As batatas se tornam rosas
O valor do sacrifício escondido e da vida ordinária

Suellen Moro / Festa da Misericórdia 2026 – Canção Nova – Foto: Reprodução Youtube / TV Canção Nova
Como é bom mergulharmos no mistério da misericórdia de Deus! Na pregação vivida na Festa da Misericórdia, somos convidados a enxergar com olhos espirituais os bastidores da nossa vida e da nossa fé. Antes de qualquer coisa, é preciso entender que tudo ao nosso redor pode ser um sacrifício agradável a Deus.
Tudo é sacrifício na beleza do escondimento
Se você olhar com atenção, tudo é fruto de entrega. A cadeira em que você senta, o telhado que o cobre, as luzes e as câmeras que levam a evangelização a tantos lares: tudo isso é mantido pelo sacrifício de um povo que muitas vezes doa tudo o que tem, ainda que sejam apenas R$ 2,00.
Até mesmo uma rosa decorando o altar é sacrifício. Muito antes de ser contemplada por uma multidão, alguém plantou, cuidou e cultivou aquela rosa no escondimento. Quando ela estava aos pés do ambão, sem ser o foco das atenções, ela já era uma oferta. O sacrifício começa muito antes de ser visto. Muitas pessoas que nos acolhem nas obras de Deus estão servindo no silêncio, assim como aquela rosinha escondida.
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Não tenha medo de pedir a graça
Deus possui um itinerário perfeito para nós. Durante a Festa da Misericórdia, somos levados passo a passo: desde o convite para a festa até a união com os sofrimentos de Cristo, culminando no grande júbilo. No entanto, não precisamos esperar o final do processo para clamar a Deus. O milagre acontece no ordinário, no “aqui e agora”.
A única coisa que nos impede de pedir é a falta de confiança. Muitas vezes, intercedemos por tantas almas e nos esquecemos de nós mesmos. Mas é preciso ter a coragem de entrar debaixo da graça de Deus e pedir: “Eu quero graças ainda maiores”. Mesmo diante da dor e das provações, devemos ter a audácia de afirmar, como Maria Madalena: “Eu vi o Senhor!”.
A humilhação que salva almas
Nossos sofrimentos não são em vão. Enfrentar uma depressão, por exemplo, pode ser mais desafiador do que lidar com um câncer. O câncer é visível, deixa marcas físicas claras onde os outros conseguem ver a graça de Deus agindo em nós. Já a depressão é uma dor invisível, uma luta interior que muitas vezes nos humilha, fazendo-nos sentir incapazes de realizar as tarefas mais simples.
Mas existe um segredo espiritual profundo: se essa humilhação interior não se transformar em revolta, ela se torna salvação. A chaga insuportável vivida com a graça salva almas. Não desperdice nenhum dos seus sofrimentos! Se você está cansado e não dá mais conta, oferte essa dor a Deus.
O milagre de Santa Faustina das batatas que viraram rosas
O Diário de Santa Faustina nos traz um exemplo belíssimo (Parágrafo 65). Durante seu noviciado, Faustina foi designada para a cozinha e sentia imensa dificuldade para escoar a água das batatas. Muitas vezes, as batatas caíam fora da panela, gerando desperdício e frustração. No exame de consciência, ela se queixou a Deus de sua falta de forças.
Atenção: queixar-se a Deus é muito diferente de murmurar. É apresentar a nossa verdade, dizendo: “Jesus, a panela é muito pesada e sozinha eu não consigo”. E o Senhor ouviu a sua queixa, prometendo-lhe força. Cheia de confiança, Faustina correu para escoar a água das batatas e, ao abrir a panela, em vez de batatas, encontrou lindas rosas. As rosas são os frutos das nossas ofertas! O Senhor se antecipa às nossas necessidades; a obra não é feita pela nossa força, mas pela graça dEle. E Deus nunca faz as coisas pela metade.
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A salvação no ordinário
Não são apenas os grandes mártires ou missionários que salvam almas. Faustina não pedia mortificações gigantescas; ela oferecia os pontos do seu crochê pela conversão dos pecadores. Jesus a lembrou de que, por 30 anos, Ele salvou almas com trabalhos ocultos e simples em Nazaré.
Segundo o Papa Pio XII, a salvação de muitos depende dos sofrimentos, orações e sacrifícios voluntariamente aceitos por outros membros da Igreja. O nosso suor e as nossas lágrimas são essenciais.
Você salva almas lavando louça, sofrendo humilhações no trabalho, cuidando dos seus filhos na maternidade ou pegando um ônibus lotado.
Se não formos fiéis em salvar almas na pia da cozinha,
não salvaremos num palco.
Seja um intercessor obstinado nos pés de Jesus. Implore para que Ele arranque as almas das garras do mal e as leve para o Céu. O próprio Padre Jonas Abib nos ensinou que, através do sofrimento e até mesmo da depressão, Deus nos coloca numa escola de crescimento e adoração.
Portanto, entregue o seu sacrifício ao Senhor com confiança. Não se acostume com o sofrimento a ponto de não pedir a cura, mas oferte-o por amor aos irmãos. Corra para a sua panela diária, viva o seu ordinário com amor e diga ao mundo com toda a fé: “Eu vi o Senhor!”
Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin
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