Professor Felipe Aquino: Por que Judas se corrompeu?
Bom dia, meus amigos e amigas! É uma alegria estarmos aqui mais uma vez neste tríduo pascal para meditarmos sobre esses acontecimentos tão importantes da nossa vida espiritual. O assunto que me pediram para tratar é sobre a traição de Judas, algo impressionante e que traz reflexões fundamentais para nós hoje, para não olharmos para Judas apenas como um condenado, mas para tirar lições para a nossa própria vida.

Foto: Bruno Marques / Canção Nova
A Santa Ceia e as inúmeras chances de Jesus
Para termos uma visão panorâmica, vamos ao Evangelho de São João, no capítulo 13, que narra a Santa Ceia e o lavapés. Jesus, como Deus, sabia de tudo o que ia acontecer; Ele já conhecia os pensamentos dos apóstolos e sabia o que estava no coração de Judas. Na noite em que Ele mais nos amou, foi a noite em que foi traído. O demônio já tinha lançado o propósito no coração de Judas, que aceitou e consentiu com a tentação.
Ainda assim, Jesus se abaixa e lava os pés de Judas. Santo Agostinho questiona: “Por que Ele já não mandou Judas logo embora?”. A resposta é linda: porque Ele tinha paciência, amava Judas e tentava levá-lo ao arrependimento até o último instante. Ele não escolheu Judas para ser um traidor, escolheu-o para ser apóstolo. Jesus apenas adverte que “nem todos estão puros”, não denunciando o nome do traidor de cara para dar mais uma chance de arrependimento.
O primeiro pedaço do bolo
Durante a refeição, Jesus entrega um pedaço de pão molhado a Judas. Santo Agostinho e outros santos doutores interpretam isso como um gesto de amizade e deferência especial. É como em uma festa de aniversário, onde o aniversariante dá o primeiro pedaço de bolo para a pessoa que ele quer homenagear. Jesus estava dizendo nas entrelinhas: “Judas, experimenta meu amor”. Mas logo que ele engoliu o pão, Satanás entrou nele, o que significa que, a partir daquele momento, Judas entregou-se totalmente à tentação pela sua própria decisão, dominado pelo mal.
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Justiça Divina e o preço infinito da nossa salvação
Jesus apressou a sua ida para a cruz porque Ele tinha sede de comer aquela Páscoa para pagar o resgate da humanidade. Pelo pecado de Adão e Eva, a humanidade estava separada de Deus e cativa do demônio. E aqui é muito importante entender: Deus é misericordioso, mas Ele é justo; Deus não “passa pano” no erro, pois sem justiça e correção não há santidade.
Deus não “passa pano” no erro, pois sem justiça e correção não há santidade.
A culpa da humanidade era infinita, pois quando pecamos gravemente contra a majestade de Deus, a ofensa tem um peso infinito. Por isso o castigo era infinito (o inferno). Como nenhum ser humano podia pagar uma dívida infinita, o Verbo assumiu a natureza humana e se ofereceu no nosso lugar. A morte de um homem que também é Deus tem valor infinito, satisfazendo plenamente a justiça divina e resgatando a humanidade das mãos de Satanás.
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O segredo escondido do demônio
Santo Inácio de Antioquia e São Leão Magno nos ensinam um detalhe fascinante: Deus escondeu do demônio que Jesus não tinha o pecado original. O inimigo viu Jesus chorar, ter fome e passar necessidades, e achou que Ele fosse apenas mais um pecador sob o seu domínio. O demônio levou Jesus à morte sem saber que, na cruz, Cristo estava pagando a nossa dívida e o derrotando para sempre. É por isso que o demônio odeia a cruz, pois nela ele perdeu o poder sobre a humanidade.
O perigo dos “pecadinhos” e a verdadeira liberdade
Judas não se corrompeu de uma hora para a outra; São João nos conta que ele era ladrão e roubava o dinheiro dos apóstolos. Seis dias antes da Páscoa, Maria quebrou um frasco de nardo caríssimo aos pés de Jesus, avaliado em 300 moedas de prata, entregando o seu melhor ao Senhor. Judas, dominado pela ganância, vendeu Jesus por um valor dez vezes menor: 30 moedas de prata, o preço de um escravo.
Santo Agostinho alerta que o acúmulo de pecados leves leva ao pecado grave, como gotas de chuva que causam uma inundação. Precisamos tomar cuidado com as pequenas mentiras e concessões, cortando o mal na raiz para não dar ocasião ao demônio, como nos adverte São Paulo.
A verdade e a responsabilidade
Mas por que Deus permitiu a queda? Porque Deus nos deu a liberdade. Ele não nos criou para sermos robôs teleguiados, mas à Sua imagem e semelhança. Quando você dá liberdade, corre riscos, mas sem ela não há crescimento. Santo Agostinho lembra que o pecado é o mau uso da liberdade. Não existe liberdade sem verdade e responsabilidade; querer mudar a verdade (como dizer que 2+2=5) é libertinagem e relativismo. Judas viu os milagres e, infelizmente, usou muito mal a sua liberdade.
Não existe liberdade sem verdade e responsabilidade; querer mudar a verdade (como dizer que 2+2=5) é libertinagem e relativismo
A diferença entre Pedro e Judas
Pedro e Judas traíram o Senhor, mas há uma grande diferença. Judas traiu por maldade e endureceu o coração. Santa Catarina de Sena diz que Judas se desesperou mais do que pecou, pois não confiou na misericórdia de Deus. Pedro caiu por fraqueza. Jesus permitiu que Pedro tropeçasse no próprio orgulho para quebrantá-lo, livrando-o da arrogância para que ele pudesse ser o primeiro Papa da Igreja. Às vezes, Deus permite que a gente caia no pecado para nos dar uma “rasteira” e quebrar a nossa vaidade e autossuficiência.
O trigo e o joio na Igreja
Para encerrar, por que Jesus tolerou Judas no meio do grupo por três anos? Santo Agostinho explica: Jesus tolera os maus para não dividir a Igreja e para que o mal exercite os bons a serem melhores e mais santos. Deus vai nos dar todas as oportunidades de salvação até o limiar da morte, pois o inferno não foi feito para nós. No fim de tudo, Jesus afirmou: “Agora é glorificado o filho de Deus”, pois Ele fez a vontade do Pai e nos libertou.
Qual é a sua escolha diante de tudo isso que meditamos? Fica este grande recado para todos nós.
Transcrição e adaptação Adailton Batista
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