Pe. Roger Luís

Santa Eucaristia o remédio que cura a alma

Pela Santa Eucaristia alcançar a restauração

Padre de óculos e casula verde, segurando um microfone com as duas mãos durante uma pregação. Ele está no presbitério, ao lado de um ambão com uma toalha branca bordada. tema: "Santa Eucaristia o remédio que cura a alma"

Pe. Roger Luís / Acampamento de Corpus Christi – Canção Nova – Foto: Reprodução Youtube / TV Canção Nova

Muitas vezes, nossa caminhada de fé parece oscilar. Começamos o dia cheios de fervor, mas logo nos vemos engolidos pela rotina. No 10º Domingo do Tempo Comum, a Liturgia da Palavra nos convida a olhar para dentro e avaliar a qualidade da nossa entrega. Deus sempre toma a iniciativa, mas qual tem sido a nossa resposta?

A fragilidade do amor e o perigo das aparências

Na primeira leitura, o Senhor compara o amor do povo daquela época a uma nuvem pela manhã, como o orvalho que logo cedo se desfaz. É a perfeita imagem da neblina, aquela que cobre as montanhas logo cedo, mas desaparece assim que o sol brilha com mais força. Essa metáfora descreve perfeitamente a nossa fragilidade.

O Senhor nos faz um questionamento direto: Verifica o nível do seu amor por mim. Ele não pode ser como a neblina.

Quantas vezes fazemos promessas a Deus, assumimos compromissos na Igreja, mas não perseveramos? “Eu quero amor e não sacrifícios. Quero o conhecimento de Deus mais que holocaustos” (Oséias 6, 6).
O conhecimento que Deus pede não é meramente intelectual, teológico ou filosófico. Há muitas pessoas que conhecem a Deus apenas no campo da razão, mas o coração permanece distante. O conhecimento bíblico exige intimidade, experiência e uma decisão concreta de vida unida ao Senhor.

Santa Eucaristia o caminho para a perseverança

Vivemos dias de grandes dificuldades, especialmente no que diz respeito à perseverança e à prática religiosa interior. Vemos uma profusão de comportamentos exteriores estereotipados, mas uma escassez de piedade autêntica que transforma a vida de dentro para fora.

Na segunda carta de Paulo a Timóteo (capítulo 3), o apóstolo descreve os sinais morais da humanidade nos fins dos tempos. No versículo 5, ele alerta sobre aqueles que viverão uma aparência de piedade, mas contradirão esse mistério com as próprias ações. O conselho de Paulo é drástico: “Foge dessa gente”.

  • Falta de oração profunda: Uma espiritualidade rasa não sustenta ninguém nos dias maus.
  • Ausência de adoração: O distanciamento do Santíssimo Sacramento enfraquece a alma.
  • Falta de comunhões fervorosas: O hábito de receber a Santa Eucaristia correndo, sem ação de graças e pensando nas coisas do mundo, esvazia os frutos do sacramento.

Ao receber o Corpo de Cristo, muitos não dialogam com Aquele que acabou de entrar em seus corações. Sem essa comunhão profunda, o contratestemunho aparece e o cristão se torna presa fácil para as armadilhas do mundo, dos vícios e das próprias paixões carnais.

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Entrar na frequência de Deus

O sistema do mundo — que opera na frequência do anticristo — trabalha ativamente para destruir a intimidade e a comunhão com Deus, treinando pessoas fracas e vulneráveis.
Para quebrar esse ciclo, precisamos sintonizar as batidas do nosso coração com o compasso do Coração de Jesus. O remédio deixado pelo profeta Oséias é claro: é preciso saber segui-Lo para reconhecer o Senhor.

O chamado de Mateus da miséria à ressurreição

Olhe para o exemplo do Evangelho. Jesus encontrou Mateus (Levi) na coletoria de impostos. Para a multidão, ele era um pecador público detestável; para Jesus, ele era um escolhido, um apóstolo, um evangelista.

Jesus não olhou para o passado negro de Mateus, mas para o que ele poderia se tornar. Ao ouvir o chamado “Segue-me”, a reação de Mateus foi imediata. No grego original, a palavra usada para o movimento de levantar-se é anastós, o mesmo verbo utilizado para a ressurreição. Ao seguir Jesus, Mateus ressuscitou da condição de pecado para uma vida em abundância.

A mesa do Altar é lugar de cura

Como palavra profética para o encerramento deste Acampamento Corpus Christi, o Senhor declara: “A minha mesa cura.” O altar do sacrifício é o lugar onde Deus se senta com os feridos. Você não foi criado para viver de migalhas, mas para participar do banquete. A mesa humana pode ser palco de divisões e traições, mas quando Jesus ocupa a mesa, ela se transforma em altar de misericórdia.

Na Santa Eucaristia encontramos cura das nossas cegueiras

Assim como aconteceu com os discípulos de Emaús, que estavam decepcionados e deprimidos, os nossos olhos se abrem ao partir do pão. Quando nos aproximamos da mesa em estado de graça — confessando e comungando frequentemente —, recebemos a cura da nossa cegueira espiritual. Passamos a enxergar as artimanhas do inimigo, mas também passamos a ver a presença de Deus agindo no meio das nossas tempestades e tribulações.

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Quem não Adorar, não vai Aguentar

Resgatando a profecia do saudoso Padre Jonas Abibe: “Quanto mais se aproximar a vinda do Senhor, mais difícil ficará. E quem não adorar não vai aguentar.” Se você quer vencer as doenças espirituais do sistema do mundo e colocar a sua vida no compasso do coração de Cristo, firme seus passos ao redor da mesa.

Busque a confissão, viva comunhões fervorosas, gaste tempo diante do sacrário e deixe que a Mesa do Senhor cure e santifique a sua história rumo à eternidade. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado.

Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin

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