A família como instituição natural
A família, segundo a compreensão da Igreja, mas não apenas da Igreja, segundo o pensamento de todos os filósofos clássicos e de toda a literatura pré-cristã, é uma instituição natural.
O que eu quero dizer com instituição natural? Quero dizer basicamente o mesmo que Aristóteles diz no seu livro A Política. Ou seja, o Estado não surge do nada. Primeiro, antes que o Estado exista, você precisa de uma unidade chamada família. Essa unidade precisa dar certo. Uma vez que esta família é uma unidade firme, sólida, então outras famílias vão se agregando.
Surge uma vila. Várias vilas vão se agregando, surge uma cidade. Várias cidades vão se agregando, e surge um Estado. Essa é a compreensão de Aristóteles sobre a gênese do Estado.
A família antiga e seu modo de vida
Um homem e uma mulher resolvem constituir uma sociedade de vida comum chamada matrimônio. Resolvem se casar.
Eles se casam, vão para uma localidade não habitada e fazem ali a sua casa. Essa casa não é simplesmente um apartamento, não é apenas um cubículo pequeno onde moram poucas pessoas. É uma casa grande, onde moram tantos filhos quanto eles puderem ter.
E, justamente para a sobrevivência, aquela família trabalha junta em um ofício. Na família antiga, todos compartilhavam, mais ou menos, da mesma ocupação. Havia famílias de metalúrgicos, famílias de agricultores, famílias de pastores, de ourives, de tecelões e assim por diante.
O trabalho era entendido de maneira familiar.
O casamento como empreendimento comum
A essa família se agregavam empregados, pessoas que ajudavam na produção. Aristóteles, inclusive, fala que o homem governa a casa por fora e a mulher governa a casa por dentro. Os dois precisam ter uma unidade tão grande, que entendam o casamento como um empreendimento.
Dizendo com outras palavras: o negócio da vida é o casamento, é a família. Isso significa também um modo de viver.
Esse tipo de família, entre trancos e barrancos, predominou em toda a Antiguidade e em todo o período medieval. Com muitas acidentalidades, com muitos problemas afinal, a vida é tudo menos simples.
A cidade moderna
É uma circunscrição geográfica onde há trabalhos e serviços. Empresas contratam mão de obra e serviços atendem a população trabalhadora. Em torno da cidade, surgem os subúrbios, onde os operários vão morar.
Nesse modelo, a família já não é mais a célula-mãe da sociedade. O pai trabalha em um lugar, a mãe é obrigada a trabalhar em outro, os filhos seguem caminhos diferentes. A casa vira apenas um dormitório.
As pessoas se encontram à noite para dormir, no máximo para jantar. Passam a semana inteira longe umas das outras.
O adoecimento da família
Com esse enfraquecimento, a família precisa diminuir de tamanho. Não há espaço, não há trabalho, não há condições para todos. A família vai se fragilizando e começa a adoecer.
É nesse contexto que explodem o divórcio, os abusos familiares, a violência doméstica e as relações patológicas dentro do lar.
Em meados do século XIX, começa a surgir uma crítica à família. Ela já não é mais vista como uma instituição natural, mas como algo secundário. A verdadeira célula da sociedade passa a ser a empresa.
O texto acima corresponde a trechos da pregação. Para uma compreensão integral do tema, recomendamos assistir à pregação completa.
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