invejas, as maledicências.

A graça santificante

Outra terrível consequência do pecado original para o homem: ele perde a graça santificante. O que é isso? É a própria vida de Deus no homem. E ele perde isso, por causa do pecado original. Por isso, para recuperar essa vida divina dentro de si, o que o homem deve fazer? Ele deve ser batizado!

Veja só a importância do Sacramento do Batismo! Por meio dele, o ser humano recebe o Espírito Santo e passa a ser filho de Deus por adoção. Por meio do Batismo, o pecado original é perdoado. O homem começa a participar da graça de Deus. É restituída ao homem novamente: a graça santificante, a graça que um dia fora perdida. Que coisa maravilhosa, meus irmãos, é nos mantermos em uma vida sacramental!

Porém, todas as vezes que caímos no pecado mortal, perdemos a graça santificante. E, sem essa graça, o homem está fadado ao inferno. Literalmente, o homem passa a viver na desgraça, porque perde a sua participação na vida divina. Por esse motivo há a importância de outro sacramento da Igreja: o Sacramento da Confissão, o Sacramento da Penitência. Pois, por meio dele, é restituída, a nós, a graça santificante, quando nos arrependermos e buscarmos o sacerdote. Quando recebemos a absolvição dos nossos pecados, recuperamos a graça perdida.

O Senhor, também, nos concede auxílios sobrenaturais e momentâneos para crescermos na graça santificante. A esses auxílios chamamos de graças atuais. Então, perceba, meu irmão: o Senhor está lhe concedendo um auxílio momentâneo. Entenda, com esta palavra — momentâneo — que essa graça também passa!

Portanto, agora é a hora de você se decidir pela conversão, por uma mudança de vida. Não desperdice essas graças que o Senhor lhe concede. Deus está lhe dando graças agora, pois, o interesse do Senhor é a sua salvação.

Converta-se, meu irmão! Você foi criado para viver uma amizade com Deus. Ele te ama. E, isso, jamais será pouca coisa!

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Transcrição e adaptação: Alexandre Oliveira

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