O Pai nos convida para uma jornada de retorno e cura

Pe. Márcio Prado / Festa do Pai das Misericórdias 2026 – Canção Nova – Foto: Reprodução Youtube / TV Canção Nova
O Pai me ama. O Pai nos ama. Esta é a boa notícia que deve ficar gravada no seu coração, especialmente nos momentos de dificuldade e nos desertos da vida. O tema central desta reflexão, inspirada pelo Evangelho e pelo carisma da Canção Nova, é que o amor de Deus não é apenas um sentimento, mas uma ação concreta: a misericórdia.
O esbanjamento da misericórdia
No Evangelho de Lucas (15, 20), contemplamos o que podemos chamar de “esbanjamento” da misericórdia do Pai. A passagem do Filho Pródigo nos mostra que, mesmo após o filho gastar tudo e se afastar, o Pai não ficou sentado esperando com cobranças ou argumentos.
Pelo contrário, o texto bíblico afirma que o Pai, ao ver o filho ainda longe, encheu-se de compaixão, correu ao seu encontro e o cobriu de beijos. O amor do Pai é essa misericórdia que nos devolve a dignidade através da veste nova, do anel e do banquete eucarístico.
O Senhor não nos trata conforme as nossas faltas. Ele não olha para o seu pecado, mas para o filho de Deus que você é. Muitas vezes voltamos para Deus buscando apenas um milagre ou uma graça material, mas o Pai vê a nossa real necessidade: a de retomarmos nossa filiação e consciência de sermos amados.
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O Pai nos chama por amor
A história da salvação é uma sucessão de chamados misericordiosos. Deus chamou Abraão para sair de sua terra; chamou Moisés no meio de uma sarça ardente durante seu trabalho cotidiano; e chamou Mateus enquanto este estava sentado na coletoria de impostos.
Jesus não escolheu os perfeitos. Ele chamou: Abraão, que tinha outros deuses. Moisés, que havia matado um homem. Mateus, um cobrador de impostos visto como pecador. Pedro, um pescador de temperamento difícil. O Senhor chama por misericórdia para nos salvar e nos convida a deixar nossas falsas seguranças para segui-Lo.
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A resposta à misericórdia
A misericórdia de Deus exige uma resposta de fé e atitude. O cego de Jericó, ao ser curado, assumiu a responsabilidade de não mais apenas mendigar, mas de seguir o mestre. Zaqueu, ao ser visitado por Jesus, decidiu devolver quatro vezes mais o que tinha defraudado.
Se a misericórdia não toca o nosso bolso e as nossas atitudes, é sinal de que ela ainda não penetrou verdadeiramente em nosso coração. Como nos ensina o Papa Francisco, ter um coração misericordioso exige ser forte, firme e fechado ao tentador, mas totalmente aberto a Deus. A Igreja reafirma constantemente essa verdade teológica através de seus grandes nomes:
- Santo Tomás de Aquino: O poder de Deus se manifesta sobretudo na misericórdia.
- Santo Afonso de Ligório: Deus é pródigo em usar de Sua misericórdia para com todos, em todos os tempos.
- São João Paulo II: Nada é tão necessário ao homem quanto a misericórdia de Deus.
- Bento XVI: A misericórdia é a face de Deus revelada plenamente em Jesus Cristo.
Não espere a “última hora” para passar pela porta do perdão.
Não importa quão arruinado esteja o seu passado, ele pode ser tocado pela misericórdia. O lugar onde nos tornamos agradáveis a Deus é no confessionário, quando temos compaixão da nossa própria alma e nos arrependemos.
Como diz a Palavra em Eclesiástico 30, 22-25: “Afasta a tristeza para longe de ti, pois a tristeza matou a muitos e não há nela utilidade alguma”. Levante-se agora, abandone seus deuses e deixe-se abraçar pelo Pai das Misericórdias. O Pai está amando você hoje!
Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin
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