Precisamos dar frutos bons

Nós precisamos ser bons! Precisamos dar frutos bons!

Padre José Augusto. Foto: Cancaonova.com

Padre José Augusto. Foto: Cancaonova.com

Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons. Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem uvas de plantas espinhosas.” (Lc 6,43-44)

Jesus está nos fazendo uma provocação neste Evangelho: será que eu sou bom mesmo? Jesus está nos dizendo que nós somente vamos saber quem é bom e quem é ruim por aquilo que se faz, pois, de uma árvore boa, não se tira frutos ruins, mas frutos bons. Da mesma forma, de uma árvore ruim só se vai tirar frutos ruins.

Jesus acrescenta, dizendo: “nem todo aquele que me diz ´Senhor, Senhor´, vai entrar no reino dos céus”. Isso quer dizer que há pessoas ruins que O adoram, que O procuram, pessoas ruins que dizem: “Jesus eu te adoro, Tu és o meu Senhor”. E há pessoas boas que dizem a mesma coisa… Será que você está incluído onde? Dentre aqueles que dizem que adoram Jesus, que rezam o terço, mas que, quando chegam em casa, os que moram conosco dizem: “a jararaca chegou”?

Precisamos dar frutos bons!

A minha vida com Deus deve gerar frutos bons! Se eu participo da missa, se eu rezo o terço, se eu comungo, quando eu chego em casa as pessoas deveriam dizer: “que bom que você chegou, você fez tanta falta”. Quando você chegar em casa depois deste acampamento, o que será que vão dizer de você? Nós temos que viver o que o Senhor quer que nós vivamos.

Vou falar sobre dois homens: um que é de igreja e o outro que não é. Na Jornada Mundial da Juventude deste ano, o Papa Francisco foi pra Polônia e lá ele foi visitar o campo de concentração de Auschwitz. Ele entrou no campo em silêncio, sentou-se, abaixou a cabeça e começou a rezar. Ele ficou um bom tempo ali rezando. Depois, ele se levantou, continuou a caminhada dele, e entrou numa sala escura, onde São Maximiliano Kolbe morreu de fome. Ele chegou, sentou-se na cadeira e, mais uma vez, ficou ali parado rezando. Ao se levantar, ele saiu e escreveu num caderno de memórias: “Senhor, tem piedade do teu povo. Senhor, perdão por tanta crueldade”.

O que foi que aconteceu naquele lugar? Um homem, chamado Hitler, deu frutos maus. Na cabeça dele, Hitler achava que tinha que formar uma raça pura. Por isso ele saiu matando tanta gente, os judeus, os poloneses e tantos que também sofreram. Fala-se que foram 6 milhões de pessoas que morreram lá! Morreram de fome, assadas, jogadas ao fogo, outras eram enterradas vivas… que fruto, meu Deus, que fruto ruim! Quanta maldade feita! Não estou aqui para julgá-lo, mas para dizer: olha quanto fruto ruim! Muitas pessoas até hoje são marcadas por tudo isso e foi por elas que o Papa Francisco rezou, por tantas pessoas que sofreram lá, que morreram lá. Um fruto ruim.

Agora vou falar de um outro homem: São Francisco. Totalmente o inverso de Hitler. Se um mata, o outro recupera. São Francisco viveu numa sociedade onde havia leprosos, pessoas que eram deixadas de lado, esquecidas. O próprio Francisco tinha nojo, tinha medo de pegar lepra. E, num ato de superação, ele vai além da repugnância e beija o leproso. A partir de então, ele começa a cuidar dos leprosos, a cuidar das feridas, cuidar da saúde, saía por Assis pedindo esmola para dar de comer e beber aos leprosos. Deu frutos bons! Jesus fala que pelo fruto se conhece a árvore, pois nem todo que diz ´Senhor, Senhor´ entrará no Reino dos céus…

Padre José Augusto preside Santa Missa na Canção Nova. Foto: cancaonova.com

Padre José Augusto preside Santa Missa na Canção Nova. Foto: cancaonova.com

Quais frutos você tem dado?

Meus irmãos, a quem você está fazendo o bem? Eu pergunto para vocês, mas pergunto para mim também “que fruto eu, Padre José Augusto, estou dando como sacerdote”? Quantas vezes a maldade dentro de mim impera. Eu, que celebro missa, que rezo terço todo o dia, que leio as Sagradas Escrituras, mas que tantas vezes dou frutos ruins.

Um dia eu tava saindo às pressas, indo para o refeitório, morrendo de fome. Daí um homem me parou pedindo dinheiro, pedindo um almoço pra comer e eu o descartei porque eu estava com fome. Olha que maldade?? Nem todo que diz ´Senhor, Senhor´, entrará no Reino do céus… Eu aqui, bem eu, “o bonitão aqui”, que santidade é essa? Nem atenção eu dei pra ele. Que ato ruim! Depois fiquei morrendo de remorso.

Mas eu também tenho os meus atos bons. Um dia eu estava no posto Padre Pio em pé, de batina, e um irmão de rua passou por mim e me chamou “padre, o Senhor poderia me dar uma passagem? Eu preciso ir pra Itajubá”. Daí eu pensei comigo: “mas só tem passagem pra Itajubá em Aparecida”. No mesmo instante, eu o coloquei dentro do carro e o levei até Aparecida. E, na estrada, ele foi dizendo que acabava de cumprir a pena, que acabava de sair da delegacia porque havia matado uma pessoa. Eu não fiquei com medo e propus que rezássemos um terço, o que ele imediatamente aceitou. Ele estava até com o terço na mão, mas ele não sabia rezar. Fomos assim até Aparecida. Chegamos lá, comprei a passagem para ele e dei um dinheiro para ele comprar um café. Por que eu estou falando isso? Porque, meus irmãos, eu preciso melhorar! Eu preciso crescer na santidade! Eu não posso ser uma pessoa má, eu preciso ser uma pessoa boa. Como você também precisa ser uma pessoa boa. Você está sendo bom?

Agora eu tenho mudado: quando alguém me para na rua, eu dou atenção. Pelo menos atenção! O Papa Francisco nos pergunta se temos coragem de tocar o pobre, o sujo. E eu tenho tentado fazer isso. É fácil abraçar quem tá todo perfumado, todo limpo, mas o inverso é muito difícil…. Vamos ser bons?

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Decida-se a ser bom

Espero que, quando você voltar pra casa, as pessoas digam: “nossa, como você melhorou! Como você é bom! Eu até quero ir nesse acampamento na Canção Nova porque funciona, dá jeito nas pessoas”. Nós precisamos ser bons! Frutos bons, precisamos dar frutos bons! Se você não está sendo bom, vamos ser a partir de hoje? Vamos melhorar a partir de hoje?

Madre Teresa de Calcutá passou a vida fazendo o bem. São João Paulo II também. Se eles conseguiram, porque você não pode conseguir também? Eles eram todos iguais a nós, todos filhos de Deus. Mas teve um dia que eles decidiram: “eu quero ser bom, quero fazer coisa boas”.

Tem uma história de um avô que disse um dia para seu neto: “dentro de nós há dois homens, um bom e um mau. No final da vida, qual dos dois vai ganhar?”. E eu pergunto para vocês: no final, quem é que vai ganhar? É simples: vai ganhar aquele que você mais alimentar! Se você der de comer ao homem mau que tem dentro de você, ele vai ficar forte e, assim, o homem bom vai morrer. Então, eu preciso alimentar o homem bom dentro de mim para que o mau morra. Você está alimentando quem?

Dê bondade, dê amor, mesmo que você não receba nada em troca, faça a sua parte. Ao menos quando você morrer, as pessoas vão dizer a verdade “era um homem bom”.

Vou terminar com uma outra história, porque isso grava no nosso coração diante do Evangelho de hoje: Um homem vinha dentro de uma Ferrari, estava dirigindo e mostrando para todo mundo que ele tinha um carro maravilhoso. De repente, uma pedra grande bate e amassa a lateral do carro dele. Ele para o carro, sai enfurecido e, ao avistar um garoto, sai correndo e pega o garoto pelos colarinhos, dizendo: “você amassou o meu carro, é caríssimo!! Olha o que você fez!”. O menino apontou para longe e disse: aquele ali no chão é meu irmão. Ele anda de cadeira de rodas e sou eu quem o leva para todos os lugares. Mas ele é muito pesado e eu acabei o derrubando no chão. Todo carro que passava, eu chamava para tentar me ajudar, mas ninguém me dava atenção. Foi então que eu peguei aquela pedra e atirei no seu carro, para fazer você parar e nos ajudar”. O rapaz foi soltando o garoto, foi até o irmão dele, pegou-o do chão, colocou-o na cadeira de rodas, deu um abraço nos dois e foi embora em seu carro. Esse homem nunca mais desamassou aquela lateral do carro, para que se lembrasse de pensar mais no outro e não apenas em si próprio.

Vamos ser bons? Vamos ser santos? Eu digo para mim: Padre José Augusto, seja bom! Porque o senhor celebra a missa, reza o terço, mas nem todo aquele que diz ´Senhor, Senhor´, entrará no Reino dos céus, só os bons… esses sim entrarão! Eu quero ser santo.

Que árvore você é? Que árvore eu sou? Só Deus é quem sabe. Mas o que posso dizer a vocês, meus irmãos, é que não está sendo fácil deixar esse homem ruim que há em mim com fome, para que ele morra. Mas eu preciso alimentar apenas homem bom, eu preciso. Eu preciso!

Transcrição e adaptação: Aline Carbonari

Adquira essa pregação pelo telefone (12) 3186-2600
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Padre José Augusto


Sacerdote da Comunidade Canção Nova

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