O primado de Pedro e a infalibilidade papal
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado. É uma grande alegria estarmos juntos nesta manhã. Sábado é sempre dia de Nossa Senhora, então é bom começar lembrando dela. O tema central desta pregação é o primado de Pedro, ou seja, o Papa. Se há algo que distingue os católicos, é a nossa identidade, nossa união e nossa fidelidade ao Papa. Contudo, é fundamental entender o que é o Papa, pois muita gente o transforma em uma abominação.

FOTO: Larissy Costa / Canção Nova
O que você vai aprender nesta pregação?
1. O Primado de Pedro e o Papado
2. O que é a Igreja: A Humanidade que participa da Natureza Divina (o ferro e o fogo)
3. A visibilidade da Igreja e a Sucessão Apostólica
4. O significado e os limites da Infalibilidade Papal e Dogmática
5. Graus de obediência e respeito ao Magistério da Igreja
Muitas pessoas têm uma caricatura do Papa, imaginando que, se ele decide que branco é branco e, de repente, acorda de mau humor e diz que o branco é preto, um bilhão de católicos no mundo todo tem que mudar de ideia. Se o papado fosse isso, ele seria uma abominação, pois seria bilhões de pessoas se submetendo ao capricho de um ser humano. Essa caricatura é o que as pessoas pensam que o Papa é, mas o Papa não é nada disso. O objetivo desta pregação é ver o que é o Papa e o que é a infalibilidade papal para sairmos daqui confirmados na nossa fé.
A natureza da Igreja: o ferro e o fogo da divindade
Para entender quem é o Papa, precisamos saber quem é a Igreja e o que é a Igreja.
O problema da felicidade humana e o pecado
Deus, na sua infinita bondade, quis que a humanidade participasse da sua felicidade divina – essa é a boa notícia, o Evangelho. Nós, marcados pelo pecado, não temos a felicidade de Deus no céu. As pessoas erram ao pensar que o céu é um direito. Mesmo que fôssemos sem pecado nenhum, não teríamos o direito de ir para o céu. Teríamos direito à felicidade humana, que é mais que a felicidade canina, mas é diferente da felicidade angélica ou divina.
Nós não temos direito à felicidade divina; temos direito a ser felizes como seres humanos. No entanto, “enfiamos o pé na jaca” e jogamos fora a nossa felicidade humana pelo pecado. Se não houvesse a graça de Deus, nós terminaríamos esta vida iríamos ser felizes numa felicidade humana, mas não veríamos Deus face a face.
A maravilha das maravilhas é que Deus quis nos dar a sua felicidade – a felicidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Jesus Cristo: a humanidade que participa da Natureza Divina
Deus, que é a Trindade Santa (Pai, Filho, Espírito Santo), fez com que o Filho nascesse no ventre da Virgem Maria. A partir de Jesus, existe um único homem que pode olhar para o céu e dizer “Pai”, pois Ele é o Filho eterno que criou para si uma humanidade (corpo e alma).
A comparação usada pelos santos padres é a do ferro e o fogo. Nós somos o ferro (frio, duro, enferrujado) e Deus é o fogo. Em contato com o fogo, o ferro esquenta, a ferrugem cai, fica maleável, luminoso e começa a soltar labaredas. O ferro se comporta com a natureza ígnea (do fogo).
Isto é Jesus: a nossa humanidade (“ferro”) em contato com o fogo que é Deus. É uma humanidade que participa da natureza divina. Na cruz, o bom ladrão viu Jesus perdoando, dizendo: “Pai perdoai eles não sabem o que fazem”. Mesmo com todo o peso do corpo sobre as feridas dolorosas nos pés e mãos, Jesus pedia perdão. Isto é impossível para um ser humano; aquilo não é ferro, mas o ferro junto com o fogo: Deus homem.
O batismo e o Corpo de Cristo
Jesus quer que nós participemos dessa natureza divina, por isso Ele manda o Espírito Santo no batismo para nos unir num só corpo. A pessoa batizada se torna membro do Corpo de Cristo. Assim como o “bacon” (que era filho da porca) que você come passa a fazer parte do seu corpo e se torna filho do homem, no batismo nós, que não éramos filhos de Deus, nos tornamos membros do Corpo de Cristo sem perder nossa identidade. Pelo batismo, podemos começar a participar da natureza divina.
Santidade e Visibilidade
Vemos a participação da natureza divina mais claramente nos santos. Em nós, isso é menos visível porque somos “muito preguiçosos para amar”. A vida de São Lourenço, que, sendo grelhado, diz: “Pode virar que desse lado já cozinhou”, é um exemplo. Tal comportamento não é humano (o ferro não se comporta assim), mas sim divino, pois ele é o ferro junto com o fogo.
A Igreja são as pessoas, “o ferro da humanidade que agora pelo batismo estão em contato com o corpo de Cristo e que começam a se comportar como se fosse fogo santo”. A Igreja não é meramente um CNPJ registrado em cartório, embora essa parte institucional precise existir.
Nós católicos discordamos dos evangélicos/protestantes porque eles não acreditam que o ferro do ser humano possa participar do fogo da santidade divina; eles não acreditam nos santos. A Igreja é o contrário disso. Os mártires, desde o início da Igreja nas catacumbas, demonstram santidade, morrendo alegremente por amor a Cristo, e curas e milagres aconteciam por sua intercessão. O Cristianismo é a realidade da humanidade redimida, que começa a fazer parte do Corpo de Cristo.
A visibilidade da Igreja e o fundamento apostólico
Por ser o cristianismo uma realidade espiritual, surge a questão: como Jesus pode nos obrigar a fazer parte de uma igreja que não tem endereço, que não sabemos onde está?.
Refutando a Ideia da Igreja Invisível
Muitos evangélicos protestantes afirmam que a Igreja de Cristo é invisível e usam o refrão: “Placa de igreja não salva ninguém”. Eles veem a instituição humana visível como uma invenção nossa, por isso não têm constrangimento em um pastor brigar com outro e fundar uma nova igreja na esquina. Nós católicos dizemos: “Não Senhor”. Jesus quis fazer um corpo visível. A Igreja é uma continuação da encarnação de Cristo ao longo dos séculos e tem que ter um endereço.
Jesus e os 12 Apóstolos: o novo Israel
No Antigo Testamento, o povo de Deus era feito por 12 tribos. Jesus, ao escolher 12 Apóstolos, não estava fundando a Igreja (que já existia), mas sim reformando o novo povo de Deus. Os filhos de Abraão são aqueles que têm a fé de Abraão. Jesus escolheu 12 discípulos por causa da fé.
O fato histórico de que Jesus escolheu 12 apóstolos é inegável, confirmado por teólogos sérios, como Joaquim Jeremias, pelo critério da múltipla atestação. Estes 12 representam o novo Israel e o novo povo de Deus, aparecendo no Apocalipse como os 12 do Antigo Testamento e os 12 do Novo.
Jesus disse a esses 12: “Eis que eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. Ele não disse que esqueceria deles e só lembraria no século XVI com Martinho Lutero. Os 12 deixaram seus sucessores com a imposição das mãos.
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O endereço físico da fé
Entre os 12, havia um especial: Pedro era o primeiro. Jesus disse a Simão Pedro: “Satanás me pediu para peneirar-vos os 12 apóstolos como trigo. Eu, porém, rezei por ti, Simão. Tu, quando te converteres, confirma teus irmãos”.
Jesus estava dizendo que o Papa tem a função de nos confirmar na fé, mas que o Papa não é impecável. O fato de Simão Pedro ter negado Jesus três vezes é uma grande caridade de Cristo para conosco, para dizer que “os papas não são impecáveis, mas os papas são papas”.
Pedro é o primeiro. Como Pedro morreu em Roma, o túmulo de Pedro está na Basílica de São Pedro, e o bispo de Roma é o sucessor de Pedro. O Papa é o bispo de Roma que recebe a missão de ser a cabeça visível da Igreja. Os bispos são sucessores dos apóstolos e, junto com o Papa, são o fundamento visível.
Os elementos que mostram o endereço visível da Igreja são:
1. Unidade na profissão de fé (Dogmas).
2. Os mesmos sacramentos (os sete sacramentos).
3. O mesmo governo eclesiástico (Magistério e Sucessão Apostólica).
As balizas da fé: Dogmas e infalibilidade
A Igreja nos deu a Bíblia (que não caiu do céu com zíper), os Papas, os Bispos (sucessores dos apóstolos) e os concílios ecumênicos e declarações infalíveis para dizer onde está a fé.
Dogmas como limites da casa
As definições dogmáticas da Igreja são como os limites que um engenheiro coloca para demarcar o terreno de uma casa. Os dogmas são o endereço da nossa profissão de fé: “Até ali é católico. Começou a dizer outra coisa, herege, está fora”.
O ministério infalível dos papas e bispos é uma garantia dada por Jesus, que prometeu estar conosco todos os dias até o fim dos tempos. Exemplos de balizas dogmáticas:
• Concílio de Niceia (1700 anos atrás): Jesus é Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
• Concílio de Constantinopla (381): O Espírito Santo é Deus.
• Concílio de Éfeso (431): Jesus não é somente homem e Deus como duas coisas separadas (contra o Nestorianismo).
• Concílio de Calcedônia (451): Jesus é homem e Deus, mas não misturado numa coisa só (contra o Monofisismo).
• Outros dogmas: Deus está presente na Eucaristia, Nossa Senhora é sempre virgem, Nossa Senhora Imaculada, a confissão perdoa os pecados.
A Igreja é o espaço de liberdade do povo de Deus, mas dentro dos limites daquele espaço revelado por Deus. A fé apostólica é que colocou o limite da parede, e os apóstolos são o sustento.
A Função Rara e Fixa da Infalibilidade
A infalibilidade papal é que, em momentos de dúvida, a Igreja, na sua caridade, coloca a baliza: “É até aqui, dali para a frente não é”.
A Igreja participa da infalibilidade de Cristo. Os bispos do mundo inteiro, quando se reúnem em Concílio, só definem um dogma infalível se for aprovado pelo Papa. Uma vez que o Papa bate o carimbo, a baliza está fixa. Nenhum papa posterior pode mudar isso. As coisas que já estão definidas não voltam atrás, pois é a fé dos apóstolos. Por exemplo, o divórcio não será liberado, pois já está definido.
O último dogma claramente colocado foi com Pio XII em 1950 (Assunção de Nossa Senhora). Outro ato de autoridade máxima foi a Ordinatio Sacerdotalis de João Paulo II, dizendo que as mulheres não podem ser ordenadas padre, um fato negativo que afirma que a Igreja não tem poder para fazê-lo. Desde Pio XII, passaram-se sete papas e só houve um dogma, mostrando que a Igreja não faz isso todo dia.
Obediência, respeito e o dinamismo da Igreja
A Igreja é muito dinâmica ao redor das balizas (dogmas) porque é um organismo vivo. Ela tem uma identidade (a sucessão apostólica) e não vai virar outra coisa, mesmo sofrendo perseguição.
A garantia disso é a promessa de Jesus a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão”. A Igreja tem inimigos dentro e fora, e até os próprios bispos (numa anedota com Napoleão) brincam que não conseguem acabar com ela.
Diferentes graus de autoridade e obediência
Quando o Magistério diz algo infalivelmente (colocando balizas), “a igreja falou, a água parou”. Mas isso é raro.
Nas outras ocasiões, é necessário receber as decisões dos Papas com religioso acatamento que decorre da fé, porque sabemos quem ele é.
Existe uma diferença entre:
1. Dogma de Fé: Infalível, coisas inabaláveis e fixas.
2. Leis da Igreja: Coisas obrigatórias, como a permissão para celebrar Missa em português, que é uma questão disciplinar e pode mudar (como a Missa mudou de grego para latim em Roma nos primeiros séculos).
3. Conselho Pastoral ou Opiniões Pessoais: Coisas que devem ser levadas em consideração com acatamento e veneração, mas que são prudenciais. Uma entrevista do Papa, por exemplo, não tem o mesmo peso que uma nota oficial ou um decreto.
A Tentação da desobediência
Devemos ter profundo respeito e veneração pelos sucessores dos apóstolos. A tentação humana é dizer: “Não posso mais obedecer essa pessoa” quando vemos fragilidade ou erro naqueles que governam.
A obediência não se dispensa por falhas pessoais. Um pai, mesmo estando bêbado, continua sendo seu pai. Você deve impedir que ele dirija bêbado, mas no dia seguinte, quando ele tomar decisões familiares razoáveis (como mudar de casa), você deve obedecer, mesmo lembrando que ele estava bêbado no dia anterior.
O Papa não é um “Fashion Week”
Quando o Papa manifesta opiniões circunstanciais, políticas ou preferências pessoais, não precisamos nos abalar por isso. Isso é apenas a personalidade manifestando seus gostos, e podemos, reverentemente, discordar.
Por exemplo, o gosto do Padre Paulo Ricardo por não usar rendas em paramentos, ou o fato de Bento XVI ter voltado a usá-las, não obriga ninguém a seguir a moda dos Papas. A Igreja não é uma fashion week. Podemos respeitar o Papa e ter “vergonha alheia” por algo de mau gosto que ele use (como a capa pluvial de João Paulo I que parecia embalagem de ovo de Páscoa), mas continuamos respeitando.
Creio em quem o Senhor é
A Igreja é o Corpo de Cristo, o ferro que participa do fogo que é Cristo. Para termos certeza de que estamos no lugar certo, precisamos do endereço: a mesma profissão de fé, os mesmos dogmas, os mesmos sacramentos e o mesmo governo eclesiástico (o Papa validamente eleito e o bispo canonicamente empossado).
O Padre Paulo Ricardo, ao recordar sua convivência com Dom Eugênio de Araújo Sales, relata que o Cardeal sempre levava um presente para São João Paulo II. Quando questionado sobre o motivo, Dom Eugênio respondeu: “Santo Padre, nós podemos dar presentes às pessoas que queremos bem e eu quero bem ao Senhor, mas nós podemos dar presente às pessoas porque cremos, e eu creio em quem o Senhor é”.
Nós cremos em quem é o Papa porque ali está o endereço da Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica Romana. “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”.
Deus abençoe vocês.
Transcrição e adaptação: Adailton Batista
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