Deveria rezar mais, mas me falta tempo

Existem diversas formas de rezar

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Rodrigo Luiz – Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Muitas vezes, a família tem diferenças, e isso não é ruim, pois as discrepâncias nos levam a viver de maneira mais saudável. É bom que a criança conviva com outras crianças, com idosos e vice-versa.

O lema da minha família é: “O Senhor vos conceda que o amor entre vós para com todos aumente e transborde sempre mais” (1 Tessalonicenses 3,12). A família não pode ser fechada em si mesmo, precisa acolher a todos.

O tema desta pregação é: “Deveria rezar mais, mas me falta tempo”. Essa é uma frase do Papa, e nós podemos nos identificar com ele.

As palavras do Santo Padre contagiam-me, pois elas têm a facilidade de nos ajudar a fazer um exame de consciência. E nós precisamos ter a consciência de que nos falta tempo para rezar. No entanto, se percebemos isso, já haverá disposição em nosso coração para orarmos.

Muitas vezes, encontramos desculpas para não rezar: frio, sol, calor, estudos, trabalho ou falta dele, cansaço, sono… O Papa Francisco diz que o coração humano procura sempre a oração, e quando não a encontra, não tem paz.

Alguma vez você já se sentiu inquieto, sem paz?

Quando isso acontece, queremos culpar os outros. Mas a resposta para nossa inquietação está na busca de Deus; se não O encontramos, falta-nos quietude. Quando voltamos nosso coração, pensamentos e forças para o Senhor, permanecemos tranquilos.

“Amarás o Teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua mente e com todo teu entendimento” (Deuteronômio 6,5). Essa ordem que Deus nos dá diz respeito a uma necessidade humana. Sendo bem sincero com nós mesmos, quem consegue amar a Deus com todo o coração, força e alma? Não conseguimos 100%, mas vale a pena tentar.

Peregrinos participam da quinta-feira de adoração. - Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Peregrinos participam da Quinta-feira de Adoração. – Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

 

Manter o coração e os pensamentos em Deus

No livro “Relatos de um peregrino russo”, o homem ouviu a passagem que dizia: “Orai sem cessar” e começou a buscar todos os mosteiros e igrejas, mas percebeu que, por vezes, distraia-se, e não era possível rezar assim. Esse homem descobriu que a oração não estava restrita a um lugar,  mas sim em manter o coração e os pensamentos em Deus.

O encontro com um acontecimento, com uma pessoa é o que dá sentido à nossa vida. Poderíamos dizer que amamos Deus respeitando os mandamentos, e isto é ótimo, mas precisamos amá-Lo com todo nosso afeto.

Papa Francisco faz algumas perguntas:

“Quem ama um pouco o Senhor? Nós nos comovemos com Deus? Nós O admiramos? Com quem e com o que temos gastado nosso tempo em admiração? Temos carinho para com o Senhor?”. Essas perguntas nos ajudam a perceber onde estamos e onde queremos chegar. Vejo Deus apenas como um grande ser distante ou alguém que está perto? O senhor quis tanto estar perto, que se tornou Homem no meio de nós.

O Santo Padre diz que quem tem o coração habitado por Deus nunca está longe. Para exemplificar, Ele nos coloca coisas simples, como o fato de passarmos em frente à Igreja e jogarmos um beijo para Jesus. Isso é estar em Deus!

A família deveria ser indicada ao prêmio Nobel, porque ela consegue transformar 24 horas em 48, é a multiplicação por graça de Deus que acontece em nossas famílias.

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A família é um caminho seguro para a santidade

Podemos ver isso nos pais de Santa Teresinha e em Santa Giana Beretta. Para Santa Giana, o sacrifício era não ir à Missa cedo, pois tinha quatro filhos e onde morava era inverno. Ela fazia essas ofertas para viver bem o ambiente da vida doméstica. Santa Giana foi um bom exemplo para a vida em família,  abriu mão da própria vida para que a filha sobrevivesse.

Para o Papa Francisco, a união dos pais de Santa Teresinha era conjunta.

Se temos dificuldades de ir à capela, devemos levar um livro, a Bíblia, rezar um Salmo para aquietar o nosso coração. Santo Agostinho diz que o nosso desejo é a oração; na vida espiritual, se não avançarmos nisso, regredimos. Portanto, precisamos continuamente orar.

O nosso amor também é oração. Quando a mãe amamenta o filho, quando o idoso caminha com dificuldade até a Igreja, quando visitamos um doente, isso tudo é oração. Tanto é oração que, quando fazemos uma obra de misericórdia, estamos lucrando indulgências.

Jesus escolheu crescer em uma família, na carpintaria de José e ao lado de Maria. Ali foi a escola de Cristo, onde Ele aprendeu a trabalhar e rezar.

O Magnificat de Maria era o transbordamento da Palavra de Deus, e isso foi ensinado a Jesus. Nossa oração sempre nasce da intimidade e do amor à Palavra de Deus.

Quando falo em ouvir a Palavra de Deus, nem é tão necessário saber ler. Nossos avós não sabiam ler, porém passaram a fé para os netos mesmo assim, porque ouviam atentos a Deus.

Volto a dizer o que disse no início: é das diferenças que surge a sanidade da família. É a partir disso que ela pode crescer.

 


Rodrigo Luiz dos Santos


Missionário da Comunidade Canção Nova

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